Miguel Relvas considera que se estão a “arrastar as instituições para um poço sem fundo” e responsabiliza o primeiro-ministro por permitir que Luís Neves continue a fazer o Governo e as instituições “reféns”. “Estamos a viver um momento trágico. Estamos a arrastar as instituições para um caminho sem retorno. Nunca imaginei que fosse possível que uma pessoa fizesse com que o sistema ficasse refém dela.”
Em declarações ao Observador, no programa “Contra-Corrente”, Relvas criticou todos aqueles que têm permitido que se instale uma “manta de suspeição” — a começar pelo próprio ministro da Administração Interna.
“O ministro Luís Neves não tem mais condições para estar. Ninguém está acima das instituições. Ninguém está acima da democracia. Vamos de degradação em degradação até uma situação que se pode tornar incomportável”, sublinhou Miguel Relvas, sugerindo que Luís Montenegro parece algo “temeroso” por ter de enfrentar o seu ministro.
Ainda assim, o antigo ministro e braço de direito de Pedro Passos Coelho pressionou sobretudo António José Seguro a agir. “Tem de zelar pelo prestígio das instituições. O silêncio do Presidente da República assusta. Como é que o Presidente da República está calado? Se Mário Soares estivesse vivo, estaria calado? E Jorge Sampaio?”, insurgiu-se Miguel Relvas.
“O Presidente da República não pode estar calado. Não pode pensar: ‘Daqui a cinco anos preciso dos votos do centro-direita’. É que daqui a cinco anos pode não ter nem votos do centro-direita, nem do centro-esquerda. A democracia já não tem mais tempo. Ele já uma vez não dominou bem o tempo. Quando era líder do PS, um dia acordou e estava António Costa sentado na cadeira dele. Porquê? Porque não percebeu que era tempo de agir, que era tempo de intervir de outra forma. Quando tentou, foi tarde.”
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