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A nado e apenas com as roupas do corpo: as imagens de Ceuta

"Viva Espanha!”; “Muchas gracias”; “I love you”. Milhares de migrantes saem da água com bóias, pranchas e braçadeiras. O Observador está a testemunhar a crise migratória em Ceuta.

João Porfírio
photography
Inês André Figueiredo
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Siga aqui o liveblog sobre a crise migratória em Ceuta

As ruas de Ceuta estão cheias de migrantes que chegaram de Marrocos nas últimas horas e que entraram pelo chamado “espigão fronteiriço” entre Espanha e Marrocos. As imagens são avassaladoras.

O Observador chegou a Ceuta através de um ferry, que fez a ligação entre Algeciras e a cidade fronteiriça, e o cenário é impressionante. Num caminho de 15 minutos de carro entre o porto e o espigão veem-se milhares de pessoas pelas ruas, muitas delas a deambular, sem rumo.

Apenas com a roupa que têm no corpo, muitos descalços, outros de chinelos. São quase todos homens. E alguns estão feridos. Uns estão a dormir em bancos, outros encostados a muros. Não há passeios vazios.

https://observador.pt/liveblogs/crise-migratoria-em-ceuta-milhares-de-pessoas-entram-em-espanha-a-nado-de-marrocos-pedro-sanchez-visita-regiao/

Na Playa de El Tarajal, por onde estão a entrar, reza-se à chegada. Agradece-se a Espanha: “Viva Espanha!”; “Muchas gracias”; “I love you”. Saem da água com boias, pranchas e braçadeiras. Uns choram, muitos trazem sorrisos estampados no rosto.

São rapidamente convidados a regressar por terra pelo exército espanhol. Muitos não voltam.

No ponto fronteiriço entre Marrocos e Espanha por onde está a entrar a esmagadora maioria dos migrantes encontram-se dezenas de tanques do exército espanhol e elementos da Guardia Nacional a ajudar quem sai da água. E a reencaminhar estas pessoas.

Ao Observador, um dos membros do exército que está no local explicou que quem chega através do mar é imediatamente encaminhado para uma passagem por terra para que possa regressar a Marrocos. “Não vão todos, mas alguns aceitam. Aqui não há solução para eles”, diz.

À pequena praia chegam marroquinos que não falam inglês nem espanhol e entre os membros do exército que estão no local há pelo menos um que fala árabe e a quem recorrem para explicar a situação — e para tentar que regressem ao país.

Só nas últimas 24 horas, de acordo com estimativas do governo espanhol, entraram cerca de 49 mil migrantes em Ceuta, vindos a nado de Marrocos, numa das maiores crises migratórias da história recente em Espanha.

O “colapso”, como lhe chamou o jornal El País, da fronteira, uma das fronteiras externas da União Europeia mais pressionadas pela migração, estará relacionado com uma recente sentença do Supremo Tribunal de Espanha, que determinou que os migrantes que chegam a Espanha ilegalmente por via marítima não podem ser devolvidos imediatamente às autoridades de outro Estado.

Esta decisão terá criado um “efeito chamada” que atraiu, sobretudo, jovens rapazes marroquinos em busca de trabalho em Espanha.

Esta manhã, continuavam a entrar centenas de migrantes em Espanha, como pôde testemunhar o Observador no local.

[Os serviços secretos portugueses enfrentam uma crise de segurança sem precedentes: existe uma toupeira infiltrada no SIS. A suspeita é de que esteja a vender segredos da NATO à Rússia de Putin. E a confirmação final vai ser feita pelas secretas norte-americanas: a CIA traz o nome de um dos espiões mais antigos do serviço. Já estreou “A Vida Dupla do Espião Traidor”, o novo Podcast Plus do Observador. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]