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"Uma violação da identidade e da arte": Ariana Grande processa hackers por alegado roubo e divulgação de músicas e imagens privadas

A cantora recorreu a um tribunal de Los Angeles para identificar os responsáveis por fugas de músicas, fotos e vídeos desde 2011, incluindo 45 músicas roubadas só em 2023.

Margarida Vieira dos Santos
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Centenas de músicas, fotografias, vídeos dos bastidores de gravações e videoclipes. É este o material que Ariana Grande afirma ter sido roubado e divulgado por hackers, que terão acedido às contas online de vários dos seus colaboradores e vendido os conteúdos na dark web. A cantora norte-americana interpôs agora um processo judicial num tribunal de Los Angeles para tentar identificar os alegados responsáveis, acusados de lhe terem causado “danos substanciais e irreparáveis” através de uma “invasão maliciosa da privacidade”, segundo os advogados da estrela pop, citados pela Billboard.

“A Sra. Grande inicia esta ação para descobrir as identidades destes indivíduos atualmente desconhecidos e sem escrúpulos, a fim de os responsabilizar pela sua conduta “invasiva e repreensível”, escrevem os seus advogados, segundo a revista. “Esta invasão maliciosa da privacidade e a interrupção da sua carreira causaram-lhe danos substanciais e irreparáveis”.

A cantora pop alega que, só em 2023, 45 das suas músicas foram roubadas e divulgadas online, tendo algumas sido alegadamente vendidas na dark web por “quantias significativas de dinheiro“. No entanto, Ariana Grande sustenta que este não foi um caso isolado, afirmando que, desde a sua estreia musical, em 2011, ocorreram “centenas de fugas de informação semelhantes”.

De acordo com a BBC, a ação judicial descreve um alegado padrão de roubos “ilegais e flagrantes“, com colaboradores de Ariana Grande a serem repetidamente visados em ataques informáticos destinados a obter material inédito da artista. Entre os episódios referidos no processo está a alegada invasão, em 2025, do dispositivo móvel de um produtor que tinha trabalhado com Grande, o que terá permitido o acesso a gravações inéditas, maquetas (demos) e imagens de sessões de gravação.

Já em 2024, a artista acusa os hackers de terem criado uma conta de e-mail onde se faziam passar por um fotógrafo, convencendo um técnico digital a enviar fotografias pertencentes à cantora.

“A apropriação e divulgação não autorizadas destes materiais constituem uma violação da identidade e da arte de Ariana Grande”

Os advogados da artista acreditam que “a apropriação e divulgação não autorizadas destes materiais constituem uma violação da identidade e da arte da Sra. Grande“, assim como da “relação direta e sagrada que existe entre ela e os seus fãs“. Nos documentos judiciais apresentados em tribunal, escreveram ainda que nenhuma figura pública deveria sofrer “tais violações” causadas por “infratores que se escondem nas sombras e semeiam o caos tecnológico impunemente”.

Ariana Grande já tinha abordado publicamente o tema em 2024. Numa entrevista ao podcast The Zach Sang Show, a cantora lamentou a divulgação não autorizada de material privado e criticou os responsáveis pelas fugas de informação. Referindo-se a sessões de gravação realizadas antes da sua participação em Wicked (2024), afirmou que algumas dessas músicas acabaram por circular amplamente nas redes sociais.

“Antes de ir para Wicked, [houve] algumas sessões de estúdio que fiz e que estão por todo o TikTok, muito obrigada, vemo-nos na cadeia. Literalmente”, disse, citada pela BBC. “Todas estas canções foram escritas para um programa de televisão, para algo que não era para mim, depois surge o Fantasize, a loucura, foi roubado… Estes piratas, ladrões, ilegais!”.

Em termos jurídicos, Ariana Grande acusa os hackers — ainda não identificados — de invasão de privacidade, violação das leis informáticas da Califórnia e apropriação indevida de conteúdos.

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