Já terá caído o pedaço de lixo espacial que se esperava que embatesse esta quarta-feira contra a Lua, criando uma nova cratera na superfície lunar e oferecendo aos cientistas uma oportunidade única para estudar estes fenómenos, uma vez que o momento e o local do impacto tinham sido previstos com bastante antecedência.
Com uma massa de cerca de quatro toneladas, o fragmento de um foguetão da SpaceX terá embatido contra a superfície lunar a cerca de 8.700 quilómetros por hora, criando uma nova cratera e uma nuvem de poeira observável a partir da Terra, com recurso a telescópios. O impacto era esperado esta quarta-feira pouco antes das 8h da manhã, hora de Lisboa, mas não foi diretamente registado por nenhum veículo espacial. O foguetão Falcon 9, da SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, tinha sido usado em 2025 para transportar dois módulos de alunagem, mas o seu segmento superior andava à deriva no espaço desde então.
A nova cratera terá uma dimensão estimada de 27 metros de diâmetro e cinco de profundidade.
https://observador.pt/2026/07/31/restos-de-foguetao-da-spacex-vao-colidir-na-quarta-feira-com-a-lua-e-gerar-nova-cratera/
Segundo a BBC, nenhum veículo espacial estava posicionado de forma a captar imagens da colisão em direto, pelo que será agora necessário esperar pela divulgação de imagens de comparação entre o antes e o depois da zona da Lua onde o impacto era esperado. Essas imagens deverão ser captadas e analisadas pela NASA nos próximos dias.
Há pequenas colisões com a superfície lunar todos os dias, mas a grande novidade neste caso é o facto de ter sido possível prever com antecedência a hora e o local do impacto. Para os cientistas, trata-se de uma oportunidade única, como disse na BBC Libby Jackson, engenheira espacial britânica, de observar uma colisão com detalhe. Uma vez que a massa, a dimensão e a velocidade do objeto são conhecidos dos cientistas, será possível tirar conclusões mais detalhadas sobre o modo como decorre a colisão.
À mesma estação, o astrónomo Matt Bothwell, da Universidade de Cambridge, explicou que os cientistas ainda terão de esperar cerca de uma semana para ficar a conhecer a nova cratera lunar.
A colisão desta quarta-feira levanta, porém, questões sobre a cada vez maior quantidade de lixo espacial que se tem acumulado na órbita terrestre e nas proximidade da Lua. Para Bothwell, é possível que, nas próximas décadas, se torne “difícil passar pela órbita terrestre, porque o espaço está tão ocupado”. “Devemos, definitivamente, preocupar-nos com isto”, disse.
Ao mesmo tempo, a acumulação de lixo espacial também prejudica a Lua. Atualmente, há cerca de três mil objetos humanos abandonados na superfície lunar, um total de 190 toneladas de material, que se têm vindo a acumular desde a década de 1950. O aumento do número de colisões representa uma ameaça para as zonas de solo lunar que os cientistas querem preservar intactas, uma vez que o seu estudo no futuro será fundamental para conhecer milhões de anos de história geológica.