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Juiz ordena investigação a contas bancárias de Zapatero, filhas e sócio por suspeitas de corrupção

Antigo primeiro-ministro espanhol foi implicado em caso de suspeitas de corrupção e tráfico de influências. Em causa está resgate concedido a companhia aérea após a pandemia.

Mariana Lima Cunha
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A polícia espanhola está agora oficialmente autorizada a investigar cerca de 60 contas bancárias pertencentes ao antigo primeiro-ministro José Luis Zapatero e a várias pessoas com quem tem relações familiares e profissionais, incluindo as suas filhas, num caso motivado por suspeitas de corrupção.

O juiz do chamado caso Plus Ultra, José Luis Calama, deu esta quarta-feira autorização à Unidade de Delinquência Económica e Fiscal da polícia espanhola para investigar estas contas bancárias, incluindo as de Zapatero mas também as das filhas Alba e Laura; a secretária, Getrudis Alcázar; o sócio, Julio Martínez; e várias sociedades que estão a ser investigadas.

Segundo a Antena 3, o juiz ordenou que sejam recuperados e investigados os movimentos bancários realizados desde 1 de janeiro de 2020 para cruzar operações que interessam à investigação e que, representando transferências de centenas de milhares de euros, estão a ser encaradas como possíveis indícios de um esquema de tráfico de influências.

Segundo a tese da investigação, os pagamentos poderiam estar a chegar diretamente a Zapatero e às suas filhas ou, por outra, a ser enviados através do sócio, Julio Martínez. Mas os inspetores acreditam que o antigo primeiro-ministro seria o “beneficiário principal” dessas transferências e Martínez atuaria como um interlocutor de confiança.

O caso Plus Ultra tem a ver com alegadas irregularidades no resgate concedido após a pandemia à companhia aérea com o mesmo nome, no valor de 53 mlhões de euros, e de esclarecer se houve um tráfico de influências associado à concessão dessa ajuda do Estado.

Como o El País explica, Zapatero é suspeito de tráfico de influências e crimes que estão relacionados, incluindo a alegada de lavagem de dinheiro “opaco” e proveniente da Venezuela que estará incluído nesses 53 milhões de euros. É a primeira vez que um antigo primeiro-ministro espanhol está a ser investigado por corrupção na democracia espanhola.

O juiz considerou que Zapatero poderá ter agido como líder de uma “estrutura estável e hierarquizada de tráfico de influências” cujo objetivo seria a “obtenção de benefícios económicos através da intermediação e uso de influências em instâncias públicas a favor de terceiros, principalmente da Plus Ultra”. Zapatero veio garantir que colaborará com a investigação e que está a ser acusado de crimes “gravíssimos” que não cometeu.

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