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Reino Unido investiga donativos de instituições de caridade para colonatos israelitas ilegais na Cisjordânia

Uma das organizações investigadas pelo The Guardian doou 233,5 mil euros a uma escola religiosa em Hebron que está "no centro dos planos de expansão do colonato ilegal" no território.

Ricardo Reis
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A Comissão de Instituições de Caridade do Reino Unido lançou uma investigação sobre doações feitas por oito organizações de beneficência a colonatos israelitas ilegais na Cisjordânia, na Palestina. A operação foi ordenada em junho por Yvette Cooper, então secretária britânica dos Negócios Estrangeiros, após a denúncia feita pela deputada trabalhista Melanie Ward, que alegava que 32 instituições tinham doado, pelo menos, 28 milhões de libras (32,6 milhões de libras) a colonatos ilegais, segundo o The Guardian.

“A investigação vai procurar estabelecer a extensão do uso de fundos de caridade em colonatos israelitas ilegais, o propósito dessas despesas e, se tal se confirmar, se foi dado para promover os objetivos das instituições de caridade”, refere a Comissão de Instituições de Caridade em comunicado, que vai avaliar, também, se os bens ou beneficiários estão “em risco”.

Além da queixa feita pela deputada trabalhista, uma investigação lançada pelo jornal The Guardian em 2025 revelou que duas instituições de caridade — Kasner Charitable Trust e UK Toremet — doaram cerca de 5,7 milhões de libras (6,6 milhões de euros) para a escola secundária Bnei Akiva Yeshiva, no colonato de Susya, que é “provavelmente, a maior fonte individual de emprego e constitui um dos principais elementos da existência [do colonato]”. Ambas constavam na lista das 32 organizações denunciadas por Melanie Ward.

Uma outra, feita pelo mesmo jornal em julho deste ano, dava conta de que a instituição Friends of Yeshivat Shavei Hevron (Amigos de Yeshivat Shavei Hevron) tinha doado, entre 2019 e 2024, 200 mil libras (233,5 mil euros) a uma escola religiosa em Hebron, que está “no centro dos planos de expansão do colonato ilegal” no território. No mês anterior, Bezalel Smotrich, ministro israelita das Finanças, tinha anunciado que Telavive passaria a ter competências em matéria de planeamento urbanístico, apesar de tal ter sido desmentido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, que afirmou que a mudança seria apenas em relação à comunidade judaica. Em Hebron, as competências de planeamento estão nas mãos da Autoridade Palestiniana, enquanto Israel garante a segurança da cidade, segundo o Acordo de Hebron, de 1997.

Mais instituições de caridade podem ser alvo de investigações, refere a comissão, com a operação a ser feita em colaboração com as autoridades policiais e a Autoridade de Receitas e Alfândegas do Reino Unido.

“Foram feitas sérias alegações sobre organizações beneficentes do Reino Unido que atuam em colonatos israelitas ilegais na Palestina, portanto, o nosso primeiro passo é apurar os factos. Apenas então poderemos determinar se é necessária alguma ação de regulamentação, com base nas nossas descobertas e nas evidências que observarmos”, afirmou Stephen Roake, diretor adjunto de Conformidade de Alto Risco da Comissão de Instituições de Caridade, referido no comunicado.

O anúncio foi bem recebido por vários deputados trabalhistas pró-Palestina, mas pedem que sejam também investigadas as 32 que foram objeto da queixa apresentada por Melanie Ward, em junho, para “agir rapidamente para erradicar completamente este comportamento”.

“Financiar colonatos israelitas ilegais é uma atividade extremista ligada à violência e à expropriação dos palestinianos e não tem nenhuma relação com atividades de caridade”, sublinhou o deputado trabalhista Abtisam Mohamed, ao The Guardian.