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Caixa lucrou 913 milhões de euros só nos primeiros seis meses do ano, mais 2,2%

A Caixa Geral de Depósitos teve lucros de 913 milhões de euros no primeiro semestre, mais 2,2% que em igual período do ano passado.

Alexandra Machado
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A Caixa Geral de Depósitos lucrou 913 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, um aumento de 2,2% face ao período homólogo, anunciou o banco público. Em 2025 no primeiro semestre os lucros tinham sido de 893 milhões de euros.

“Temos um semestre profícuo e intenso para a Caixa e para o setor financeiro no geral”, declarou Paulo Macedo, em conferência de imprensa — a última que deverá ter decorrido no edifício sede que agora alberga o Governo — dizendo que teve o maior crescimento de sempre no volume de negócios, com uma subida de 11,5 mil milhões, 7 mil milhões em Portugal. O volume de negócios consolidado atingiu 180 mil milhões de euros, sendo 162 mil milhões em Portugal.

A margem financeira caiu 3%, para 1.241 milhões de euros, mas as receitas conseguidas com as comissões aumentaram 6% para 308 milhões, salientando o banco público que isso se deve a uma questão comercial, uma vez que não mexe no preçário há quatro anos. Paulo Macedo assume que “não é uma prioridade para a Caixa atuar nesta vertente [subir comissões], mas sempre dissemos que não temos nenhum tabu. Achamos que é correto não mexer nas comissões”.

O aumento no crédito foi de 3,6 mil milhões e nos recursos de 3,4 mil milhões. Os recursos totais atingiram 107 mil milhões de euros. A carteira de crédito em Portugal totaliza, no final de junho, 55 mil milhões de euros. O crédito à habitação está com uma carteira de 30.230 milhões de euros.

A Caixa espera um impacto de 10% no crédito à habitação com as novas medidas macroprudenciais que entram em vigor a 1 de agosto. “Terá sempre um impacto mas não é isso que põe em causa objetivos de crescimento do crédito. Aceitamos as medidas macroprudenciais e portanto percebemo-las”, mas não deixou de afirmar que a União Europeia indicou, no entanto, que os bancos têm de correr mais riscos. “Nós na CGD aceitamos, compreendemos a medida e vamos pô-la em prática”.

Paulo Macedo assume que não está satisfeito com o rácio de transformação (depósitos convertidos em crédito) da Caixa, em cerca de 68%, apesar do crescimento. “Há vários trimestres que dizemos que não estamos satisfeitos. Queremos conceder mais crédito. Não estamos satisfeitos. Queremos mais, mas não o faremos de qualquer maneira”.

“Não estamos satisfeitos, vamos prosseguir para aumentar crédito”, mas realça: “As empresas não querem investir, questionam se a rentabilidade dos projetos lhes vai compensar o risco. São seletivas nos investimentos que existem”, realça Paulo Macedo, assumindo: “Vamos dar mais crédito. Temos a ambição de crescer mais”.

https://observador.pt/2026/07/29/lucros-do-bcp-sobem-127-para-5658-milhoes-de-euros/#:~:text=Lucros%20do%20BCP%20sobem%2012,8%20milh%C3%B5es%20de%20euros%20%E2%80%93%20Observador

A Caixa também beneficiou da reversão de imparidades. Enquanto o BCP realçou o ambiente desafiador que leva a uma prudência, a Caixa fala de um ambiente adverso internacionalmente mas a situação das empresas em Portugal não está mal e recorda até os números do crescimento económico em Portugal no segundo trimestre do ano.

https://observador.pt/2026/07/30/economia-portuguesa-cresceu-08-no-segundo-trimestre-em-cima-de-subida-de-01-no-primeiro-crescimento-homologo-foi-de-25/

Além disso, o endividamento em Portugal baixou muito e o malparado está a níveis historicamente baixos. “Não é só um banco que está com baixo nível de crédito malparado. Apesar de em termos internacionais a conjuntura ser adversa, o comportamento das empresas portuguesas e das bolsas faz com que o ambiente seja consideravelmente melhor do que aquele que tivemos no passado” para o modelo de imparidades.

Paulo Macedo recusa ter feito um registo de imparidades acima do necessário e que está agora a ser revertido. “A Caixa constituiu um conjunto de imparidades significativas na sequência da Covid e na sequência da conjuntura internacional. Na altura também constituiu imparidades por várias empresas em processo de restruturação, várias dessas estão bastante melhores do que há uns anos”. Isto justifica algumas reversões, ainda que a Caixa saliente que as imparidades não são logo refeitas quando a empresa melhora, tem de passar por um período de cura.

