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(A) :: A educação merece melhor 

A educação merece melhor 

Aquilo que correu pior foi, como acontece sempre em Portugal, a falta de preocupação e respeito que merece o cidadão a quem não é dada a informação atempada.

Bruno Bobone
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Assistimos, nas últimas semanas, a um tremendo ruído sobre o que se passou nos exames nacionais, por se ter dado um passo no sentido da digitalização do processo de correcção das provas.

Alguma coisa correu mal e até o ministro o reconheceu, mas, apesar de tudo, o resultado foi um pequeno atraso na disponibilização das notas, o que terá criado alguma ansiedade justificada nos alunos.

Na minha perspectiva, aquilo que correu pior foi, como acontece sempre em Portugal, a falta de preocupação e respeito que merece o cidadão a quem não é dada a informação atempada daquilo que está a acontecer e isso cria uma ansiedade e uma desconfiança que torna qualquer tema numa crise absoluta.

A diferença é muito simples de compreender.

Se estivermos num comboio a caminho de um evento importante e o comboio parar, a nossa reacção imediata é de ansiedade e de incompreensão.

Mas se nesse mesmo momento, o condutor nos explicar aquilo que se está a passar, tudo muda de imediato.

Podemos avaliar se o problema pode ser facilmente resolvido ou se temos que tratar de informar que não estaremos presentes aonde nos esperam.

A ansiedade desaparece e a confiança é restabelecida.

Ora, isto foi exactamente aquilo que não aconteceu.

A reacção dos responsáveis, políticos e do ministério, é sempre de tentarem evitar mostrar que há um problema, pois todos temem ser culpabilizados daquilo que aconteceu.

Ao tomarem esta atitude, aquilo que transmitem ao público é que estão a tentar disfarçar a realidade e a desconsiderar o cidadão não lhe dando a possibilidade de avaliar a situação de modo a lhes permitir ajustar as suas expectativas.

O mesmo se passou com os próprios professores, que tampouco foram informados de que havia um problema com o sistema e que estiveram muito tempo sem saber se o problema era seu.

Isto somado a uma politização e sindicalização do tema da educação, que deveria ser considerado um tema de unidade nacional e a necessidade jornalística constante de explorar o catastrofismo, que deveria ter a capacidade de olhar com maior responsabilidade os temas que são essenciais aos portugueses, criou uma situação de tensão política e social que não foi útil, não foi razoável e que só aumentou a instabilidade e ansiedade dos alunos.

A educação tem sido, ao longo dos últimos 50 anos, uma das áreas menos cuidadas da nossa estrutura de sociedade, sendo aquela que maior influência vai ter na qualidade futura do nosso país.

A falta de respeito para com os professores, seja na sua remuneração seja no processo absurdo de centralizar a colocação de professores em vez de atribuir essas competências às escolas, apenas para dar maior poder a um sindicato que pouco ou nada faz pela qualidade de vida dos professores, como se pode ver pela sua situação, é inaceitável num país que se afirma preocupado com o seu futuro.

A estrutura de ensino que pouco se foca no desenvolvimento do aluno e apenas promove o facilitismo para que haja notas que permitam mostrar sucessos políticos, a falta de avaliação dos próprios professores de forma a promover os melhores criando um sistema de meritocracia, são factores que, esses sim, deveriam estar nas preocupações de governos e comunicação social, de forma a tornarmos a educação numa mais-valia para o nosso desenvolvimento.

A digitalização do sistema é essencial, que as mudanças têm falhas na sua implementação é sabido por todos, ainda assim, aquilo que importa é ser franco na abordagem dos problemas e unirmo-nos para, em conjunto os resolver de forma a não deixar penalizar aqueles que são mais afectados por essas falhas.

Deixemos a política de dizer mal para fazer a política de ajudar a melhorar e unamo-nos para ajudar a dar uma melhor educação aos nossos descendentes.