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Justiça espanhola quer saber se autoridades tinham informações que permitissem antecipar crise migratória em Ceuta

Audiência Nacional quer saber se Guarda Civil tinha dados que permitissem antecipar crise migratória em Ceuta. Mais de 70 mil pessoas entraram a nado no território em poucas horas.

João Francisco Gomes
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A Audiência Nacional, tribunal especial do sistema judicial espanhol que analisa as situações mais graves e complexas envolvendo o Estado, pediu à Guarda Civil que informe o poder judicial sobre se teve algum indício que permitisse antecipar a crise migratória que se precipitou na quinta-feira da semana passada, com a entrada abrupta de mais de 70 mil pessoas no exclave de Ceuta, no norte de África.

A notícia é avançada pelo El País, que diz ainda que o tribunal tem o processo em mãos na sequência de uma denúncia apresentada pelo partido espanhol Iustitia Europa, que pediu que fossem investigados delitos “contra a segurança do Estado, delitos contra a Nação, favorecimento da imigração ilegal e tráfico de pessoas, organização criminosa e omissão do dever de perseguir delitos”.

Esta quarta-feira, o ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska, garantiu que os serviços de informações do país não deram qualquer alerta ao governo sobre uma chegada em massa de migrantes a Ceuta, mas admitiu que, nos dias anteriores, houve um aviso de que, por ser verão, poderia haver uma “subida” do número de entradas irregulares. Houve também avisos no sentido de que este ano o aumento habitual de verão podia ser ainda mais significativo devido à recente sentença do Tribunal Supremo espanhol, que determinou que os migrantes que chegassem a Ceuta e a Melilla a nado não podiam ser imediatamente devolvidos ao país de origem.

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No contexto desta investigação, o tribunal pediu à Guarda Civil que revelasse quais as informações de que tinha conhecimento antes da crise migratória, bem como relatórios detalhados sobre os dias mais críticos do pico migratório, “particularmente no que diz respeito às operações de resgate das pessoas que tenham sido localizadas em águas territoriais espanholas, as suas circunstâncias pessoais conhecidas, bem como, no caso de pessoas falecidas, se consta a causa e a data da morte e, em caso de sobreviventes, a sua identidade e dados de localização”, lê-se no documento citado pelo El País.

Antes, a Audiência Nacional também tinha pedido à Polícia Nacional um relatório completo sobre a entrada irregular de migrantes em Ceuta, concretamente sobre se houve algum “grupo criminoso” por trás de uma eventual “ação concertada”.

Na quinta-feira da semana passada, mais de 70 mil pessoas entraram no território espanhol de Ceuta a nado, oriundas de Marrocos, com o objetivo de tentar chegar ao espaço europeu, desencadeando uma crise migratória que pôs à prova as relações entre países europeus. Muitos migrantes acabariam, contudo, por regressar voluntariamente.