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População de tigres continua a crescer no Nepal e atingiu os 429 indivíduos

Autoridades do Nepal revelam que os esforços para proteger a espécie estão a produzir resultados, com a população de tigres a alcançar os 429 indivíduos, um crescimento de quase 21% face a 2022.

Agência Lusa
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A população de tigres no Nepal continua a aumentar, atingindo agora os 429 indivíduos, anunciaram na quarta-feira as autoridades do país himalaico, com os esforços para preservar o felino ao longo dos anos a darem frutos.

De acordo com um censo, a população de tigres atingiu os 429 indivíduos, em comparação com os 355 de 2022, representando um aumento de quase 21%.

Isto faz do Nepal um caso de sucesso na conservação desta espécie, cujos números diminuíram drasticamente em grande parte da Ásia.

“Os dados analisados mostram que a população de tigres aumentou 5% por ano, e estamos muito satisfeitos com esta tendência de aumento”, realçou à agência France-Presse (AFP) Bed Kumar Dhakal, porta-voz do Departamento de Parques Nacionais e Conservação da Vida Selvagem do Nepal.

Este estudo, realizado entre dezembro e julho, abrangeu mais de 7.300 quilómetros quadrados de planícies no sul do Nepal, o lar destes predadores.

As autoridades nepalesas de vida selvagem instalaram mais de 3.600 câmaras com sensor de movimento em cinco áreas protegidas.

Os especialistas analisaram milhares de imagens para identificar cada tigre com base nos padrões únicos das suas riscas.

A desflorestação, a invasão humana no seu habitat natural e a caça furtiva dizimaram as populações de tigres na Ásia.

“Se o número de tigres está a aumentar, é porque conseguimos preservar o seu habitat”, lembrou Hari Bhadra Acharya, do Departamento de Conservação do Nepal.

Em 2010, o Nepal e outros 12 países com populações de tigres selvagens assinaram um acordo para duplicar o seu número até 2022.

A nação dos Himalaias foi a primeira a atingir esta meta, aumentando a sua população de tigres para 355 em 2022, face a aproximadamente 121 em 2009.

No entanto, este sucesso teve um preço para os residentes que vivem perto dos habitats dos tigres.

Segundo dados do Governo, pelo menos 38 pessoas morreram em ataques de tigres entre 2019 e 2023.

“As comunidades locais desempenharam um papel crucial no aumento da população de tigres, mas nem o governo nem as organizações intervêm quando esses mesmos tigres atacam estas comunidades”, lamentou Nischal Neupane, defensor das vítimas de ataques de tigres no distrito de Bardiya.

Localizada no oeste do país, a região alberga 112 tigres, em comparação com apenas 18 em 2009.

Ghana Shyam Gurung, representante nacional da organização não-governamental WWF no Nepal, realçou que este progresso na conservação deve ser acompanhado por esforços para garantir que “as pessoas e os animais selvagens possam coexistir”.

“Ao investir em programas de coexistência eficazes, o Nepal pode continuar a oferecer um modelo inspirador para outros países dentro da área de distribuição do tigre”, garantiu Gurung.

Os esforços de proteção empreendidos nos últimos anos pelas autoridades deste país de 30 milhões de habitantes beneficiaram também os rinocerontes, cujo número aumentou de cerca de 100 na década de 1960 para 752 em 2021, e os leopardos-das-neves, dos quais quase 400 foram contabilizados em abril.

No início do século XX, o planeta albergava mais de 100.000 tigres selvagens. Em 2010, restavam apenas cerca de 3.200, e a espécie estava ameaçada de extinção.

Após um século de declínio, as populações globais de tigres selvagens começam a recuperar, segundo a WWF, com números estáveis ou crescentes na Índia, Nepal, Butão, Rússia e China.