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Tekever AR3, o drone português que impressionou a Rússia e ajudou a sua fabricante a valer milhões

Já registou milhares de horas de voo na Ucrânia e é um dos produtos de elite da empresa tecnológica portuguesa que o fabrica. Exército russo intercetou um exemplar e quer estudá-lo.

António Moura dos Santos
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“Um drone de reconhecimento inimigo entrou no nosso setor. Ficámos surpreendidos porque nunca tínhamos visto nada assim antes”. Foi assim que o comandante de um batalhão antidrones russo a operar na guerra da Ucrânia reagiu perante o AR3, um dos modelos da Tekever, a empresa portuguesa que se tornou num player internacional avaliado em mais de mil milhões de euros a fornecer este tipo de equipamento.

Desde os primeiros meses de combate após a invasão russa da Ucrânia que a empresa fundada em Lisboa tem vindo a fornecer a Kiev drones para apoiar operações terrestres e marítimas. Esta segunda-feira — tanto quanto é sabido publicamente — foi a primeira vez que um dos modelos produzidos em Ponte de Sôr e Caldas da Rainha foi intercetado pelo exército russo.

“Tinha uma estrutura de cauda e asa diferente. Quando chegámos ao local do acidente, descobrimos que era um drone de reconhecimento português”, afirmou o mesmo comandante à agência noticiosa Tass. A Tekever tem fornecido ao exército ucraniano os sistemas AR3 — mais leves e manobráveis — e AR5 — mais robustos, voando a maiores altitudes.

https://observador.pt/especiais/tekever-chegou-a-unicornio-a-colocar-drones-nos-ceus/

“Aquilo que os nossos equipamentos fazem, quer em missões terrestres, quer em missões marítimas — o AR3 mais missões terrestres, o AR5 mais missões marítimas —, é proporcionar às forças ucranianas a capacidade de observar aquilo que se está a passar em grandes áreas e a grandes distâncias”, explicou o CEO da Tekever, Ricardo Mendes, ao Observador em 2025. Os dois drones permitem fazer “uma observação constante e recolher intelligence [informação], apesar da guerra eletrónica”, adiantou.

Desde que começaram a ser utilizados neste teatro de guerra, os AR3 já registaram 10 mil horas de voo em vários tipos de missões. Se estes drones têm sido grandes auxílios em missões de reconhecimento e de deteção de alvos para Kiev, toda esta utilização acumulada tem fornecido à Tekever dados cruciais para aprimorar este sistema. O resultado foi o AR3 EVO, revelado em setembro de 2025.

As informações adiantadas pela imprensa russa não permitem especificar se o modelo intercetado é um AR3 ou um AR3 EVO, sendo que as especificações técnicas do segundo ultrapassam as do primeiro em todos os parâmetros.

Com uma envergadura de 3,5 metros, um comprimento de 1,9 metros e um peso de 25 quilos, o AR3 de base tinha uma carga útil de 4 kg, podendo transportar sensores e recetores, entre outros equipamentos. Quando utilizado com descolagem e aterragem verticais, podia permanecer no ar até 8 horas e, quando lançado a partir de uma catapulta, até 16 horas, tendo uma altitude máxima de voo de 3600 metros e um alcance de comunicação de 100 quilómetros. Conseguia também atingir uma velocidade de cruzeiro a variar entre 75 e 90 km/h.

Já o AR3 EVO mantém o mesmo comprimento e peso, aumentando a envergadura das asas para 4,2 metros e passando a ter uma carga útil de 6 quilos. As suas capacidades, no entanto, foram significativamente incrementadas. Este novo modelo passou a conseguir 14 horas de voo em descolagem e aterragem verticais e 22 horas quando catapultado, mantendo a altitude máxima de voo a 3600 metros, mas sendo capaz de deslocar-se até 230 quilómetros de distância.

Perante estas capacidades, os militares russos entrevistados pela Tass admitiram que a tarefa de intercetar este modelo com os seus próprios drones Lis “foi desafiante”. “Após a deteção por radar, começou uma perseguição de quase 30 minutos. A aeronave circulava a uma altitude de cerca de 2,5 quilómetros a uma velocidade de 90-100 quilómetros por hora, impedindo-os de se aproximar. Na aproximação final, a bateria do Lis estava a ficar esgotada, mas a tripulação conseguiu, ainda assim, capturar o drone de reconhecimento português“, descreveram.

Tendo ficado pouco danificado após a interceção, o engenho foi “transferido para um instituto de investigação, onde especialistas irão estudar o seu design, especificações técnicas e soluções de engenharia”, afirmaram os militares.

Ainda antes da guerra na Ucrânia, os aparelhos da Tekever já tinham começado a ser requisitados pela Agência de Segurança Marítima Europeia para fazer vigilância marítima, parceria entretanto reforçada em 2025. Já este ano, a empresa portuguesa celebrou contratos significativos com o exército britânico e com o Estado canadiano; no primeiro caso, os drones vão integrar o sistema de defesa Corvus, ao passo que, no segundo, o seu fim será detetar incêndios florestais no Canadá.

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