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(A) :: Desapareceu na Bélgica há três anos e voltou agora a Braga: a história de Kiko, o gato que uniu bombeiros de dois países

Desapareceu na Bélgica há três anos e voltou agora a Braga: a história de Kiko, o gato que uniu bombeiros de dois países

Perdeu-se em férias na Bélgica em 2023. Um atropelamento, um chip estrangeiro e um apelo viral depois, Kiko reencontrou a dona em Braga — com um vídeo que comoveu as redes.

Afonso Serras
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Esta é uma história de solidariedade. Três anos depois de ter desaparecido durante umas férias na Bélgica, Kiko, um gato de seis anos, regressou finalmente a casa, em Braga, graças ao esforço conjunto de um abrigo belga, da associação ERA-Belgium e dos Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura.

Kiko desapareceu quando acompanhava a dona em Boortmeerbeek. Sem o encontrar, Vânia teve de regressar sem o seu companheiro felino a Braga. Nunca mais houve notícias do animal, contou ao Observador fonte dos Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura.

Durante os três anos seguintes, o gato terá vivido com uma mulher que, segundo o abrigo belga Het Pootjesparadijs, “cuidou muito bem dele”. O reencontro começou, contudo, de forma inesperada: Kiko foi atropelado na mesma localidade por amigos dos voluntários do abrigo que fica no município flamengo de Zemst. Felizmente nada de mal aconteceu ao gato que encontrou na Het Pootjesparadijs uma nova casa.

Foi aí que Axelle Steenhouwer, fundadora do abrigo, descobriu que o animal tinha um microchip estrangeiro. Em declarações ao jornal belga Nieuwsblad, explicou que recorreu ao Google Tradutor para perceber a origem do registo.

“Percebi imediatamente que era um chip estrangeiro. Fizemos algumas buscas e acabámos num banco de dados português”, contou.

O contacto fornecido pela base de dados portuguesa estava, porém, desatualizado. Perante a dificuldade em localizar a mentora do Kiko, Steenhouwer decidiu lançar uma campanha nas redes sociais, publicando apelos em perfis e grupos portugueses.

Um abrigo de animais português, cuja identidade não foi divulgada, respondeu ao pedido e ajudou a localizar a dona através do número do microchip. Residente em Braga, esta ficou “incrivelmente feliz” por saber que Kiko estava vivo. Havia, no entanto, um novo problema: não tinha meios para viajar até à Bélgica para o ir buscar.

Foi então que, em julho, o Het Pootjesparadijs lançou um apelo público para encontrar alguém que pudesse transportar o gato até Portugal.

“Estamos à procura de um flamengo que vá viajar para Portugal em breve e que esteja disposto a levar o Kiko consigo. A partir de 24 de julho, os documentos de viagem do Kiko estarão em ordem e ele estará totalmente apto para partir”, escreveu Axelle Steenhouwer.

“O destino ideal é Braga, onde mora a dona dele. Mas mesmo que a pessoa viaje até ao Aeroporto do Porto, isso já seria uma grande ajuda. O Kiko prefere partir o mais rápido possível, para reencontrar rapidamente a dona e libertar uma vaga no abrigo para outro gato necessitado”, continuava a publicação.

O apelo foi circulando nos meios de comunicação belgas. E acabou por chegar à ERA-Belgium (Emergency Response Alliance Belgium), uma associação sem fins lucrativos composta por bombeiros e outros operacionais de emergência belgas que presta apoio internacional em situações de catástrofe e que este verão está a colaborar com os Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura. Em conjunto, organizaram a viagem de regresso do animal, numa operação iniciada no final de julho e concluída no passado sábado.

Depois de atravessar vários países, a equipa entregou Kiko à dona, em Braga, antes de seguir viagem para o Alto Minho. O reencontro foi muito emocionante — com um grande abraço de Kiko e Vânia que ficou gravado num vídeo partilhado nas redes sociais.

No Facebook, a ERA-BE afirmou que o reencontro “é um momento que dificilmente” esquecerá e agradeceu ao abrigo Het Pootjesparadijs, aos Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura e a todos os que ajudaram a tornar possível o regresso de Kiko. “Esta história demonstra que a cooperação e a solidariedade, mesmo para além das fronteiras, podem fazer verdadeiramente a diferença”, escreveu a associação.

Também o Het Pootjesparadijs celebrou o desfecho da história: “Aconteceu! Kiko está — finalmente — em casa. E as palavras quase nos faltam. Que aventura foi esta!” E depois agradeceu a colaboração de todos, incluindo os que fizeram doações. “Só dizer obrigado não parece suficiente, mas ainda assim: obrigado, obrigado… e mais uma vez, obrigado!”

Texto editado por Dulce Neto

[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS.  Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]