Era suposto sair da loja às 17h. Georgina Rodriguez era uma assistente de vendas na boutique da Gucci na Calle Serrano, em Madrid, e já se preparava para encerrar o turno, num dia quente no final de julho de 2016, quando foi avisada por um colega que estava de férias que precisaria de ficar por mais três horas à espera de um cliente. “Era uma mulher galega que vinha ver casacos. E estavam 40 graus em Madrid”, recordava a agora mulher de Cristiano Ronaldo, numa entrevista no programa de televisão espanhol El Hormiguero, em 2023. O imprevisto foi o que permitiu o primeiro encontro com o jogador que havia acabado de conquistar o Campeonato da Europa por Portugal.
Já no passeio, a sair da loja, cruzou-se com Cristiano Ronaldo, o filho mais velho, Cristiano Ronaldo Jr, e alguns amigos. “Foi muito educado. Disse-me: ‘boa tarde’. E foi mesmo uma boa tarde”, ri-se Georgina. O próprio jogador confessa, na série Eu, Georgina, da Netflix, que foi logo neste momento que se deu o “clique”. Os dois só falaram pela primeira vez dias depois, num evento de moda organizado por outra loja da região. “Foi ele a tomar a iniciativa”, assumiu Georgina. “Ele vinha buscar-me depois do trabalho. Às vezes vinha no Bugatti. Os meus companheiros ficavam loucos… Eu chegava de autocarro e saía de Bugatti”, brinca, ao recordar os primeiros dias da relação. O romance deu-se ao longo dos meses, e em novembro o casal já passeava pela Disney Paris, enquanto fugiam dos paparazzi. Os dois assumiram o namoro em janeiro de 2017, numa gala da FIFA. Esta terça-feira, uma década volvida, um pedido de noivado e vários rumores depois, o jogador anunciava nas suas redes sociais o aguardado casamento com Gio, para o início de mais uma etapa nesta união.

Infância marcada por dificuldades financeiras e a prisão do pai
Georgina Rodriguez é filha de mãe espanhola e pai argentino. Ana María Hernández, nascida em Murcia, na Espanha, conheceu o argentino Jorge Eduardo Rodríguez na cidade de Jaca. A irmã mais velha de Georgina, Ivana, nasceu em Palamós, cidade na Catalunha, mas entretanto a família mudou-se para Buenos Aires. Foi na capital argentina que a 27 de janeiro de 1994 nasceu a atual mulher de Cristiano Ronaldo.
Georgina ainda era criança quando a família regressou a Jaca. Foi na cidade espanhola que Jorge Rodríguez fez a sua carreira no futebol — começou no clube argentino Racing, de Avellaneda, e depois seguiu para equipas valencianas da terceira divisão espanhola, passando a atuar no Jacetano como jogador, e depois como técnico entre 1985 e 1986, escreve o espanhol Heraldo de Aragón. Os pais de Georgina separaram-se algures no final dos anos 1990, altura em que Jorge também deixou o futebol e, numa reviravolta, acabou por cumprir pena de prisão por dois crimes relacionados com drogas, recorda o The Sun. O pai da mulher de Cristiano Ronaldo foi sentenciado a 11 anos de prisão em 2003, por tráfico. Sob liberdade condicional, em 2008, voltou a cometer crimes e acabou por receber uma pena adicional de dois anos. Jorge Rodríguez deixou a prisão em 2013 e foi extraditado para a Argentina, onde adoeceu. O pai de Georgina Rodriguez morreu em 2019.
Já Ana María Hernández, durante este tempo, encarregou-se da criação das duas filhas. Apesar de não ser uma figura pública na vida da filha — o nome não é mencionado em nenhum dos episódios do reality show de Georgina Rodriguez na Netflix, por exemplo — a companheira de Cristiano Ronaldo terá uma relação próxima com a mãe e comprou-lhe uma casa em Girona, como recorda o El Periódico.
A infância de Georgina Rodriguez em Jaca terá sido “feliz”, apesar de a família ter enfrentado dificuldades financeiras. Até aos 16 anos, a companheira de Cristiano Ronaldo praticou ballet e chegou a admitir no passado que sonhava em ser bailarina. Entretanto, acabou por trabalhar como empregada de mesa em Huesca para ser capaz de seguir os seus sonhos em Madrid, recorda o espanhol The Objective. O seu percurso seguiu para a capital espanhola, ainda antes dos 18 anos, e depois para Inglaterra, onde foi estudar inglês e trabalhou como babysitter em Bristol. No regresso a Espanha, entrou para o mundo das boutiques de moda, mais precisamente para o coração do luxo madrilenho: a Calle Serrano. Foi da Massimo Dutti para a Gucci, onde se deu o encontro com Ronaldo, em julho de 2016.
Para Georgina, o facto de ambos terem um passado marcado pelas dificuldades financeiras torna-os mais unidos. “Hoje temos uma vida privilegiada, mas viemos de famílias humildes. Trabalhámos muito para conseguir o que temos e esse é o ensinamento que queremos transmitir aos nossos filhos”, assinalou, numa entrevista à revista italiana Grazia em 2020.
