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(A) :: Mais de 1500 condenados à morte em greve de fome na maior prisão do Irão. Alguns reclusos coseram os lábios em protesto contra execuções

Mais de 1500 condenados à morte em greve de fome na maior prisão do Irão. Alguns reclusos coseram os lábios em protesto contra execuções

Maioria das penas de morte terão sido decretadas em casos relacionados com crimes relacionados com drogas, embora execuções também aumentado entre presos políticos, denunciam organizações.

Margarida Vieira dos Santos
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A ação constitui o mais recente capítulo da campanha liderada por reclusos contra a pena de morte, num contexto de forte aumento de execuções nos estabelecimentos prisionais iranianos. Depois de seis pessoas condenadas por crimes relacionados com drogas terem sido transferidas para celas de isolamento antes de uma possível execução na prisão de Ghezel Hesar, nos arredores de Teerão, pelo menos 1500 outros condenados à morte iniciaram uma greve de fome que já se prolonga há mais de duas semanas. Alguns, segundo o The Guardian, terão mesmo cosido os lábios em sinal de protesto.

Vídeos divulgados por organizações de defesa dos direitos humanos mostram vários reclusos sentados num corredor da prisão de Ghezel Hesar, o maior estabelecimento prisional do Irão, segurando cartazes com a inscrição “Não às Execuções”. Num dos registos, um dos prisioneiros dirige-se à câmara para explicar que decidiu coser os lábios, seis dias após o início da greve de fome, porque nenhum funcionário da prisão respondeu ao protesto, relatou o jornal britânico.

Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da organização Iran Human Rights (IHRNGO), afirmou que muitas das sentenças de morte foram proferidas com base em confissões obtidas sob tortura, alertando para o agravamento da crise dos direitos humanos no Irão. Segundo o responsável, o número de execuções aumentou este ano, num contexto marcado pela guerra com os EUA e Israel.

De acordo com a IHRNGO, pelo menos 424 pessoas foram executadas este ano no Irão e milhares encontram-se no corredor da morte. A maioria das penas de morte terão sido decretadas em casos relacionados com crimes relacionados com drogas, embora as execuções também tenham aumentado entre os presos políticos e os manifestantes detidos após os protestos nacionais de janeiro.

“Ao realizar este protesto, os prisioneiros de Ghezel Hesar estão a correr um risco extraordinário”

Em declarações ao The Guardian, Mahmood Amiry-Moghaddam disse que, no ano passado, quase 800 pessoas foram enforcadas por crimes relacionados com drogas, “sem quase nenhuma reação internacional e praticamente nenhuma campanha nacional ou nas redes sociais para as salvar”.

“Ao realizar este protesto, os prisioneiros em Ghezel Hesar estão a correr um risco extraordinário. Sabem que as autoridades podem executá-los a qualquer momento, mas optaram por levantar a voz na esperança de que a comunidade internacional finalmente os ouça e aumente o custo político destas execuções”, afirmou o diretor da IHRNGO.

https://observador.pt/2025/09/23/irao-executou-pelo-menos-1-000-condenados-desde-o-inicio-do-ano/

Em comunicado, também a Amnistia Internacional Portugal alertou para a vaga de execuções nos estabelecimentos prisionais iranianos. “A organização receia que, pelo menos, mais 60 pessoas, incluindo três detidas quando ainda eram crianças, continuem em risco de execução após terem sido condenadas à morte”, afirmou a organização.

“Em muitos casos, os arguidos não têm acesso a advogados nem a um direito significativo de se defenderem. Há também casos em que as acusações são fabricadas contra pessoas de minorias étnicas ou de origem pobre“, disse Moein Khazaeli, advogado de direitos humanos, citado pelo The Guardian. “As sentenças de morte emitidas pelos tribunais revolucionários são uma violação dos direitos humanos e até das próprias leis do Irão”.

Em outubro de 2025, um protesto semelhante teve lugar na prisão de Ghezel Hesar, quando os reclusos iniciaram uma greve de fome de seis dias, levando a uma rara visita das autoridades ao estabelecimento prisional. No entanto, a maior parte dos ativistas e organizações dos direitos humanos afirmam que as condições dos prisioneiros pouco ou nada melhoraram desde então.