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Milei acusa Pedro Sánchez de usar migrantes para obter votos

"Sánchez utiliza estes migrantes para os naturalizar e os fazer votar nele, a fim de, digamos, perpetuar a sua tirania", afirmou Milei no domingo, ao ser questionado sobre a crise migratória em Ceuta.

Agência Lusa
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O Presidente argentino, Javier Milei, acusou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de utilizar a chegada de migrantes para “os naturalizar” e, assim, obter votos e “perpetuar a tirania”.

Milei fez os comentários no domingo ao ser questionado sobre a crise migratória em Ceuta, após milhares de pessoas terem chegado de forma inédita nos últimos dias a este enclave espanhol fronteiriço com Marrocos.

A “quase totalidade” destes migrantes, que chegaram ilegalmente, foi devolvida a Marrocos, segundo Madrid, que contabiliza 72 mortos, enquanto Rabat aponta para 11.

“No caso de Espanha, [Pedro] Sánchez utiliza estes migrantes para os naturalizar e os fazer votar nele, a fim de, digamos, perpetuar a sua tirania”, declarou o Presidente argentino numa entrevista concedida ao canal de televisão LN+.

O Governo de Javier Milei publicou na quinta-feira um decreto que proíbe no futuro a entrada, ou torna passível de expulsão, aos estrangeiros hostis aos argentinos ou ao país.

Desde quinta-feira, Ceuta registou uma entrada em massa de migrantes vindos de Marrocos, que as autoridades locais estimaram em cerca de 60.000 pessoas, acima das cerca de 50.000 entradas contabilizadas pelo Governo de Madrid.

A maioria dos migrantes regressou, entretanto, voluntariamente a Marrocos, segundo o Ministério da Administração Interna espanhol.

No entanto, as forças de segurança de Espanha estimam que cerca de 73.500 pessoas, que estavam ilegalmente em Ceuta, deixaram a cidade desde quinta-feira e este número pode incluir pessoas que entraram na quinta-feira e outras que já estavam desde dias anteriores em Ceuta.

Pelo menos 72 pessoas morreram desde quinta-feira a tentar chegar a Ceuta a nado, segundo o mais recente balanço das autoridades.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, aliado de Javier Milei, e a extrema-direita europeia também usaram as imagens de Ceuta para defender a sua política anti-imigração e atacar os seus adversários de esquerda.

“Se não estivermos no poder, o nosso país será invadido a níveis que farão o que está a acontecer em Espanha parecer uma ninharia”, declarou Trump, entre outras coisas, falando de uma “invasão”.