O Conselho da Paz revelou na íntegra o “roteiro para a Conclusão da Implementação do Plano Abrangente de Paz do Presidente Trump em Gaza”, composto por 15 pontos.
O documento aproxima-se dos 20 pontos divulgados em setembro do ano passado, com exceção da libertação dos reféns israelitas, que foi alcançada a 26 de janeiro, do envolvimento de atores regionais na reconstrução de Gaza, e do plano económico, que não é mencionado no roteiro. Nos 20 pontos, encontrava-se a criação de uma zona económica especial em Gaza e a criação de um plano económico através da convocação de um painel de especialistas.
https://twitter.com/BoardOfPeace/status/2083156702250115118
O acordo para o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados foi anunciado por Donald Trump na quinta-feira, na rede social Truth, após negociações no Cairo, mediadas pelo Egipto, Qatar e Turquia.
Os 15 pontos:
- Aceitação do plano por todas as partes envolvidas, retirada das forças israelitas da Faixa de Gaza e reconstrução do enclave para “lançar um caminho político credível que alcance a autodeterminação e a condição de Estado”.
- Desarmamento completo do Hamas e dos grupos armados a operar no enclave e a retirada completa, “sem atrasos”, das forças israelitas. Preparação dos mecanismos do roteiro no espaço de 14 dias “após todas as partes aprovarem” o documento. Assunção das responsabilidades do Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla inglesa) no enclave.
- Continuação para a fase seguinte “condicionada à conclusão verificada dos compromissos da fase anterior”.
- Transferência de todos os poderes do Hamas e de outros grupos para o novo Governo tecnocrático e assegurar a “total independência” do novo órgão.
- Proteção dos funcionários da administração pública do enclave e realização de uma “auditoria abrangente dos assuntos financeiros e administrativos em Gaza”.
- Governo de Gaza sob o princípio de “uma autoridade, uma lei, uma arma”, e a operar de acordo com as leis palestinianas, padrões internacionais e “princípios de boa governança”.
- Incorporação nos serviços policiais dos novos agentes treinados e inspeção dos atuais. “Aqueles que não cumprirem os padrões de verificação exigidos receberão ofertas de funções civis alternativas coerentes com a sua experiência anterior ou passarão à reforma de acordo com a lei palestiniana”.
- Desmantelamento de equipamentos e infraestruturas de produção de armamento “após a conclusão dos compromissos restantes” ao abrigo do Memorando de Sharm El Sheikh, de 1999, da entrada do Governo tecnocrático e do destacamento das forças multinacionais. O processo, administrado e implementado gradualmente pelo Governo tecnocrático, com participação das fações palestinianas, está “vinculado a uma retirada israelita, por fases, das áreas sob o seu controlo em Gaza e ao desmantelamento das milícias armadas”.
- Governo tecnocrático passa a ser a única entidade com o poder de licenciamento de armas pessoais, com as fações palestinianas obrigadas a cooperar no processo.
- Armazenamento das armas do Hamas e de outros grupos sob a responsabilidade do Conselho da Paz. Os membros destes movimentos armados “não serão integrados nos serviços de segurança e de polícia”.
- Assinatura de um “acordo de paz social”, que inclui “compromissos para cessar imediatamente a violência interna, evitar retaliações, exibições de força, desfiles militares e manifestações armadas”.
- Destacamento das forças multinacionais para “separar as forças israelitas das áreas controladas” pelo Governo tecnocrático, que devem monitorizar o cumprimento do cessar-fogo, a formação da polícia palestiniana e a garantia de entrega de ajuda humanitária, além de prestar apoio ao novo executivo “em qualquer outra missão não policial”.
- Retirada completa das forças israelitas, de acordo com um calendário faseado, que inclui o “compromisso de não forçar ninguém a abandonar a Faixa”.
- Gestão de “incidentes de segurança interna” sob a alçada do Governo tecnocrático.
- Reconstrução de Gaza “de acordo com um plano e calendário preparados e supervisionados” pelo Conselho da Paz e pelo novo Governo.
[Os serviços secretos portugueses enfrentam uma crise de segurança sem precedentes: existe uma toupeira infiltrada no SIS. A suspeita é de que esteja a vender segredos da NATO à Rússia de Putin. E a confirmação final vai ser feita pelas secretas norte-americanas: a CIA traz o nome de um dos espiões mais antigos do serviço. Já estreou “A Vida Dupla do Espião Traidor”, o novo Podcast Plus do Observador. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]