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EUA e Arábia Saudita atacam bases pró-Irão no Iraque. Há registo de pelo menos 20 mortos

Washington e Riade dizem ter respondido a mais de 30 ataques iranianos realizados nas últimas 72 horas. Bagdade e Teerão condenaram a operação e grupo armado iraquiano prometeu vingança.

Sâmia Fiates
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João Paulo Godinho
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Manuel Nobre Monteiro
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Os Estados Unidos e a Arábia Saudita lançaram, na madrugada desta quarta-feira, um ataque conjunto contra grupos apoiados pelo Irão no Iraque, horas depois de os militares norte-americanos detetarem um “ataque surpresa” do Irão contra as suas tropas. Pelo menos 20 pessoas morreram e outras 32 ficaram feridas em sete províncias, segundo as Forças de Mobilização Popular (FMP), uma antiga coalizão de paramilitares integrada no exército iraquiano.

De acordo com o Comando Central dos EUA, “aeronaves de combate americanas e sauditas atacaram diversos locais de logística e armamentos terroristas no leste do Iraque, numa forte resposta a mais de 30 ataques aéreos com drones dirigidos pela IRGC nas últimas 72 horas”. Terão sido atingidas bases de grupos aliados ao Irão nas províncias iraquianas de Bagdade, Wasit, Nínive, Basra, Kirkuk, Karbala e Diyala.

https://twitter.com/CENTCOM/status/2082260118930956482

O anúncio da ofensiva veio horas depois de o CENTCOM confirmar que o Irão procedeu com um “ataque surpresa” com mísseis contra forças norte-americanas baseadas na região. O comunicado diz ainda que os ataques iranianos “não tiveram sucesso“.

Por seu turno, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita, citado pela Al Jazeera, justificou os ataques como uma retaliação. No comunicado, as autoridades sauditas afirmam que os ataques foram uma resposta à recente ofensiva iraniana nas regiões produtoras de petróleo da Arábia Saudita.

O texto também classifica o ataque iraniano com drones como “infeliz”, numa altura em que os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e a Jordânia tentavam trabalhar em conjunto para reduzir as tensões durante a pausa nas hostilidades. “As milícias terroristas ligadas ao Irão” optaram pela abordagem “irresponsável de escalada”, destaca ainda a nota.

Reunião de emergência após “ataques inaceitáveis” e a promessa de que os mortos “serão vingados”

Depois dos ataques conjuntos dos EUA e da Arábia Saudita, o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, convocou uma reunião de emergência do Conselho Ministerial de Segurança Nacional, segundo a Al Jazeera. Al-Zaidi adiou, ainda, a viagem prevista à Arábia Saudita para a próxima quinta-feira. O objetivo da visita era a assinatura de memorandos de entendimento em diversos setores, além de discutir a coordenação de segurança e os desenvolvimentos regionais.

O Presidente do Iraque, Nizar Amedi, vincou, em comunicado, que os ataques são “inaceitáveis” e constituíram uma “violação flagrante da soberania do Iraque, tendo como alvo as suas instituições oficiais de segurança, em contravenção ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas”. Considerando que o território iraquiano não deve ser utilizado como “plataforma de lançamento ou palco para ataques a países vizinhos ou para resolver disputas regionais e internacionais”, Amedi apelou a que as partes respeitem “a soberania do Iraque e se abstenham de quaisquer ações que possam comprometer a sua segurança e estabilidade”.

O grupo armado iraquiano Harakat al-Nujaba, que integra as Forças de Mobilização Popular, censurou os ataques e declarou que os mortos “serão vingados”, segundo um comunicado noticiado pela Al Jazeera. Considerando que a presença de forças americanas em solo iraquiano “se tornou uma ameaça iminente à segurança e à estabilidade do país”, o grupo armado pediu o fim da cooperação com a Arábia Saudita e deixou no ar a ideia de uma possível retaliação.

Também o Irão condenou os ataques em solo iraquiano, ao descrever essas ações como uma “clara agressão contra a soberania nacional e a integridade territorial do Iraque”, bem como uma “grave violação” do direito internacional. “Ao mesmo tempo que expressa as suas condolências pelo martírio de um grupo de honrados cidadãos iraquianos durante estes ataques agressivos, o Ministério dos Negócios Estrangeiros salienta o total apoio e solidariedade da República Islâmica do Irão para com o Governo e o povo do Iraque, e responsabiliza o regime belicista dos EUA e os seus cúmplices na região pelas consequências perigosas destas ações criminosas, desumanas e provocadoras”, lê-se no comunicado.

De acordo com a nota governamental iraniana, citada pela Al Jazeera, estes ataques estão “em consonância com as aspirações dos Estados Unidos e do regime sionista de alargar o âmbito da guerra”, aludindo também a Israel nesta ofensiva.