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(A) :: "Reflexões que ficaram explanadas no programa eleitoral": Proença reage aos áudios "descontextualizados" e garante "acionar meios legais"

"Reflexões que ficaram explanadas no programa eleitoral": Proença reage aos áudios "descontextualizados" e garante "acionar meios legais"

Em comunicado, Proença diz que os áudios divulgados têm mais de dois anos, tendo sido captados na altura em que concorria à FPF. Dirigente pede "reflexão" sobre o timing e promete agir judicialmente.

Tiago Gama Alexandre
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Numa altura em que o setor da arbitragem volta a estar debaixo de fogo, Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), pronunciou-se pela primeira vez sobre os áudios divulgados esta terça-feira nas redes sociais, que terão sido captados numa reunião em que se encontrava como presidente da Liga Portugal e candidato às eleições da FPF, em que viria a derrotar Nuno Lobo. No início do comunicado, Proença assumiu a sua “relutância em comentar áudios” que alega terem sido “obtidos de forma ilegal e imoral”, apresentando “excertos de conversas privadas, informais, truncadas, meticulosamente selecionadas, distorcidas, incompletas e descontextualizadas”.

https://observador.pt/2026/07/28/arbitros-fracos-jose-fontelas-gomes-e-as-idas-a-pj-em-27-processos-do-benfica-o-que-dizem-os-audios-de-proenca-que-vazaram-na-internet/

A partir daí, o dirigente e antigo árbitro defendeu-se em quatro pontos, explicando que “as conversas foram mantidas há mais de dois anos, num contexto pré-eleitoral, com todos os clubes do futebol profissional e todos os restantes stakeholders do futebol português” em reuniões em que Proença se apresentou “única e exclusivamente como candidato às eleições para a FPF”, acrescentou. “Nessas reuniões, mantidas nesse contexto muito específico, foram abordadas diversas matérias relevantes para o futuro do futebol português, entre as quais a arbitragem, a disciplina ou a equipa que me acompanharia caso o meu projeto fosse escolhido pelos sócios ordinários da FPF, entre muitos outros temas. Tratou-se de reflexões conjuntas que ficaram, de resto, explanadas no programa eleitoral com que me apresentei ao ato eleitoral para a FPF e que estão hoje em implementação no Plano Estratégico 2024-36″, assegurou.

“Tratando-se de conversas mantidas, como já referido, há mais de dois anos, reservo-me o direito de questionar não apenas a intencional forma contextualmente deturpada com que são apresentadas mas também o timing da sua divulgação, convidando todos a fazerem, de forma séria, essa reflexão. Constituindo matéria criminal suscetível de apreciação pelas entidades competentes, reservo-me ainda o direito de acionar todos os meios legais à minha disposição contra quem, de forma ilegal e cobarde, contribuiu para a sua obtenção e posterior divulgação pública”, concluiu Proença no comunicado.

Já esta quarta-feira vieram à tona novidades sobre o referido episódio dos áudios, com o Record a dar conta que Pedro Proença terá agendado uma reunião com a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) na sequência do caso, mas a reunião acabou por ser cancelada depois de José Borges, presidente da instituição, ter visto o convite recusado por todos os árbitros. O jornal desportivo escreve ainda que o contacto do presidente da FPF foi feito durante a noite de terça-feira e que a reunião estava marcada para as 10 horas desta quarta-feira, na Cidade do Futebol, em Oeiras. O Record garante ainda que a reunião chegou mesmo a acontecer, mas apenas com a presença de José Borges e outros elementos da associação, que se juntaram pela via digital.

Na terça-feira, a APAF insurgiu-se contra o teor da conversa divulgada nos áudios, mostrando-se “surpreendida e preocupada”. “A APAF condena de forma inequívoca este tipo de discurso que coloca em causa a competência, a credibilidade e a dignidade de uma classe que trabalha diariamente com enorme profissionalismo. Os árbitros portugueses têm demonstrado, ao longo dos anos, uma capacidade amplamente reconhecida pelas nomeações para as principais provas internacionais, de seleções e de clubes. A defesa da honra, da credibilidade e da dignidade da arbitragem portuguesa é um dever da APAF, mas também é uma responsabilidade de todas as instituições do futebol e, principalmente, de todos os seus dirigentes. Os árbitros continuarão a desempenhar a sua missão com independência, rigor, competência e dedicação, mas exigem respeito por tudo aquilo que têm feito em benefício do prestígio do futebol português”, escreveu o órgão.

https://twitter.com/McQueenInfos/status/2082451638019637515?s=20

Por outro lado, a página responsável pela divulgação dos áudios na rede social X divulgou esta quarta-feira informações a respeito da reunião, dando conta que Pedro Proença “quis chamar os árbitros com urgência, juntamente com a APAF”, pedido que foi recusado. Por outro lado, o dirigente terá pedido ao árbitro Luís Godinho “para aproveitar a formação deste fim de semana para juntar os colegas e pressioná-los a pedirem a demissão de Luciano Gonçalves”, atual presidente do Conselho de Arbitragem da FPF. O juiz alentejano terá declinado o pedido, “alertando que os árbitros do Porto e de Braga estão fechados com o Luciano e que essa manobra nunca ia passar”. Segundo a página, Proença voltou a insistir e garantiu que Luís Godinho seria a sua principal aposta para assumir o cargo no Conselho de Arbitragem, em caso de queda dos órgãos atuais.

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