A Caixa deverá reverter algum valor de imparidades registadas pelo banco no Brasil que esta quinta-feira teve luz verde do Conselho de Ministros para a escolha da MD Capital como vencedora para a aquisição da totalidade do capital social do Banco Caixa Geral – Brasil, tal como avançado pelo Público, por um valor não divulgado. Ainda falta a sua conclusão.

Caixa já entregou de dividendos mais do que a capitalização

Em 2026 a Caixa já entregou ao Estado 1,33 mil milhões de euros em dividendos e IRC, prevendo-se que no final do ano esse valor corresponda a 1,66 mil milhões, depois de ter pago 1,78 mil milhões em 2025 e 1,66 mil milhões em 2024, salientou Paulo Macedo, falando em estabilização em alta das entregas ao Estado. “Até agora o fluxo tinha continuado negativo, a primeira vez que é positivo, compensando todos os aumentos de capital que o Estado fez”.

Paulo Macedo especificou que desde a capitalização a geração orgânica de capital foi de 8,8 mil milhões de euros, dos quais 4,2 mil milhões retidos no banco e 4,6 mil milhões pagos em dividendos, ou seja, mais do dobro do valor da capitalização pública, salienta o presidente executivo da Caixa. O banco teve uma capitalização de 3,9 mil milhões.

Também esta quinta-feira, a Caixa anunciou um aumento de capital por incorporação de reservas de 1,47 mil milhões — 1.396.727.989 euros provenientes da reserva legal e 77.557.516 euros provenientes de reservas de reavaliação legal de imobilizado.

Menos impostos pagos pela Caixa que espera que todos os bancos fiquem no mesmo pé de igualdade depois da inconstitucionalidade da contribuição para o Fundo de Resolução

O aumento dos lucros deve-se também à diminuição das imparidades e ao volume menor de impostos pagos, por via da redução da taxa de IRC mas também por efeito de uma correção em Moçambique.

A Caixa assume que não entrou com qualquer processo em tribunal a contestar a contribuição adicional paga ao Fundo de Resolução, mas tendo sido considerada inconstitucional Paulo Macedo espera que todos os bancos sejam tratados da mesma forma. Desde 2013 a Caixa pagou 140 milhões para o Fundo de Resolução, tendo sido de 34 milhões os pagamentos dos últimos quatro anos. “Respeitamos as decisões dos tribunais. Se for inconstitucional a Caixa tomará as suas ações, mas estamos a analisar”, realçou Paulo Macedo, acrescentando ainda que não tendo qualquer processo em tribunal espera que “não haja qualquer desigualdade a conceder entre bancos, isso seria haver injustiça”, pelo que espera que “as entidades ficarão em pé de igualdade”. A inconstitucionalidade foi decretada num processo que o BCP venceu, e que ainda não é de aplicação geral.

https://observador.pt/2026/07/23/contribuicoes-adicionais-da-banca-para-o-fundo-de-resolucao-consideradas-inconstitucionais/

A Caixa não deixará de fazer o seu dever fiduciário. “Se não é constitucional caberá à Caixa submeter, não ficará isolada, ou não se porá de fora. Não tomou a iniciativa. Agora, obviamente a Caixa terá de ver como não defraudar o seu dever fiduciário”. Fará o que estiver dentro do enquadramento da lei. “Não é uma entidade à parte”.

Quanto ao adicional de solidariedade sobre a banca que também foi considerado inconstitucional, e que o Estado devolveu, não houve conversas para haver nova contribuição. Mas Paulo Macedo acrescenta: “não será o Ministério das Finanças que virá falar com a Caixa com o que vai receber da Caixa”.

Esta terá sido a última conferência de imprensa no edifício sede. A próxima já deverá decorrer no Parque das Nações, salientou António Valente, administrador financeiro da Caixa. “Teria sido mais cómodo em 2022/23 continuarmos neste edifício, mas um banco que se quer líder de mercado e quer transformar os desafios tem de saber viver com o desconforto que a mudança provoca. A nova sede é construída para ser confortável, tem boas condições e uma nova forma de trabalho, mais colaborativa e inovadora. Mais próxima do que o mercado exige da Caixa. Fazemos isto tendo presente os valores da Caixa, de rigor, solidez e a forma de servir o país”.