A portuguesa Neuraspace recebeu um investimento de 15,6 milhões de euros. A empresa, criada em 2020, utiliza inteligência artificial (IA) para assegurar tarefas como vigilância de satélites e gestão de tráfego espacial. Neste momento, a Neuraspace monitoriza o funcionamento de mais de 600 satélites, incluindo os da Agência Espacial Europeia (ESA).
Além de clientes institucionais e governos, a empresa fornece serviços também a clientes comerciais. Utilizando a IA, a plataforma desenvolvida pela Neuraspace ajuda os operadores de satélites a prevenir colisões ou a aumentar a resiliência dos satélites.
https://observador.pt/especiais/neuraspace-a-startup-portuguesa-que-quer-ajudar-a-gerir-o-transito-espacial-e-ja-pensa-em-ser-um-unicornio/
Estes 15,6 milhões de euros de investimento resultam de 9,6 milhões de euros “atribuídos ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)” e de seis milhões de euros com origem no setor privado. Neste campo, a ronda foi liderada pelas capitais de risco Lince Capital, Explorer Investments e Armilar Venture Partners. Vasco Pereira Coutinho, CEO da Lince Capital, diz em comunicado que a empresa combina “excelência técnica com uma crescente tração comercial num mercado de importância estratégica cada vez maior”.
A Neuraspace explica que este montante permitirá acelerar a “expansão internacional da empresa”. Chiara Manfletti, CEO da Neuraspace, explica ao Observador que a empresa quer “reforçar-se nos EUA e nos mercados onde já está presente”, mas também avançar para o que considera ser “uma grande oportunidade na Ásia e na América Latina”. A engenheira aeroespacial, que chegou a estar à frente da Portugal Space, acrescenta que, na vertente comercial, a Neuraspace já conta “com alguns clientes na Índia”.
https://observador.pt/2020/09/04/chiara-manfletti-deixa-lideranca-da-agencia-espacial-portuguesa/
Já na área da defesa, a companhia pretende “reforçar a sua base no continente europeu e abordar os principais mercados, como a Alemanha”. “Queremos partir dos países onde já temos bases”, referindo-se aos escritórios na Alemanha e no Luxemburgo, “expandindo-nos no continente europeu”.
Passa ainda pelos objetivos da empresa “reforçar a plataforma de IA, expandir a rede própria de sensores óticos e acelerar o desenvolvimento da NeuraspaceDEF”, uma solução criada para “apoiar entidades governamentais e de defesa com serviços resilientes de vigilância espacial”.
Estes esforços de expansão da Neuraspace deverão ser acompanhados por contratações, embora Chiara Manfletti não quantifique objetivos. “Crescemos de forma orgânica. Há startups que contratam muita gente, depois passam por um ciclo e têm de despedir muita gente — não é o tipo de empresa que queremos ser”, explica. “Somos conscientes nas contratações, mas temos algumas vagas em aberto”, em funções como “vendas, um perfil sénior de dinâmicas de voo, engenheiros e gestores de produto”.
Chiara Manfletti refere que o “produto estrela” da empresa “continua a ser na área da gestão de tráfego em tempo real”. Mas, considerando as mudanças devido “à situação geopolítica”, afirma que “o Espaço é agora uma infraestrutura crítica, que precisa de mais investimento do que antes”. A Neuraspace refere que, além do risco crescente de colisão de detritos com os satélites, os operadores também enfrentam “ataques cibernéticos, interferências de radiofrequência, falsificação e bloqueio de sinais GNSS (spoofing e jamming), bem como atividades antiespaciais cada vez mais sofisticadas que exigem vigilância operacional contínua e capacidade de resposta rápida”.
https://observador.pt/2026/04/28/rivalidade-entre-eua-e-china-estende-se-ao-espaco-com-foco-em-guerra-orbital/