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(A) :: Afinal... Não será mesmo uma invasão migratória?

Afinal... Não será mesmo uma invasão migratória?

Para quando o controlo efectivo das nossas fronteiras? Para quando centenas de embarcações e drones marítimos a patrulharem permanentemente o Mediterrâneo, interceptando os barcos dos traficantes?

Jérémy Silvares Jerónimo
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Será exagerado falar em invasão migratória? Foi com este título que publiquei, no dia 8 de Agosto de 2025, um longo artigo sobre a imigração na Europa Ocidental, mais precisamente sobre os fluxos de entrada e a percentagem de populações extra-europeias em vários países europeus. A minha conclusão, após ter contactado o Doutor André Posokhow, reconhecido especialista francês em imigração e autor de vários livros sobre o tema, era a de que ainda não podíamos falar de uma verdadeira invasão migratória. Trata-se, sem dúvida, de uma imigração massiva, mas 2 ou 3 milhões de entradas por ano na União Europeia, que conta com mais de 450 milhões de habitantes, não constituem uma invasão. Contudo, defendia que era necessário ter igualmente em conta os filhos, netos e bisnetos de imigrantes extra-europeus. Neste caso, e considerando que uma parte não negligenciável das segundas, terceiras e quartas gerações de origem extra-europeia, sobretudo muçulmanas, não se queria assimilar, o problema tornava-se muito mais sério. Países como a Suécia passaram de cerca de 1 a 2% de população não branca nas décadas de 1980 e 1990 para mais de 20% em 2024. Tudo indica igualmente que, até ao final do século XXI, países como o Reino Unido, a Bélgica, os Países Baixos ou a França poderão ter uma população branca minoritária, isto é, os povos nativos poderão tornar-se minoritários nos seus próprios países. Além disso, uma parte significativa dessas populações extra-europeias provém de países onde as culturas e as religiões dominantes favorecem a violência sistémica contra as minorias e as mulheres, bem como a pobreza, a corrupção, os conflitos comunitários e um reduzido desenvolvimento científico e tecnológico. Como não ficar preocupado?

Porque volto a falar em invasão migratória exactamente um ano depois de ter escrito o referido artigo? Porque, por ironia do destino, um ano depois de Donald Trump ter falado em invasão migratória e de eu ter escrito o meu artigo, a cidade de Ceuta foi literalmente invadida por mais de 60 mil migrantes extra-europeus, que forçaram a fronteira. Assim sendo, se no meu primeiro texto concluía que ainda não podíamos falar de uma invasão migratória, hoje escrevo este novo texto para admitir que, talvez, tenha de rever a minha posição. Afinal, como perguntava um jornalista francês no Boulevard Voltaire: “A partir de que número podemos começar a falar em invasão migratória?”. Para uma cidade com cerca de 80 mil habitantes, será que a entrada de 60 mil pessoas em apenas 24 horas não constitui uma invasão? À direita, muitos respondem que sim. À esquerda, há quem afirme que não passa de “fogo de vista”. Como se diz em França, il n’y a pas pire aveugle que celui qui ne veut pas voir. Mas, para muitos políticos de esquerda, é o povo que está enganado, que não vê a realidade. E, se a vê tal como ela é, então será porque é racista. Nessa lógica, mais vale substituí-lo por outro povo. Neste contexto, compreende-se melhor a intenção do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de regularizar cerca de um milhão de imigrantes.

