Cerca de 90 mil exames da segunda fase e mais de 20 mil reapreciações para classificar. Os professores tinham até esta terça-feira, 4 de agosto, para deixar digitalmente concluídas estas correções, apesar de se terem verificado problemas técnicos semelhantes aos da primeira fase, de reapreciações terem chegado só no dia 29 de julho ou de muitos docentes se encontrarem de férias. Contudo, Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública, acredita que na próxima sexta-feira, dia 7 de agosto, haverá pautas como determinado pelo Ministério da Educação — estejam elas como estiverem.
“Fernando Alexandre vai querer mais uma vez afixar o que quer que seja. No que diz respeito à segunda fase, podemos ter outra vez algumas provas suspensas. Vão faltar na mesma folhas de continuação, mas só quando o aluno tiver acesso à prova é que se vai conseguir avaliar a quantidade de desconformidades”, antecipa.
Quanto às reapreciações, o movimento garante que houve escolas a prolongar o prazo de classificação até ao dia 6. “No que diz respeito às reapreciações, colocamos a hipótese de não termos as pautas ou pelo menos termos uma grande percentagem de reapreciações sem notas na sexta-feira”, determina. No dia 3 de agosto, Fernando Alexandre referiu que só 50% destas provas estavam corrigidas. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), olha para estes números com preocupação. “É difícil no dia 7 de agosto as pautas das reapreciações estarem afixadas”, assume ao Observador.

Essa divulgação está prevista para o dia seguinte ao término da primeira fase de acesso ao Ensino Superior (6 de agosto, esta quinta-feira). Os alunos que tiveram nota da primeira fase atribuída mas queiram encontrar vaga numa faculdade com a da reapreciação têm três dias — a contar do momento em que recebem a nota nova — para o fazer.
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No dia 3 de agosto, Fernando Alexandre mencionou no Parlamento que todos os alunos têm a nota da primeira fase, mas podem não ter a prova em sua posse. Contudo, Cristina Mota acha provável que haja ainda alunos sem nota e que, sem ela, “não estavam em condições de concorrer [no concurso da primeira fase de acesso], ou porque não era suficiente para a candidatura, o caso dos alunos que não reuniam a classificação mínima nas provas de ingresso (igual ou superior a 9,5 valores)”.
“Através da reapreciação, podem ficar em condições de concorrer e também têm três dias”, explica a professora de Matemática. Neste contexto, trata-se de “uma primeira candidatura” que respeita o previsto no artigo 34.º do Regulamento do Concurso Nacional de Acesso e Ingresso no Ensino Superior Público, mas implica um passo burocrático. “Daí a Missão Escola Pública ter dito sempre que este prazo [da primeira fase do concurso de acesso] deveria ter sido alterado.” O ministro recusou.
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Tardias e incompletas, reapreciações são o que mais preocupa as escolas
Ao contrário das reapreciações, 97% dos itens da segunda fase estavam corrigidos esta segunda-feira, dia 3. Contudo, esta terça-feira o EduQA decidiu considerar corretas duas respostas de um item do exame de segunda fase de Física e Química A. “São itens [de correção] automáticos, mas é uma parametrização que ainda vai ter lugar. Na primeira fase, quando se fez a junção das duas partes [de classificação automática e manual], também se detetaram problemas” que levaram à correção de pautas, lembra Cristina Mota.
https://observador.pt/2026/08/04/exames-eduqa-recua-e-vai-aceitar-como-corretas-duas-respostas-do-exame-da-segunda-fase-de-fisica-e-quimica-a/
A maior demora quanto às reapreciações também se deve a estas só terem sido disponibilizadas aos classificadores na quarta-feira, dia 29 de julho. “E temos evidências, que nos fazem chegar através de prints das questões colocadas nas salas de supervisão, de que continua a ser dada indicação pelos supervisores segundo a qual, quando falta alguma folha de continuação ou há desconformidade, deve ser classificado conforme está”, denuncia.
Foram ainda notados casos de professores a receber provas de disciplinas que não as suas e a falta dos “documentos necessários para se fazer a reapreciação” como, por exemplo, aquele em que o aluno argumenta por que razão deve a sua prova ser alvo deste procedimento. “É preciso [o professor] fazer um relatório e para o elaborar tem de se ter em conta o que o aluno entende que deve ser alterado. Tem sido um processo muito moroso, muito burocrático, e pautado pela ausência muitas vezes de toda a documentação.”
https://observador.pt/2026/08/03/exames-falhas-na-classificacao-motivam-queixa-de-professores-a-provedoria-de-justica/
Professores podem não conseguir gozar todas as férias este ano
Além disso, muitos professores já estavam de férias “quando receberam as convocatórias e não aceitaram por iniciativa própria alterar” esse período. Durante o fim de semana e “até mesmo durante o dia de ontem ainda existiram professores a receber convocatórias para as reapreciações e distribuição de itens da segunda fase”. Filinto Lima salienta que essas convocatórias devem estar registadas num documento enviado pelo Júri Nacional de Exames (JNE) aos diretores.
Quanto às férias, o presidente da ANDAEP receia que aos professores envolvidos na primeira, segunda e época especial de exames nacionais comecem a faltar dias úteis para as gozar. “Temo que alguns professores não possam usar a totalidade das férias até setembro”, afirma.

Mas se alguns concordaram em mudar as férias, houve também docentes alvo de “pressões” no sentido de “alterarem ou prescindirem de períodos de férias previamente aprovados” e registaram-se “situações generalizadas de ausência de convocatórias formais para o serviço de classificação, de falta de transparência nos critérios de distribuição do trabalho e uma acentuada informalidade na gestão de um processo que exige rigor, segurança jurídica e respeito pelas normas em vigor”. A denúncia veio da Fenprof, que esta terça-feira solicitou à Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) que averigue o sucedido, “apure eventuais irregularidades e promova as orientações necessárias para garantir que, no futuro, os procedimentos respeitem integralmente a lei e os direitos dos docentes”.
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Segundo Cristina Mota, este processo de classificação fica ainda marcado pelo envio de mensagens SMS, por parte do EduQA, aos professores sobre a receção de mais itens para corrigir. Afinal, não têm telemóveis de serviço e ”estar-se a usar o número de telemóvel pessoal do professor para receber informação relativamente a questões profissionais parece-nos um abuso e coloca aqui em causa até mesmo direitos de confidencialidade e de privacidade” que, lembra, já tinham sido suscitados quando a plataforma de classificação esteve em manutenção devido a questões de segurança. “Tivemos de aceder à plataforma através da Chave Móvel Digital e dos dados das Finanças, o que nos deixou desde logo indignados porque até a questão de proteção de dados fica em causa”, lamenta.
O dia 7 de agosto, da afixação das notas das reapreciações e dos exames da segunda fase, será o novo “dia D” para o ministro da Educação, sentencia Filinto Lima. Resta saber se será ou não semelhante ao dia 17 de julho, quando as pautas incompletas levaram à abertura de escolas nessa noite e ao longo do fim de semana.