Nas mesmas redes sociais onde milhares de jovens marroquinos (e não só) receberam as mensagens que os incentivaram a cruzar a fronteira de Ceuta a nado nos últimos dias, há agora uma nova data apontada: 15 de agosto. De acordo com as mensagens em árabe verificadas pelo El País, publicadas em cinco grupos de Facebook com quase 400 mil membros e nove grupos de WhatsApp com centenas de pessoas, uma nova entrada em massa na cidade espanhola em território africano estaria a ser programada para a próxima semana.
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Num grupo chamado “interessados em migrar do Marrocos para a Ceuta ocupada”, que tem mais de 20 mil membros, os comentários misturam-se entre incentivo e crítica. “A maioria dos jovens que estão a partilhar isso sobre o dia 15 de agosto e tentam entrar à força em Ceuta, juro que não vão chegar a lugar nenhum”, diz uma mensagem. Milhares de outros jovens debatem se a data será mesmo real ou se a possibilidade de migrar nesta altura será um golpe. “A sua vida não vale nada? Deixem o povo de Ceuta em paz. Chega! Os jovens que foram embora e os que estão desaparecidos, os seus pais estão devastados”, lê-se, noutra mensagem crítica.
Entretanto, é mesmo dentro dos grupos de WhatsApp, ligeiramente mais restritos, com dezenas de membros, que as conversas se aprofundam. Num grupo chamado “Migração para Ceuta e Melilla”, com 35 pessoas, uma pessoa escreve: “Irmãos, 15/08/2026”. Questionada pelo jornal se a data era para uma nova entrada em massa em Ceuta, a pessoa respondeu: “Sim, ou até mais do que isso”. Noutro grupo, mais conversas. “Vejo todos lá, no dia 15. Cheguem na hora”, diz uma mensagem. “Venho de Marrakech para o norte para vivenciar este dia”, assinala outra pessoa.
Mas há quem tenha dúvidas e pondere “esperar”. “Não arrisquem, as coisas ainda estão tensas. Provavelmente não irei”, assinala a mensagem, que depois continua: “Irei no final do mês, quando as coisas estiverem mais calmas.” Ao falar sobre as autoridades espanholas, que trataram de reencaminhar os migrantes de volta para o Marrocos ao longo dos últimos dias, questiona: “Será que são tão estúpidos? Da primeira vez foram apanhados de surpresa, mas agora já têm tudo planeado. Tenham paciência, esperem e aproveitem um momento de descuido”.
Acredita-se que a entrada de mais de 70 mil pessoas pela fronteira entre o Marrocos e a cidade espanhola de Ceuta no último fim de semana se deu depois das mensagens de incentivo propagadas nas redes sociais. No TikTok, circularam vídeos acompanhados de mapas que indicavam o percurso a nado entre Castillejos e Ceuta, bem como rotas em direção a Melilla, e as zonas com menor presença das autoridades. Já na cidade autónoma espanhola, muitos dos jovens registaram a chegada em vídeo e celebraram a conquista.
Para o Governo espanhol, terão sido as redes de tráfico humano a aproveitarem-se de uma recente decisão do Supremo Tribunal, “que correu como pólvora nas redes sociais, segundo a qual quem entra por mar não será repatriado” para incentivar a travessia, afirmou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, na passada sexta-feira. Contudo, o acórdão estabelece que cada situação “deve ser avaliada individualmente” e não proíbe os repatriamentos. Aliás, indica que, caso sejam colocadas medidas de contenção no mar — como a barreira flutuante instalada no dia 1 de agosto em Ceuta —, quem as ultrapassar pode ser alvo de rejeição acelerada.
De acordo com os dados do Governo de Espanha, foram cerca de 72 mil as pessoas que entraram em Ceuta de forma irregular em 24 horas na semana passada. Dessas, 70 mil já regressaram a Marrocos. 75 pessoas já morreram durante a travessia a nado.
[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS. Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]