(c) 2023 am|dev

(A) :: "Vi uma mão a sair dos escombros". Os testemunhos dos sobreviventes do sismo de 6,8 que abalou o sul do Japão

"Vi uma mão a sair dos escombros". Os testemunhos dos sobreviventes do sismo de 6,8 que abalou o sul do Japão

Enquanto as equipas de socorro continuam a procurar sobreviventes, os habitantes das zonas afetadas pelo sismo relatam momentos de pânico, fugas de carro e tentativas de resgate durante as réplicas.

Manuel Nobre Monteiro
text

“Vi uma mão a sair dos escombros”. É desta forma que Tomohide Nagata, bombeiro voluntário, descreve o momento em que um homem foi resgatado com vida de uma casa completamente destruída em Hikawa, uma das localidades mais afetadas pelo sismo de magnitude 6,8 que atingiu o sul do Japão nesta terça-feira.

“Havia uma voz a vir da casa desabada e consegui ver uma mão. Um dos nossos membros mais experientes rastejou para o interior e puxou-o para fora. Estava a sangrar da cabeça, mas fico muito feliz por ter sobrevivido“, contou o bombeiro ao jornal Kumamoto Nichinichi Shimbun.

https://observador.pt/2026/07/28/sismo-de-intensidade-6-8-na-escala-de-richter-abala-regiao-sul-do-japao-alerta-de-tsunami-ativado/

Em Hikawa, onde muitas casas antigas ruíram, centenas de pessoas passaram a noite dentro dos carros junto à Câmara Municipal, receando novos abalos. Entre elas estava Suemi Nagata, de 79 anos, que não conseguiu abandonar a vila de carro porque a garagem da sua casa ficou destruída. Refugiou-se com o marido e a irmã mais velha no edifício municipal. “Este abalo foi pior do que o terramoto de Kumamoto, há dez anos, e foi aterrador. Só o facto de ter sobrevivido já é motivo para agradecer“, afirmou ao jornal local.

Outro casal, Iwaoka Shigemi, de 79 anos, e a mulher, Michiyo, de 77, também passou a noite no carro depois de sair de casa. Agora, dizem estar preocupados com as temperaturas elevadas previstas para os próximos dias e com o risco de insolação.

Na cidade vizinha de Uki, onde o abalo atingiu o nível máximo (7) na escala sísmica japonesa shindo, uma mulher na casa dos 40 anos contou que se colocou entre os móveis que caíam para proteger os filhos. “Fiquei presa debaixo de uma cómoda em casa. Protegi os meus filhos e depois apressei-me a evacuar a casa”, relatou ao Kumamoto Nichinichi Shimbun, a partir da escola primária de Toyono, transformada num centro de acolhimento.

Também no centro comercial Aeon, em Kumamoto, onde ocorreu uma explosão de gás (que, segundo as autoridades, poderá ter sido provocada pelo sismo), várias pessoas ficaram feridas. Uma jovem de 16 anos, que tinha acabado de sair do edifício com outros clientes, recordou ao Asahi Shimbun que se “sentiu completamente segura quando estava cá fora”, até ser envolvida pelo e pelo fumo da explosão, que lhe provocaram dificuldades respiratórias.

Um homem de 74 anos, cliente habitual do centro comercial, soube mais tarde que um conhecido que ali trabalhava ficou ferido. “Eu próprio podia ter sido apanhado na explosão“, disse ao Nikkei.

Mais a sul, em Yatsushiro, um trabalhador de 63 anos acredita que escapou à morte por mero acaso. O edifício de madeira onde trabalhava desabou durante o sismo, mas nesse dia encontrava-se de folga. “Era o meu dia de descanso e não estava no trabalho, por isso escapei com vida”, afirmou.

Segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla original), o tremor de terra verificou-se na região de Kumamoto esta terça-feira, às 16h27 locais (8h27 de Lisboa), e teve o epicentro a dez quilómetros da superfície. Após o primeiro evento, registou-se uma série de réplicas — uma das quais com magnitude de 5,6, que abalou o território às 17h08 (9h08 em Portugal continental).

O Japão está situado no limite do Anel de Fogo do Pacífico, que ladeia toda a costa oeste do continente americano e o Extremo-Oriente da Ásia e Oceânia. A estrutura geológica assinala o ponto de contacto da Placa do Pacífico com as placas sul-americana, norte-americana e eurasiática e abrange 75% dos vulcões ativos a nível mundial e 90% da atividade sísmica.

[Os serviços secretos portugueses enfrentam uma crise de segurança sem precedentes: existe uma toupeira infiltrada no SIS. A suspeita é de que esteja a vender segredos da NATO à Rússia de Putin. E a confirmação final vai ser feita pelas secretas norte-americanas: a CIA traz o nome de um dos espiões mais antigos do serviço. Já estreou “A Vida Dupla do Espião Traidor”, o novo Podcast Plus do Observador. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]