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Antigo coronel diz que China quer ter forças armadas ao nível dos EUA até 2049

Antigo coronel defende que Pequim quer reforçar forças armadas até ao centenário do país, em 2049. Reconhece, porém, que a ausência de guerra impede o teste dos sistemas militares em condições reais.

Agência Lusa
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O influente analista militar Zhou Bo considera que a China quer ter forças armadas ao nível dos Estados Unidos até 2049, mas continua a privilegiar a reunificação pacífica com Taiwan.

Numa entrevista ao South China Morning Post, o antigo coronel do Exército de Libertação Popular e investigador do Centro para a Estratégia e Segurança Internacional da Universidade de Tsinghua defendeu que o objetivo de Pequim é construir forças armadas de “classe mundial” até ao centenário da República Popular da China, em 2049.

Segundo o analista, se o conceito de forças armadas de classe mundial admitir mais do que um país, “a China já é, provavelmente, uma delas”. Caso exista apenas uma potência militar dessa categoria, o objetivo é colocar o Exército chinês “lado a lado” com os EUA.

Zhou considerou que a meta intermédia de 2027, ano do centenário do Exército chinês, não representa a conclusão da modernização militar, uma vez que Pequim definiu 2035 como o prazo para concretizar, em termos gerais, esse processo.

“A China definiu dois grandes objetivos militares: um para o centenário do Exército de Libertação Popular, em 2027, e outro para o centenário da República Popular da China, em 2049. Entre essas duas datas, o país pretende alcançar, em termos gerais, a modernização da defesa nacional e das Forças Armadas até 2035. Isso significa que, pelos próprios critérios da China, o ELP ainda não estará plenamente modernizado em 2027”, apontou.

Questionado sobre as dúvidas manifestadas por analistas ocidentais quanto à capacidade de combate de um exército sem experiência recente em conflitos, Zhou reconheceu que a ausência de guerra impede testar os sistemas militares em condições reais, mas classificou essa situação como “o dilema da China”.

O maior dividendo da ascensão pacífica da China foi precisamente a paz“, afirmou, acrescentando que a inexistência de conflitos não deve ser interpretada como sinal de incapacidade militar.

O antigo coronel apontou os ensaios bem-sucedidos de mísseis e o desempenho de armamento chinês utilizado pelo Paquistão como demonstrações da evolução das capacidades militares do país.

Sobre Taiwan, Zhou rejeitou as interpretações de que 2027 constitua um prazo para uma eventual ação militar contra a ilha.

“O Governo chinês continua a esperar sinceramente uma reunificação pacífica”, afirmou, acrescentando que Pequim nunca estabeleceu um calendário para esse objetivo e que as previsões feitas por responsáveis militares norte-americanos têm sido contraditórias e “irresponsáveis”.

Recordou, porém, que a legislação chinesa continua a prever o recurso à força em determinadas circunstâncias, embora tenha insistido que a reunificação pacífica permanece a prioridade.

Zhou admitiu igualmente que as vendas de armamento norte-americano a Taiwan poderão tornar-se “cada vez mais difíceis”, argumentando que Pequim dispõe de instrumentos económicos, diplomáticos e militares para responder a futuras decisões de Washington.

Entre essas medidas, referiu possíveis restrições a produtos norte-americanos e o aumento da frequência dos exercícios militares em torno da ilha.

Na entrevista ao jornal de Hong Kong, o analista sustentou também que a relação entre a China e os EUA continuará a ser essencialmente competitiva, apesar do entendimento alcançado entre os Presidentes Xi Jinping e Donald Trump para promover uma relação de “estabilidade estratégica construtiva“.

Sobre inteligência artificial, Zhou afirmou que os EUA mantêm vantagem tecnológica, mas considerou que a China poderá destacar-se na aplicação em larga escala destes sistemas e defendeu a criação de regras internacionais para limitar a utilização da IA na tomada de decisões militares.

O antigo coronel mostrou ainda reservas quanto à capacidade dos EUA para reconstruírem rapidamente a indústria naval e de defesa, argumentando que Washington perdeu capacidade industrial, enquanto a China mantém uma vantagem significativa na construção naval.