A Tekever foi selecionada pelo Ministério da Defesa do Reino Unido para fornecer o Corvus, a nova capacidade de vigilância do exército britânico assente em drones AR5, num contrato de até 467 milhões de euros, foi divulgado esta segunda-feira.
“No âmbito do programa, o exército britânico irá utilizar o sistema AR5 da Tekever, num contrato no valor de até 400 milhões de libras [cerca de 467 milhões de euros, ao câmbio atual] ao longo dos próximos 10 anos”, refere a tecnológica portuguesa, em comunicado.
O contrato, na sua totalidade, “irá criar e apoiar centenas de postos de trabalho altamente qualificados nas instalações da Tekever no Reino Unido, reforçando o setor da defesa e da tecnologia do Reino Unido e apoiando, ao mesmo tempo, a reindustrialização da base industrial britânica“.
A Tekever foi selecionada para substituir a capacidade Watchkeeper do exército, sendo que “o AR5 oferece uma autonomia, capacidade de sensores e fiabilidade significativamente melhoradas, transportando até 50 kg de carga útil de vigilância, incluindo câmaras e sensores”.
Este sistema irá proporcionar “vigilância e reconhecimento contínuos através da recolha de informações 24 horas por dia, fornecendo dados em tempo real para apoiar a tomada de decisões na linha da frente e ajudar a proteger as forças britânicas”.
De acordo com a tecnológica, o Corvus “reflete a abordagem da Tekever no fornecimento de capacidade militar, combinando sistemas operacionais comprovados com uma evolução contínua dessa capacidade”.
O programa “assenta no papel crescente da Tekever como parceiro a longo prazo do Reino Unido e surge na sequência do investimento contínuo da empresa na produção, engenharia e apoio operacional soberano em todo o Reino Unido, através do seu programa de investimento estratégico OVERMATCH, no valor de 400 milhões de libras”.
A produção do AR5 será centralizada nas novas instalações de fabrico da Tekever em Swindon, “apoiada pela presença industrial mais ampla da empresa no Reino Unido, incluindo atividades de engenharia em Bristol e Southampton, bem como atividades de formação, ensaio e avaliação em West Wales”.
No âmbito deste programa, a tecnológica irá liderar “um consórcio de parceiros PME do Reino Unido, criando e mantendo muitos mais postos de trabalho em todo o país”.
Ainda sujeito à assinatura do contrato e às aprovações finais, “o sistema começará a entrar em serviço ainda este ano e será apoiado pela Tekever por um período inicial de, pelo menos, cinco anos, com opções de prorrogação”.
De acordo com a empresa, o AR5 “assenta na experiência operacional da Tekever na Ucrânia, onde os sistemas autónomos da empresa já acumularam mais de 50.000 horas de voo operacionais desde 2022″.
A Tekever “foi criada com base na convicção de que a vantagem operacional depende da adaptação contínua. O Corvus confirma essa visão, ao reunir experiência operacional, autonomia baseada em IA e capacidade industrial soberana num programa concebido para evoluir ao longo de toda a sua vida útil. Acreditamos que é assim que se alcançará uma vantagem operacional duradoura”, afirma o presidente executivo (CEO) da tecnológica, Ricardo Mendes, citado em comunicado.
Para Karl Brew, managing director na Tekever, o Corvus “representa uma mudança radical no fornecimento de autonomia de ponta ao exército britânico”.
Segundo o responsável, “não se trata apenas de uma plataforma, mas sim de construir e manter uma capacidade soberana que se mantenha um passo à frente” dos adversários.
“Comprovado na Ucrânia e concebido para proteger os soldados britânicos em todo o mundo, escolhemos o drone Tekever AR5, fabricado no Reino Unido, para equipar o nosso pessoal com material que o manterá à frente das ameaças emergentes. Este investimento apoiará as nossas tropas em missão, ao mesmo tempo que impulsiona a reindustrialização e apoia a inovação britânica”, conclui Wes Streeting, secretário da Defesa do Reino Unido.