O rapper marroquino El Mahdi Lyoubi, conhecido por Mehdi Black Wind, foi libertado esta sexta-feira sob fiança por um tribunal de Marrocos, após um mês e meio de prisão sob acusação de “ofensa às instituições”, por causa das suas canções de protesto.
A audiência realizou-se esta sexta-feira no Tribunal de Primeira Instância de Ain Sebaa, em Casablanca, numa altura em que decorre uma greve de advogados em Marrocos, o que impediu Mehdi Black Wind de ter acesso total à acusação e à representação legal.
Cerca de 200 pessoas concentraram-se esta sexta-feira em frente ao tribunal de Casablanca para demonstrar o apoio ao artista, incluindo ativistas de direitos humanos, amigos e membros do comité de apoio ao músico, mobilizados através das redes sociais, verificou a agência Efe no local.
“Agora as pessoas estão satisfeitas e felizes por saberem que Mehdi pode ser libertado da prisão. Para nós, ele não fez mais do que expressar as suas ideias através das suas canções. Não é um criminoso, é apenas alguém que canta”, disse Hakim Sikouk, da Associação Marroquina para os Direitos Humanos (AMDH), à agência espanhola de notícias.
Sikouk acrescentou que, embora haja um sentimento de alívio com a libertação provisória, sob fiança, do rapper, a principal reivindicação continua a ser a retirada total das acusações: “Estamos aliviados com esta decisão judicial, mas pedimos que a acusação seja retirada”.
Mehdi Black Wind está a ser processado com base no artigo 179.º do Código Penal marroquino por alegadamente “ofender uma instituição constitucional”, o que prevê uma pena de prisão de seis meses a dois anos, além de multas entre os 1.800 e os 18.000 euros.
O Comité de Apoio a El Mahdi Lyoubi manifestou “profunda preocupação” com o que considera ser um novo ataque à liberdade de expressão em Marrocos, lembrando que a detenção de Lyoubi se segue a outras quatro recentes no meio artístico marroquino.
A plataforma contextualizou o caso no meio da crescente tensão social e da crise migratória no país norte-africano, sublinhando que mais de 600 pessoas continuam presas — com penas até 15 anos —, após as mobilizações do movimento “GenZ 212”, que reivindica melhorias na saúde pública e na educação desde o final de 2025.
A sessão desta sexta-feira no Tribunal de Casablanca coincide com a maior crise migratória alguma vez registada entre Espanha e Marrocos, com cerca de 50.000 pessoas a entrar nos enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla, no Norte de África.
Pelo menos 57 pessoas morreram desde quinta-feira a tentar chegar a Ceuta a nado, segundo o mais recente balanço das autoridades.
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“Estamos também a pensar nas dezenas de milhares de jovens marroquinos que, neste preciso momento, se lançam ao mar na esperança de chegar a Ceuta ou Melilla”, declarou o Comité de Apoio a El Mahdi Lyoubi.
A próxima audiência do julgamento está marcada para 2 de outubro, na esperança de que os advogados terminem a greve.
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