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Os dois segundos ganhos na Hungria e o novo motor que podem "segurar" Alonso: Aston Martin prepara AMR26 "B" para os Países Baixos

A Aston Martin desiludiu na primeira metade da temporada, mas parece ter encontrado um rumo na Hungria, com um novo pacote de atualização. Teste do novo AMR26 foi antecipado e prevê grande melhoria.

Tiago Gama Alexandre
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A temporada de 2026 era vista com especial entusiasmo no seio da Aston Martin. Com a mudança nos regulamentos, a Fórmula 1 deu início à sua nova era, que se esperava que fosse sinónimo de ressurgimento da scuderia com sede em Silverstone. Os ingredientes estavam todos reunidos para uma eventual candidatura ao título: contratou o lendário projetista Adrian Newey, a Honda tornou-se a fabricante das unidades de potência, o experiente Fernando Alonso continuou no cockpit e o Lawrence Stroll aumentou o financiamento da equipa com a chancela de um patrocínio oriundo da Arábia Saudita. Contudo, ao contrário do que se esperava, a primeira metade do ano esteve longe de correr bem à Aston Martin, que não conseguiu sair da parte inferior da tabela classificativa.

https://observador.pt/2026/02/24/problemas-de-fiabilidade-e-bateria-menos-voltas-e-um-atraso-de-quatro-segundos-o-fim-da-aston-martin-pode-chegar-ainda-antes-do-inicio/

Completadas as primeiras 11 corridas do calendário, a Aston Martin somou apenas um ponto, conquistado por Alonso no Grande Prémio do Mónaco. Nesse sentido, o espanhol ocupa o nono lugar no Mundial de pilotos, ao passo que o companheiro Lance Stroll segue sem pontos. Em termos de construtores, só a Cadillac surge em pior posição, já que Sergio Pérez e Valtteri Bottas não conquistaram qualquer ponto até à paragem para as férias de verão. Apesar da nuvem de pessimismo que se instalou em Silverstone nos últimos meses, o Grande Prémio da Hungria, que se realizou no último fim de semana, trouxe melhorias e a esperança aumentou. No novo pacote de atualizações, que se baseou nos erros cometidos nas primeiras corridas da época, a Aston Martin aumentou a força aerodinâmica vertical — o chamado downforce — e reduziu o peso do monolugar, o que se traduziu numa redução de dois segundos por volta.

Acima das melhorias substanciais está a eficácia das ferramentas de desenvolvimento da equipa que, nos últimos três anos, poucos frutos tinham colhido das atualizações feitas. Com o regresso do Campeonato previsto para o dia 21 de agosto, no Grande Prémio dos Países Baixos, espera-se que a Aston Martin consiga melhorar já com o novo motor fornecido pela Honda, que chega depois de a equipa ter provado que consegue melhorar o seu monolugar. Quem aguarda com expetativa por essa mudança é Fernando Alonso, que está a poucos meses de ficar sem contrato e quer ver provas de que a Honda contratou a equipa de projetistas da Fórmula 1 que tem vencido ao serviço da Red Bull. Caso seja dado esse passo em frente, o espanhol deverá continuar durante mais um ano.

https://twitter.com/SoyMotor/status/2082423870942769271?s=20

O fabricante japonês decidiu adiantar os seus planos relativos à nova versão do AMR26 e, esta quarta-feira, já o colocou à prova num filming day de 200 quilómetros realizado no Hungaroring, na Hungria. Ao longo de 46 voltas, a Honda pretendeu obter as primeiras sensações antes de chegar a Zandvoort, com os pneus de exibição (não os de competição da Pirelli) e configurações básicas no monolugar a acompanharem o novo AMR26, conhecido como… AMR26 B. Ainda assim, os resultados do primeiro teste não vão ser conhecidos, dado que a Aston Martin optou por mantê-los em segredo. Um dos poucos dados conhecidos dá conta de que o piloto presente não é Alonso nem Stroll, mas sim Jack Crawford, o piloto de testes da Aston Martin. Segundo a BBC, se tudo correr na perfeição, o monolugar deve melhorar mais meio segundo por volta.

Demos um grande salto na qualificação. Tenho de dizer que gostei ainda mais da corrida. O ritmo foi melhor na corrida do que na qualificação. No final, ficámos no 13.º e 14.º lugares por mérito próprio, porque, na verdade, o único carro mais rápido que não terminou foi o do Oscar Piastri. Os restantes ultrapassaram-nos em pista devido à degradação dos pneus e à estratégia. Isto é promissor. Boa degradação [de pneus], bom ritmo de corrida… acho que é promissor. Além disso, ainda não tínhamos feito sessões longas com este pacote aerodinâmico que, por ser uma aerodinâmica totalmente nova, também apresenta outras características em termos de refrigeração do motor e dos travões”, assumiu Pedro de la Rosa, embaixador da Aston Martin, à DAZN Espanha.

“Havia imensas dúvidas: ‘Será que vamos ter a refrigeração adequada para correr no meio do pelotão?’. Claro, também não estamos habituados a correr no meio do pelotão. Também tivemos boa fiabilidade. Fico com isso em mente. A degradação também foi boa. Quando se tem mais carga aerodinâmica, o pneu agradece. Tínhamos muita degradação no passado, agora parece que melhorámos este aspeto. A correlação é boa e isso não é apenas uma sensação positiva, mas também transmite muito otimismo em relação ao futuro. Tem muito valor, porque no passado nem sempre foi assim. Tendo em conta o início da época, chegar até aqui com estas melhorias é muito positivo, tanto para o presente como para o que está por vir. O Fernando [Alonso] está muito mais satisfeito com o comportamento do carro. É um primeiro passo muito sólido, embora ainda não tenhamos tirado o máximo partido destas melhorias. No entanto, não podemos esquecer-nos de onde viemos. O progresso foi muito significativo”, concluiu o automobilista espanhol.