Em árabe, ouve-se o apelo em tom de súplica. Um menino com calção amarelo e t-shirt azul-escura agarra-se no pescoço do militar, que toca no ombro da criança com uma mão, e segura um cacetete com a outra. O homem fardado faz que não com a cabeça. A criança continua a chorar, enquanto caminha guiada por outro membro do exército espanhol. O momento é registado pelas câmaras dos jornalistas que servem de testemunha do momento. É só a poucos metros da fronteira que um superior interrompe a ação. “Estava acompanhado, mas deixaram-no sozinho”, dizem-lhe os militares que guiavam o menino de volta. “Acompanhado de quem?”, questiona. O rapaz, que terá 12 anos, de acordo com as televisões espanholas, foi finalmente encaminhado à Guardia Civil.
Un niño marroquí llora y ruega a unos militares que no lo deporten en Ceuta pic.twitter.com/cffWrk5vho
— EL MUNDO (@elmundoes) August 4, 2026
De acordo com a Associated Press, o repatriamento do menino só foi interrompido devido à intervenção de jornalistas e cidadãos que viram a cena. Outros jovens migrantes também terão sido conduzidos pelas forças de segurança espanholas em direção à fronteira. Apesar de o Governo local alegar que serão 862 menores desacompanhados em Ceuta desde a crise que se instalou na última semana, os dados da organização não governamental Save the Children apontam para mais de mil.
Se em Espanha os adultos migrantes podem solicitar asilo, ter o pedido negado e serem expulsos, os critérios para os menores desacompanhados são diferentes. As crianças e adolescentes, diz a lei, devem ser acolhidos pelas autoridades espanholas. “Em Espanha, os direitos fundamentais dos menores, como indivíduos vulneráveis, são respeitados, assim como os dos adultos”, destacou Fernando Grande-Marlaska, ministro do Interior espanhol.
O Governo espanhol anunciou esta terça-feira que vai destinar uma quantia extraordinária de 25 milhões de euros à cidade para o acolhimento de menores desacompanhados, avançou o El País. Entretanto, a ministra da Inclusão, Segurança Social e Migração, Elma Saiz, não revelou a quantidade de crianças migrantes em Ceuta.
A Guardia Civil também abriu um escritório para pessoas desaparecidas na alfândega da fronteira e disponibilizou um endereço de e-mail para que as pessoas possam relatar desaparecimentos.
https://twitter.com/guardiacivil/status/2084580621955838359
Na passada segunda-feira a organização não governamental (ONG) Save the Children sublinhou num comunicado que podem existir crianças ainda não identificadas nem encaminhadas para locais de acolhimento, permanecendo nas ruas ou em espaços que não reúnem as condições necessárias para garantir a sua segurança e bem-estar. “A prioridade neste momento deve ser que nenhuma criança fique sem proteção. Todos os menores devem ser identificados o mais rapidamente possível e transferidos para um lugar seguro, onde possam receber cuidados especializados e apoio psicossocial”, afirmou Jennifer Zuppiroli, especialista em migrações da Save the Children em Espanha.
[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS. Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]