Quase dois meses depois, João Almeida voltou a competir. Depois de uma primeira metade da temporada de altos e baixos — com mais momentos negativos do que positivos —, o português da UAE Team Emirates-XRG regressou à Volta à Polónia, onde se mostrou em 2021 com as primeiras vitórias no WorldTour, à procura de encontrar o seu melhor nível. O ano até começou bem, com o segundo lugar na Volta à Comunidade Valenciana atrás de Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe), mas a presença na Volta ao Algarve acabou por ser agridoce, com um vírus no sangue a ofuscar o terceiro lugar do Bota Lume em casa. A partir daí tudo mudou, com Almeida a apresentar dificuldades para treinar e a mostrar pouco ritmo competitivo nas provas por onde passou (38.º na Volta à Catalunha e não terminou o Tour Auvergne-Rhône-Alpes). Abdicou de ir ao Giro e reajustou o calendário de agosto em busca da melhor preparação para a Volta a Espanha, onde vai ser chefiado por… Tadej Pogacar.
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“Sinto-me bem. Estou pronto para correr. Esperemos que corra tudo bem e que não haja azares na Volta à Polónia. Tenho boas memórias do passado. É uma das boas corridas de preparação, com bom nível, e vai servir para ver como é que estou na realidade. Vai ser uma corrida que me vai fazer bastante bem, com esforços que também preciso de fazer. Obviamente que gostava de ganhar uma etapa e a geral, mas vamos dia a dia, sem pressão. Não é das corridas que se adequa 100% às minhas características em termos de montanha e de subidas longas e duras. Há algumas etapas duras e um contrarrelógio final que, apesar de ser curto, vai ser importante por voltar a competir num contrarrelógio, que tenho trabalhado imenso. Será uma Vuelta muito boa e na qual posso apontar aos lugares cimeiros, ao pódio. Se estiver bem é o meu lugar e onde tenho que estar”, explicou Almeida em conferência de imprensa aos meios de comunicação portugueses.
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A 83.ª edição da Volta à Polónia contou com João Almeida com o dorsal um, por conta da vitória do colega Brandon McNulty no ano passado. Com ciclistas a prepararem a Volta a Espanha e outros a afinarem a estratégia com vista às clássicas de final da temporada, com os Mundiais no horizonte, a primeira etapa chegou em estilo de maratona, já que contou com 234,2 quilómetros — mais dez neutralizados — entre Gdynia e Koszalin. O dia estava longe de ser plano, já que o percurso contava com vários sprints intermédios e metas especiais, com destaque para a subida de Góra Chełmska (1,9 km a 5,8%), a seis quilómetros da meta. Patrick Gamper (Jayco AlUla), Bart Lemmen (Visma-Lease a Bike), Simon Dalby (Uno-X Mobility), Kamil Malecki (Pinarello Q36.5) e Radoslaw Fratcazk (Polónia) foram os protagonistas da etapa, com Soudal Quick-Step e Lidl-Trek a controlarem a diferença.
Ainda assim, para o final estava reservado mais um grande duelo entre Jonathan Milan (Lidl) e Paul Magnier (Soudal), que lutaram pela camisola dos pontos da Volta a Itália até aos últimos dias, com vantagem para o francês, que venceu ainda três etapas contra uma do italiano. Agora na Polónia, Milan não teve dificuldades em superar a concorrência, encontrando espaço pela direita na reta da meta. Esta foi a primeira vitória do sprinter como campeão de Itália e a nona da temporada, permitindo-lhe igualar Tim Merlier (Soudal) como o sprinter do WorldTour com mais triunfos em 2026. Magnier foi segundo e Noah Hobbs (EF Education-EasyPost) completou o pódio.
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Quanto a João Almeida, o Emirates viveu um dia tranquilo, mostrando-se na frente do pelotão, acompanhado por três companheiros, na aproximação à subida de Góra Chełmska. Depois, na descida, descaiu no grupo, numa altura em que já estava dentro da proteção em caso de queda ou outro incidente. Jan Christen, o outro candidato da equipa do Médio Oriente, teve um dia bem mais discreto, não saindo da retaguarda do pelotão na fase decisiva.