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Ex-vice do PSD vê margem para Luís Neves continuar como ministro, apesar de ter colocado autoridade política "em xeque"

André Coelho Lima diz que Neves tem condições para continuar, embora admita que conferência de imprensa fragilizou a sua imagem. Chega discorda e PS diz que ministro é vítima do padrão de Montenegro.

Manuel Nobre Monteiro
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O antigo vice-presidente do PSD André Coelho Lima considera que Luís Neves reúne as condições políticas para continuar no cargo de ministro da Administração Interna, apesar de admitir que as explicações dadas pelo governante sobre os casos que o envolvem deixaram a sua autoridade política “relativamente em xeque”. No programa Explicador da Rádio Observador, o social-democrata defendeu que a conferência de imprensa desta quarta-feira serviu para esclarecer os factos, enquanto o PS criticou a estratégia seguida pelo Governo e o Chega insistiu que as explicações foram insuficientes e que Neves nunca deveria ter sido nomeado.

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André Coelho Lima afirmou que a maior falha do Governo foi ter demorado tanto tempo a permitir que Luís Neves prestasse esclarecimentos públicos. Na sua perspetiva, esse atraso apenas alimentou especulações que poderiam ter sido evitadas. Ainda assim, sustentou que a conferência de imprensa cumpriu o objetivo de clarificar os factos: “No ponto de vista da clarificação política, tudo ficou claro. O ministro prometeu dar todas as respostas e deu todas as respostas. Gostássemos delas ou não”.

O antigo deputado do PSD fez, contudo, uma distinção entre a clarificação dos factos e a autoridade política do ministro. Defendeu que as explicações revelaram comportamentos marcados por “grande informalidade” que não são compatíveis com as funções exercidas por um antigo diretor nacional da Polícia Judiciária e atual ministro da Administração Interna. “Aquilo que ontem revelou, com toda a franqueza e frontalidade, põe relativamente em xeque a sua autoridade política”, afirmou.

Apesar dessa “fragilidade”, Coelho Lima considera que Luís Neves mantém margem para continuar no cargo, argumentando que, depois dos esclarecimentos, o debate passou a assentar em factos concretos e deixou de depender de especulações. “Vejo margem para se poder manter”, disse, acrescentando que também os partidos deixaram de exigir a demissão do ministro, limitando-se a questionar a sua autoridade política.

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Já Teresa Nogueira Pinto, do Chega, fez uma leitura oposta da conferência de imprensa. A deputada considerou que as explicações foram “manifestamente insuficientes“. Entre os aspetos mais graves, destacou a admissão de que foram armazenados bens apreendidos considerados perigosos nas instalações de um amigo por falta de verbas, contrariando, segundo afirmou no Explicador, uma decisão judicial.

A deputada criticou ainda a explicação dada por Luís Neves sobre um pagamento superior a cinco mil euros em numerário e sobre a transformação de um tanque numa piscina, concluindo que o ministro “ou desconhece a lei, sendo ministro e tendo sido polícia, o que é grave, ou acha que está acima dela, o que parece ainda mais grave”.

Para Nogueira Pinto, Luís Neves não dispõe de condições políticas para continuar no Governo. A ministra sombra do Chega defendeu que nunca deveria ter sido escolhido para a pasta da Administração Interna, por ter transitado diretamente da direção nacional da Polícia Judiciária para o Executivo. “Isto está manchado desde o início. Acho que nós não podemos ter um ministro da Administração Interna tão fragilizado e que está também a fragilizar a cada dia que passa o Governo”, realçou.

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Questionada sobre a intenção do Chega de avançar com uma comissão parlamentar de inquérito, Teresa Nogueira Pinto apenas defendeu que persistem dúvidas suficientes para justificar um maior escrutínio político, alertando para o risco de os cidadãos perderem confiança nas instituições se entenderem que a lei não é aplicada da mesma forma a todos.

Do lado do PS, Eduardo Cabrita rejeitou que a passagem de Luís Neves da Polícia Judiciária para o Governo constitua, por si só, um erro. O antigo ministro da Administração Interna considerou que Neves foi “um bom diretor nacional da Polícia Judiciária”, mas acusou o Executivo de ter gerido mal o caso, procurando adiar os esclarecimentos públicos. Para o socialista, as explicações deveriam ter sido prestadas na Assembleia da República e não apenas numa conferência de imprensa.

“Relativamente à conferência de imprensa de ontem [quarta-feira], acho que Luís Neves é vítima, de algum modo, daquilo que é o padrão Luís Montenegro de degradação da ética política e de degradação da forma de prestação de contas que o primeiro-ministro seguiu”, explicou. Ainda assim, Cabrita reconheceu que Neves assumiu integralmente a responsabilidade pelas decisões que tomou e defendeu que a eventual apreciação da legalidade dessas decisões compete ao Ministério Público e não ao escrutínio político dos partidos.

Sobre a continuidade do ministro na tutula da Administração Interna, Eduardo Cabrita afirmou que essa avaliação cabe exclusivamente ao primeiro-ministro. Considerou, porém, que a autoridade política de Luís Neves ficou inevitavelmente afetada, sublinhando tratar-se de uma área de soberania onde a credibilidade do titular da pasta assume particular importância.