(c) 2023 am|dev

(A) :: Ministros do Interior da União Europeia vão discutir crise migratória de Ceuta a 4 de agosto

Ministros do Interior da União Europeia vão discutir crise migratória de Ceuta a 4 de agosto

Pelo menos 67 pessoas morreram na travessia até ao enclave espanhol no continente africano. Rei de Espanha diz que eventos não se podem repetir.

Mariana Carvalho
text

Os ministros do Interior da União Europeia vão reunir por videoconferência na próxima terça-feira, dia 4 de agosto, para discutir a crise migratória em Ceuta. O encontro dá-se após o pedido feito por Espanha ao Conselho da União Europeia presentemente presidido pela Irlanda, à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Desde quinta-feira, mais de 60 mil pessoas entraram em Ceuta vindas do mar e, segundo os dados recolhidos pela Guardia Civil este sábado, pelo menos 67 morreram durante a travessia rumo ao enclave espanhol no continente africano. Vários países, como Itália, Áustria, Chéquia e Finlândia, pediram o fecho do espaço Schengen ao país liderado por Pedro Sánchez por alegadas falhas na proteção das fronteiras externas.

Simultaneamente, várias nações europeias reforçaram o controlo de fronteiras, caso de França mas também em Portugal, onde as autoridades aumentaram a vigilância, especialmente marítima, na região do Algarve.

Líderes mundiais, como Donald Trump ou o ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben-Gvir, também se manifestaram, com o Presidente americano a declarar que Espanha “está a ser invadida” porque o respetivo Governo “não sabe o que está a fazer” e adotou “políticas muito liberais”. Ainda este sábado, Trump defendeu a soberania de Marrocos quanto ao Saara Ocidental.

Antes de pedir a reunião, Pedro Sánchez afirmou que as autoridades espanholas conseguiram “restabelecer plenamente o controlo da fronteira, proporcionar uma ampla assistência humanitária, devolver praticamente todos os migrantes que atravessaram de maneira ilegal e evitar qualquer deslocação não autorizada até à Europa continental”, num curto espaço de tempo.

O ministro do Interior do Governo liderado pelo PSOE, Fernando Grande-Marlaska, denunciou a atividade das “máfias que traficam seres humanos em situações de máxima vulnerabilidade”, que, na opinião do governante, deviam ser a prioridade das políticas migratórias. Em resposta às nações europeias, Marlaska enfatizou que “Ceuta não faz parte do espaço Schengen e foi instrumentalizada com fins puramente políticos”.

O rei de Espanha também se pronunciou acerca do tema este sábado. Felipe VI revelou, em comunicado, ter acompanhado “com grande preocupação e indignação” os “graves acontecimentos” dos últimos dias. Em contacto com os presidentes de Ceuta, Melilla e com o governo espanhol e o líder da oposição, o rei de Espanha referiu que “o Estado deve zelar pela segurança” das duas cidades e que deve “impedir que estes acontecimentos — que, além disso, se traduziram numa triste e trágica perda de dezenas de vidas — voltem a repetir-se”.

Países escreveram carta a líderes europeus

Depois do pedido de reunião de Espanha, várias nações europeias dirigiram uma missiva aos líderes europeus a reivindicar o mesmo. Na declaração, citada pelo El Mundo, lê-se que “esta reunião deveria permitir uma avaliação comum da situação [em Ceuta] e um acordo sobre uma resposta europeia coordenada, que inclui a rápida mobilização dos instrumentos da UE disponíveis e do apoio necessário a Espanha para restabelecer o controlo efetivo da fronteira externa da União Europeia e evitar novas travessias descontroladas”.

Entre os signatários estão a Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, República Checa, Estónia, Finlândia, Alemanha, Grécia, Hungria, Lituânia, Letónia, Malta, Holanda, Polónia, Roménia, Eslovénia, Eslováquia e Suécia. Ursula von der Leyen elogiou a iniciativa numa publicação do X, na qual destacou a importância de fortalecer o sistema migratório europeu. “Recebi cartas de vários líderes e acolho com satisfação a realização de uma videoconferência extraordinária para fazer o balanço do que aconteceu”, escreveu a presidente da Comissão Europeia.

https://twitter.com/vonderleyen/status/2083508987320803444?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2083508987320803444%7Ctwgr%5Ecc2e2f85a6abb4811db25c6b4374708f6a4f3ebe%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fobservador.pt%2Fliveblog-partial-admin%2F

O executivo italiano, liderado por Giorgia Meloni, tem sido dos mais vocais nas reações às notícias que chegam de Ceuta. Na manhã deste sábado, a primeira-ministra enviou uma carta a Bruxelas em que defendia que “a defesa das fronteiras externas da União não é do interesse de uma única nação”. “É uma responsabilidade comum da Europa”, afirmou, depois de suspender provisoriamente os acordos de livre circulação da UE com Espanha.

Oposição a Sánchez critica resposta do governo espanhol

O líder do Partido Popular (PP) espanhol — principal partido de oposição ao Governo do PSOE —, Alberto Núñez Feijóo, criticou a resposta “tardia e insuficiente” do executivo de Pedro Sánchez. Feijóo destacou a imagem “lamentável” que a crise migratória em Ceuta ofereceu de Espanha. O político comprometeu-se a devolver à nação o estatuto de “país seguro”, reforçando que “a integridade territorial do país não se negoceia, defende-se”.

Na mesma circunstância, o político admitiu que a população espanhola tem “o direito de ser informada sobre se o Governo sabia da invasão [de migrantes] e por que motivo não atuou”.

O autarca da cidade autónoma, Juan Jesús Vivas, também do PP, afirmou que o reencaminhamento dos migrantes para os locais de origem está a acontecer com “notável intensidade”. “Apesar disso, Ceuta não regressou à normalidade”, destacou o dirigente, citado pelo El País, recordando que “vários milhares de pessoas” permanecem no enclave espanhol em regime irregular.

Santiago Abascal, líder do partido de direita radical Vox, irá a Ceuta este domingo.