A Air France-KLM traz o “apoio e o alinhamento” da parceira americana, a Delta Airlines, para a oferta vinculativa que apresentou para a TAP e que vai permitir “reforçar ainda mais a conetividade global de Portugal, em particular no mercado do Atlântico Norte”, um dos mais importantes em termos de receitas para a aviação. Em comunicado, o grupo revela ainda que o plano estratégico que propõe para a TAP prevê o desenvolvimento de atividades de manutenção e engenharia em Portugal, em colaboração com a subsidiária da companhia portuguesa para esta área.
Também a Lufthansa sinalizou em comunicado a entrega de uma oferta vinculativa para a companhia portuguesa que indica ser o “passo lógico seguinte” à parceria comercial que lidera, a Star Alliance, e da qual a TAP faz parte há mais de duas décadas.
O presidente executivo, Carsten Spohr, destaca que a empresa tem vindo a investir em Portugal há décadas, criando empregos qualificados. “Queremos reforçar a companhia aérea nacional portuguesa como parte do Grupo Lufthansa e como a principal companhia aérea para o Atlântico Sul, tendo Lisboa como hub estratégico. Com a SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines e ITA Airways, demonstrámos como a integração europeia no Grupo Lufthansa garante perspetivas de crescimento e desenvolvimento para os nossos mercados e hubs de origem.”
Nenhuma das candidatas dá qualquer informação sobre a proposta financeira para a compra de 44,9% (posição que pode chegar aos 49,9%) da TAP que entregaram esta quarta-feira à Parpública, mas a Air France-KLM revela mais aspetos do plano industrial e estratégico proposto e o envolvimento da parceira americana nesta operação.
Citado no comunicado, Ed Bastian, presidente executivo, diz que a “Delta apoia o projeto de investimento da Air France-KLM, nossa parceira de joint-venture, na TAP, o que reforçaria a oferta de viagens transatlânticas e o papel de Portugal como um destino de excelência”. E é revelado que a companhia americana pretende iniciar de imediato as negociações para um acordo comercial estratégico com a TAP, incluindo programa de fidelização, caso a proposta da Air France-KLM seja a escolhida.
A escolha deste agrupamento obrigaria a TAP a trocar a aliança comercial em que está integrada — a Star Alliance da Lufthansa — pela rede comercial da Air France, KLM e Transavia.
Sobre o reforço das atividades de manutenção, reparação e revisão (com a sigla inglesa MRO) de aviões, a Air France-KLM diz que o plano de ação “incluiria a abertura de novas instalações de manutenção aeronáutica em zonas-chave de Portugal, dedicadas à manutenção de aeronaves e motores de última geração.” Estas novas atividades de MRO não seriam um investimento isolado do grupo, mas sim o resultado de “uma estreita cooperação entre as respetivas divisões de MRO da Air France-KLM e da TAP, que são parceiras há mais de 20 anos”.
O desenvolvimento dos negócios de manutenção e engenharia da TAP é um dos critérios de valorização do plano industrial que faz parte da oferta vinculativa para a companhia aérea. A Lufthansa investiu recentemente em Portugal nesta área com a abertura de uma unidade da Lufthansa Technik dedicada à reparação e manutenção de aeronaves em Santa Maria da Feira.
https://observador.pt/2026/06/29/lufthansa-aposta-em-santa-maria-da-feira-de-olhos-na-tap-somos-o-melhor-parceiro-mas-vamos-respeitar-a-escolha-do-governo/
Tal como a Lufthansa, o grupo franco-neerlandês promete fazer de Lisboa “o seu único hub no Sul da Europa, reforçando a rede global do grupo e expandindo a conetividade a mercados-chave, em particular nas Américas e em África”. Invocando a “posição de liderança da TAP nas rotas estratégicas para o Brasil”, diz que a mesma constituirá “um complemento de peso à oferta atual da Air France-KLM” que já é parceira naquele mercado da GOL.
A Lufthansa diz que a “aquisição de uma participação minoritária inicial tem como objetivo estabelecer uma parceria de longo prazo entre o Grupo Lufthansa e a TAP Air Portugal, de forma a assegurar, de forma sustentável, o futuro de sucesso da TAP enquanto companhia aérea nacional de Portugal”. E lembra os casos de “sucesso” que tem no seu currículo em matéria de incorporação de empresas de bandeira europeias — SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines e, mais recentemente, a ITA Airways — mantendo a identidade nacional das empresas.
A Air France-KLM destaca por seu turno “a abordagem única” do grupo em matéria de consolidação que “prioriza a cooperação dentro de um quadro claro, concebido para maximizar sinergias económicas e operacionais mutuamente benéficas, com um forte foco no diálogo social”.
Benjamin Smith, o CEO do Grupo Air France-KLM, lembra que o trabalho na proposta pela TAP começou há três anos e que “não é apenas uma proposta financeira para uma companhia aérea. É um plano estratégico ambicioso, de longo prazo, abrangente e completo, para a TAP e para Portugal como um todo. É também uma visão do rumo que gostaríamos de dar a esta prestigiada companhia de bandeira”.