Ainda nem passaram 24 horas (à data da redacção deste texto) e a invasão migratória de Ceuta já se tornou um dos temas mais comentados na imprensa ocidental, não só na Europa, mas também nos Estados Unidos. De facto, a dimensão do acontecimento foi tal que vários chefes de Estado e de Governo europeus decidiram pronunciar-se e pedir que sejam tomadas medidas. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, acaba, no momento em que escrevo estas linhas, de pedir o fim do acordo de Schengen entre a Itália e a Espanha (fonte). Portugal quer reforçar o controlo das fronteiras. O governo dinamarquês também pondera suspender o acordo de Schengen com a Espanha (fonte). A polémica chegou igualmente ao outro lado do Atlântico, com o governo norte-americano a acusar directamente o governo espanhol, e mais precisamente as políticas de regularização em massa de Pedro Sánchez, pelo sucedido. O presidente Donald Trump afirmou que não só o primeiro-ministro espanhol era culpado, como também que, cito, “as terríveis imagens” que chegam de Ceuta constituem um aviso para os americanos (fonte). O vice-presidente J. D. Vance foi no mesmo sentido, afirmando que o que aconteceu em Ceuta é consequência das políticas migratórias de líderes da esquerda radical (fonte). Vários responsáveis políticos europeus falam em “linhas vermelhas”, “limites ultrapassados” e “uma situação inaceitável” (fonte). Não admira que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, depois de inicialmente ter criticado a reacção da Itália, tenha agora adoptado uma posição diferente, afirmando que a Espanha está sob ataque e que a responsabilidade cabe aos traficantes de seres humanos. A polémica assumiu proporções demasiado grandes e, quando até o próprio governo norte-americano entra na discussão, é natural que Pedro Sánchez já não se sinta tão seguro.

Fui ler as caixas de comentários de jornais franceses, britânicos, italianos, belgas, alemães, espanhóis e até norte-americanos. A radicalização de uma parte das populações nativas ocidentais é evidente. Muitos falam já em futuras guerras civis. Mas, contrariamente à extrema-esquerda, que, perante um episódio deste tipo ou um crime e/ou atentado cometido por um extra-europeu, parece preocupar-se apenas com a reacção dos nativos, a mim preocupa-me aquilo a que acabámos de assistir: dezenas de milhares de homens em idade de combater — sem mulheres nem crianças —, agressivos, oriundos de culturas onde a mulher ocupa uma posição inferior, de culturas marcadas pela violência, que odeiam o Ocidente e a nossa religião cristã, forçaram uma fronteira e exibiam as camisolas de futebol dos seus países de origem, numa atitude que muitos interpretariam como provocatória e belicista. É isto que nos deveria preocupar. De um lado, imigrantes com uma postura agressiva, provenientes de países muitas vezes hostis ao Ocidente e de culturas antagónicas às nossas. Do outro, populações nativas ocidentais cada vez mais radicalizadas, sobretudo entre os mais jovens.

Porém, se pensam que os 60 ou 70 mil (à hora em que escrevo estas linhas) extra-europeus — homens em idade de combater, maioritariamente muçulmanos — que invadiram Ceuta representam uma invasão, tenho más notícias. Porque, se hoje falamos de dezenas de milhares, ou de centenas de milhares, ou mesmo de 2 a 3 milhões de entradas por ano na Europa, daqui a alguns anos poderemos estar a falar de dezenas de milhões. A verdadeira invasão poderá ainda nem sequer ter começado. É isso que mais nos deveria preocupar. Penso que ainda não vimos nada. O antigo eurodeputado Jean-Yves Le Gallou e o jornalista norte-americano Stephen Smith, ambos especialistas em migrações, alertam para a possibilidade de, até 2050, cerca de 100 milhões de africanos tentarem chegar “à força” à Europa (fonte). Não admira que alguns já falem num verdadeiro tsunami.

Contudo, termino este texto com uma convicção: é possível pôr fim à imigração em massa. Sim, a imigração zero é possível. Não deixem que vos convençam do contrário. Diziam exactamente a mesma coisa nos Estados Unidos. E, apesar de uma fronteira com mais de 3.000 quilómetros, a administração Trump conseguiu reduzir a imigração, legal e ilegal, para níveis historicamente baixos (fonte). A questão nunca foi saber se era possível. A verdadeira questão é se existe vontade política para o fazer. Para quando o controlo efectivo das nossas fronteiras? Para quando centenas de pequenas embarcações e drones marítimos a patrulharem permanentemente o Mediterrâneo, interceptando os barcos dos traficantes de seres humanos? Para quando o julgamento daqueles que, sob o pretexto da ajuda humanitária, colaboram com essas redes criminosas? Para quando? Devia ter sido ontem. Mas não sejamos derrotistas. A História ensina-nos que os povos acabam sempre por reagir quando sentem que a sua sobrevivência está em causa. “Tempos bons criam homens fracos. Homens fracos criam tempos difíceis. Tempos difíceis criam homens fortes. Homens fortes criam tempos bons.” Mais cedo ou mais tarde, surgirão líderes com a coragem de fazer aquilo que hoje parece impossível.