O Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, rejeitou ter ameaçado demitir-se durante as negociações sobre o Estreito de Ormuz, algo que foi alegado no início desta semana pelo clérigo xiita Mohammad Bagher Kharazi, próximo do Líder Supremo.
“Se me demitir, irei anunciá-lo oficialmente. Mas eu não me vou demitir e permanecerei firme”, garantiu Pezeshkian, no trailer de uma entrevista que será transmitida pela televisão estatal iraniana.
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Na segunda-feira, o clérigo xiita Mohammad Bagher Kharazi afirmou que Mojtaba Khamenei, o Líder Supremo do Irão, iria aceitar o próximo pedido de demissão de Pezeshkian se o Presidente iraniano voltasse a fazê-lo.
“Isto pode ser transmitido oficialmente: [Mojtaba Khamenei] anunciou oficialmente que se Pezeshkian tentar renunciar mais uma vez, depois de já ter ameaçado demitir-se 28 vezes, ele iria aceitar. Ele disse ‘mais uma demissão e eu aprovo'”, afirmou Kharazi. No entanto, as alegações foram negadas pelo gabinete do próprio Líder Supremo como sendo “totalmente falsas”, refere a agência de notícias iraniana Tasnim. Do mesmo modo, o gabinete da Presidência acusa Kharazi de ter espalhado uma “mentira descarada” e de fazer parte de uma “sinistra coligação de difamadores e defensores do extremismo e da má gestão“, cita a mesma agência de notícias.
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De acordo com o Iran International, canal iraniano da oposição com sede em Londres, o Presidente do Irão já tinha apresentado a sua demissão em maio, por considerar que o seu Governo tinha sido “excluído de decisões importantes e que os membros mais ortodoxos haviam assumido o controlo do país”, algo que foi negado por Teerão na altura.
Mohammad Bagher Kharazi é uma personalidade controversa no Irão, conhecido pelo seu “histórico de fazer alegações sem provas”, refere o The Guardian. Apesar da sua proximidade com Khamenei — foi o seu professor no seminário e é casado com a irmã da mulher de um irmão do Líder Supremo — não se sabe se viu Khamenei desde o início dos ataques norte-americanos, a 28 de fevereiro.
O caso expõe profundas divergências internas sobre a forma de lidar com os Estados Unidos. Na segunda-feira, a Assembleia de Peritos, dominada por conservadores e responsável por escolher o Líder Supremo, emitiu um comunicado a afirmar que o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos é uma “traição” e “capitulação”, além de ter descrito como “inúteis” as esperanças de Pezeshkian em ver cumpridas as exigências impostas aos Estados Unidos no documento.