Há mais um áudio do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, a circular e a gerar polémica, com novas e duras críticas aos árbitros. Desta vez, e depois de já se ter referido a quase todos os árbitros portugueses como “muito fracos” numa gravação anterior, Proença critica a nova geração de profissionais e a gestão do antigo Conselho de Arbitragem.
No áudio de dez segundos publicado pela página que tem sido responsável pela divulgação dos áudios na rede social X, ouve-se Pedro Proença a lançar críticas, voltando ao mesmo tema: “Tu não tens uma nova geração de arbitragem. E mais grave: passaram oito anos, a gente olha para esta merda e diz assim ‘mas quem é que lá vem?’. Não vem ninguém. Não vem ninguém”.
https://twitter.com/McQueenInfos/status/2082571976506315192
A referência aos “oito anos” que passaram é assim entendida como uma acusação implícita ao antigo presidente do Conselho de Arbitragem, José Fontelas Gomes, que é hoje o primeiro vice-presidente de Proença na direção da FPF.
Nos primeiros áudios divulgados nas redes sociais, que datam de há dois anos — altura em que Proença estava a reunir-se com os clubes e entidades do universo futebolístico, em campanha para a liderança da federação –, o antigo árbitro também fazia comentários pouco abonatórios sobre Fontelas.
“Aquilo é um produto do Pedro [Proença]. A determinada altura, o [Tiago] Craveiro obrigou a que o gajo fingisse alguma guerra comigo. O Zé [Fontelas Gomes], é o que é. Não estejas à espera do Zé [Fontelas Gomes]… Um gajo competentíssimo como eu, porque o Zé [Fontelas Gomes] tem o 12.º ano, pá, é um gajo que nasceu no bairro da lata, pensa só no futebol”, dizia Proença.
Quanto aos árbitros portugueses, que depois da divulgação das gravações recusaram reunir-se, esta quarta-feira, com Proença, deixava críticas duras: “Os árbitros são fracos, são todos muito fracos. Tu consegues ter três ou quatro gajos minimamente competentes. O Artur [Soares Dias], o [João] Pinheiro, depois metes o tipo do Algarve [n.d.r. Nuno Almeida], e depois metes ali o [Luís] Godinho ou uma coisa qualquer assim… O resto é tudo muito fraco”.
Esta quarta-feira Proença pronunciou-se pela primeira vez sobre o caso, num comunicado publicado no Instagram em que dizia ter sentido relutância em comentar áudios que foram “obtidos e divulgados de forma ilegal e imoral” e que apresentam excertos de conversas “privadas, informais, truncadas, meticulosamente selecionadas, distorcidas, incompletas e descontextualizadas”.
Apesar disso, explicava que estas conversas foram mantidas há mais de dois anos, em contexto pré-eleitoral em que estava a falar como candidato às eleições para a FPF (era na altura presidente da Liga de Clubes) e que essas “reflexões juntas” foram vertidas no seu programa eleitoral e depois no seu Plano Estratégico 2024-36. E acrescentava que questiona a forma “contextualmente deturpada” como os áudios foram revelados e o timing da sua divulgação, reservando-se o direito de agir judicialmente.
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