De vendedora de luxo a mãe de família
A transição para mãe de família deu-se de forma muito rápida. Quando começaram o namoro, Cristiano Ronaldo já tinha um filho de seis anos, Cristiano Jr., e esperava pela chegada dos gémeos Eva e Mateo, nascidos em junho de 2017 — todos os três bebés de barrigas de aluguer. Contudo, em meados de fevereiro, Georgina Rodriguez estava à espera da primeira filha com o jogador. Alana Martina nasceu em novembro de 2017, altura em que o casal já dividia casa em Madrid. Mãe e filha foram capa da Hola! dias depois do nascimento.
A mãe de Alana Martina passou aos poucos a aparecer na presença de todos os filhos do jogador. Em dezembro de 2017, a família mostrou-se pela primeira vez no Instagram: todos sentados no sofá, Georgina com a bebé recém-nascida ao colo, enquanto o jogador segurava Eva e o filho mais velho segurava Mateo. “Criar contigo amor e fazer contigo a vida”, escreveu a então namorada de Cristiano Ronaldo.
Quando em julho de 2018 Cristiano Ronaldo foi transferido para a Juventus, toda a família o acompanhou para Turim. Em 2021, mais uma mudança: o jogador regressou ao Manchester United e levou a companheira e os filhos para Inglaterra. Foi lá, aliás, que nasceu a segunda filha biológica do casal, Bella Esmeralda, em 2022. Georgina Rodriguez estava na verdade grávida de gémeos, mas um dos bebés morreu no parto. Atualmente, a argentina apresenta-se nas redes sociais como “mãe de seis bênçãos”, e marcou na pele a homenagem ao filho que não sobreviveu. Um ano depois, toda a família seguiu para a Arábia Saudita, após a transferência de Cristiano Ronaldo para o Al-Nassr.
“Sempre me imaginei como uma mulher feliz com o meu marido e filhos, e é isso que tenho. Filhos maravilhosos, um homem que me adora, ama-me, cuida de mim, e eu o amo, cuido dele, adoro-o, admiro-o; ele é uma pessoa muito boa e sou feliz por partilhar a minha vida com ele”, disse em 2019 numa entrevista ao programa espanhol Ya es mediodía. Cristiano Ronaldo concorda: “Cuida de mim, o que é muito importante, cuida da família, da casa, o que dá muito trabalho. Se fosse o oposto, eu não conseguiria, os homens não são capazes. E é especial para mim. Além de ser bonita e ter um corpo lindo que eu gosto, é uma pessoa que me compreende e cuida de mim e da minha família. Foi isso que procurei”, descreveu a Piers Morgan em novembro de 2025.
Paralelamente à vida em família, Georgina também assumiu a posição de parceira do jogador. Sem contabilizar as idas ao estádio, acompanhou-o em tudo: das audiências por evasão fiscal em Espanha à visita à Casa Branca. Ao seu lado, construiu também uma imagem baseada num visual extravagante e uma vida de luxo.
A companheira aderiu ao estilo “mais é mais” de Ronaldo, ao combinar brincos, colares, pulseiras e anéis de brilhantes, carteiras Birkin raras e botas Louboutin acima dos joelhos. Nas passadeiras vermelhas, aposta em vestidos com decote e abertura na perna, sempre adornada por joias milionárias. E já escolhe roupas para o jogador, como um conjunto branco com vários logos Louis Vuitton coloridos que gerou alguma polémica nas redes sociais em 2020. Foi capa da Vogue Brasil nesse mesmo ano, ganhou uma série na Netflix em 2022 e pisou a passadeira da Met Gala pela primeira vez em 2025 — o mesmo ano em que se tornou, oficialmente, noiva do homem com quem construiu família na última década.
O pedido de casamento “por acaso”
Numa entrevista a Piers Morgan três meses depois de pedir Georgina Rodriguez em casamento, Cristiano Ronaldo assumiu que o momento não foi planeado, e aconteceu, na verdade, “por acaso”. “Foi engraçado, eu sabia que faria isto um dia, mas não sabia como”, disse. “Ela pediu-me um anel, porque era o seu sonho ter uma boa pedra. Procurei muito e finalmente encontrei algo de que ela gostou. Falei com o meu amigo e pedi-lhe para guardar, que o ia oferecer após o jantar”, conta Cristiano Ronaldo, que a essa altura não planeava fazer um pedido de casamento.

“Pensei sobre isso depois sozinho, e vi que o meu amigo começou a filmar, que é algo que nunca fez mesmo depois de 10 anos de amizade. Já passava da uma da manhã, as minhas duas filhas, Alana e Eva, estavam a dormir na cama. O meu amigo deu-me o anel para oferecer à Gio. Quando estava a dar-lhe o anel, as minhas filhas aproximam-se e dizem: ‘Papá, vais dar o anel à mamã e vais pedi-la em casamento?’ Então pensei: ‘uau, é o momento certo para dizer que sim’. Então disse que sim, era o momento e a Gio não acreditou”. Cristiano terá dito algumas palavras “simples” para Georgina Rodriguez, que ficaram gravadas. “Sabia que o faria um dia. E foi o momento, quando as minhas filhas apareceram”, justifica. “Eu sabia que ela era a mulher da minha vida”, disse ainda o jogador, que assume não ser romântico. “Uma coisa de que gostei foi que ela não ligou ao anel, olhou para mim e quis saber se o pedido era mesmo verdade.”