O marido de Marie B., a mulher suspeita de estar envolvida na morte de cinco bebés em Orange, no sul de França, foi detido na quarta-feira pelas autoridades para interrogatório. Embora, para já, não seja considerado suspeito no caso, foi o homem quem descobriu, numa caixa de cartão debaixo da cama do casal, um dos cinco corpos, encontrados com o cordão umbilical ainda enrolado no pescoço. “Perturbado pela descoberta”, alertou o hospital de Orange, que, por sua vez, comunicou o caso ao Ministério Público, avançou o Le Parisien.
No domingo, segundo o jornal francês, Marie B. — também detida na quarta-feira — deu à luz sozinha no apartamento onde vivia com o marido e os dois filhos, de 8 e 12 anos, após ter-se queixado de dores abdominais horas antes. No momento do parto, o marido encontrava-se fora de casa com os dois filhos do casal, adiantou uma fonte próxima da investigação. Quando regressou, terá encontrado o recém-nascido na sala de estar.
Quando interrogado pela polícia, o homem garantiu que desconhecia por completo as gravidezes de Marie. Ainda assim, o episódio levou-o a reconsiderar acontecimentos passados. De acordo com relatos recolhidos pelas autoridades, a mulher só terá descoberto a gravidez do filho mais velho quatro meses antes do parto e terá igualmente ocultado os sinais da segunda gestação até ao momento em que deu à luz, também em casa.
Uma caixa de cartão escondida debaixo da cama do casal levou o homem a aprofundar as suspeitas que já vinha alimentando. O marido de Marie B. afirmou que a mulher o impedia de abrir ou ver o seu conteúdo há vários anos e, após sucessivas discussões sobre o assunto, decidiu finalmente abri-la — enquanto Marie permanecia internada no hospital na sequência do mais recente parto. No interior, encontrou o que descreveu como “pequenos ossos dentro de um saco de plástico”. Perante a descoberta, limpou os restos mortais, fotografou-os e contactou o hospital. A investigação que se seguiu levou as autoridades a encontrarem outros quatro corpos noutras caixas, um dos quais estava guardado num saco selado a vácuo.
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Nos depoimentos prestados às autoridades, o homem referiu apenas as frequentes oscilações de peso da mulher. Segundo relatou, Marie B. alternava períodos em que ganhava peso com outros em que o perdia rapidamente, num padrão que se repetia há vários anos. Na altura, porém, nunca interpretou essas alterações como um possível sinal de gravidez.
O mesmo terá acontecido com a avó do marido de Marie B. e com os vizinhos do casal, que afirmaram nunca ter suspeitado de qualquer gravidez. Várias testemunhas relataram, aliás, ter visto Marie B. a correr e a saltar na semana passada, sem aparentar ter qualquer tipo de limitação física.
“Ele não teve absolutamente nada a ver com isto, foi ele quem iniciou a investigação. Fez a primeira descoberta. E depois a polícia encontrou as outras caixas. Podem imaginar… Ele também está em choque”, explicou o irmão do marido de Marie B., em declarações ao Le Parisien.
“Deve haver algo dentro dela… Algo que nos escapa. É como se uma bomba nos tivesse caído em cima da cabeça”
Já sob custódia policial, Marie B. negou ter matado qualquer dos bebés, afirmando, segundo o Le Parisien, que todos já nasceram sem vida. Embora tenha prestado poucas explicações aos investigadores, a mulher alegou que tomava a pílula e disse que os partos ocorreram entre 2008 e 2014, após o nascimento do seu segundo filho.
Vários familiares e amigos próximos disseram ter ficado em choque com a notícia, que poderá ser um caso de neonaticídio, alegadamente precedido por episódios de negação da gravidez. “Ela passou por uma negação da gravidez, mas não é a única. É um fenómeno mais comum do que as pessoas imaginam”, afirmou a avó do marido de Marie B. ao jornal. “Deve haver algo dentro dela… algo que nos escapa. É como se uma bomba nos tivesse caído em cima da cabeça”.
Entretanto, o Ministério Público de Carpentras anunciou a transferência do processo para o Ministério Público de Avignon e a abertura de uma investigação por suspeita de “homicídio de menor de 15 anos”, relatou o Le Figaro.
Os outros dois filhos do casal, com 8 e 12 anos, foram entregues aos cuidados de familiares. Quanto ao recém-nascido, que nasceu no domingo, o tribunal determinou o seu acolhimento temporário no hospital até que a situação seja analisada por um juiz de menores, que decidirá as medidas de proteção a aplicar.
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