Estava previsto um plano na teoria, houve outra atitude na prática. No dia em que estava marcada a primeira Ação de Reciclagem e Avaliação da época 2026/2027, em Tomar, todos os árbitros decidiram “suspender” esse momento inicial da temporada e nem mesmo a chegada de Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, conseguiu mudar o cenário. Objetivo? Marcar uma posição para que Pedro Proença, líder da FPF, fizesse um pedido de desculpas público depois das afirmações que foram conhecidas através de áudios que circularam na internet onde colocava em causa a qualidade dos árbitros nacionais. Mais: a possibilidade de haver um boicote ao primeiro encontro da temporada continua ainda de pé.
https://observador.pt/2026/07/31/nao-estao-reunidas-as-condicoes-necessarias-arbitros-profissionais-falham-formacao-obrigatoria-a-um-dia-do-inicio-da-epoca/
“Os árbitros são fracos, são todos muito fracos. Tu consegues ter três ou quatro gajos minimamente competentes. O Artur [Soares Dias], o [João] Pinheiro, depois metes o tipo do Algarve [n.d.r. Nuno Almeida], e depois metes ali o [Luís] Godinho ou uma coisa qualquer assim… O resto é tudo muito fraco”, disse Proença num dos áudios conhecidos, que se referem a um momento em que era presidente da Liga e fazia campanha para as eleições da FPF, reunindo com todos os clubes nacionais para apresentar o seu projeto. “Tu não tens uma nova geração de arbitragem. E mais grave: passaram oito anos, a gente olha para esta merda e diz assim ‘mas quem é que lá vem?’. Não vem ninguém. Não vem ninguém”, referiu num outro áudio.
https://observador.pt/2026/07/28/arbitros-fracos-jose-fontelas-gomes-e-as-idas-a-pj-em-27-processos-do-benfica-o-que-dizem-os-audios-de-proenca-que-vazaram-na-internet/
Agora, não sendo propriamente o tal “pedido de desculpas público” que era pretendido, Proença mostrou uma visão diferente. Num texto que assinala o arranque oficial da época com a final da Supertaça entre o FC Porto e o Torreense este sábado em Coimbra, o líder federativo falou de uma qualidade “inquestionável”.
https://observador.pt/2026/07/29/novo-audio-de-proenca-revela-mais-criticas-aos-arbitros-nao-ha-nova-geracao-de-arbitragem-nao-vem-ninguem/
“A época começa amanhã [sábado], com a Supertaça Cândido de Oliveira. Uma temporada que se quer de exaltação do enorme talento de todos os intérpretes que fazem do nosso futebol uma das maiores marcas de Portugal no Mundo. Na véspera do dia em que daremos o pontapé de saída para 2026/2027, quero desejar as maiores felicidades a todos aqueles que, ao longo dos próximos dez meses, contribuirão, estou certo, para uma época de emoções fortes, como sempre, mas também marcada pelo respeito. Jogadores, técnicos, árbitros, dirigentes!”, começou por escrever na mensagem de “abertura” oficial da época 2026/27.
Todos juntos, imbuídos de um espírito verdadeiramente construtivo, seremos capazes de contribuir para uma temporada que deixará todos os amantes do futebol português orgulhosos.
“O presidente da Federação Portuguesa reitera a máxima confiança nos árbitros, assistentes e VAR’s portugueses, que hoje iniciam a primeira Ação de Reciclagem e Avaliação da época 2026/2027. A qualidade dos árbitros, e da arbitragem portuguesa, é inquestionável, é cada vez mais reconhecida pelas mais elevadas instâncias internacionais – como se viu com a recente prestação de João Pinheiro e restante equipa no Campeonato do Mundo – e merece todo o nosso orgulho. O desenvolvimento do Plano Nacional de Arbitragem garantirá, estou certo, que momentos como este se repetirão mais vezes no futuro próximo”, prosseguiu a comunicação de Pedro Proença, colocada esta noite no site oficial da Federação.
https://observador.pt/2026/07/29/reflexoes-que-ficaram-explanadas-no-meu-programa-eleitoral-proenca-reage-aos-audios-descontextualizados-e-vai-acionar-meios-legais/
“Com o talento, dedicação e profissionalismo demonstrados pelos árbitros e todos os restantes intérpretes, continuaremos a crescer rumo ao destino que, juntos, idealizámos para o futebol português”, concluiu o líder da Federação, sem mais alusões ao momento de tensão que se vive na arbitragem.