(c) 2023 am|dev

(A) :: O impacto da chegada a Filadélfia e as perspetivas de LeBron com a camisola dos 76ers

O impacto da chegada a Filadélfia e as perspetivas de LeBron com a camisola dos 76ers

Nunca tinha descido tanto o salário de uma época para a outra. Agora, James fê-lo e assinou pelos Sixers por oito milhões de dólares em dois anos, bem menos que os 50 milhões anuais que recebia em LA.

Manuel Conceição Carvalho
text

Há duas semanas e meia, ninguém sabia onde LeBron James ia jogar na próxima época. Mais: a organização estava a fazer uma espécie de compasso de espera para perceber essa decisão e poder alinhavar coisas em paralelo como… o calendário. Agora sabe-se: nos Philadelphia 76ers, numa mudança que só ficou fechada a 24 de julho – precisamente o número que Kobe Bryant, ídolo de LeBron, vestiu na segunda parte da carreira –, depois de um processo de agência livre que se arrastou 25 dias e que só terminou com a confirmação da saída dos Lakers, ao fim de oito temporadas. Será a sua 24.ª época na NBA, um recorde absoluto.

O valor do contrato é o que mais surpreende. LeBron vai ganhar cerca de oito milhões de dólares em dois anos – praticamente o salário mínimo de veterano, começando nos 3,9 milhões já esta época, com opção de jogador para a segunda –, um corte brutal face aos mais de 50 milhões que recebia anualmente em Los Angeles. Para dar dimensão ao gesto: ao longo de 23 temporadas, James já ganhou mais de 581 milhões de dólares em salários, mais do que qualquer outro jogador na história da NBA. E, mesmo assim, decidiu jogar por muito menos do que recebia, aos 41 anos, por mais uma hipótese de disputar um novo título. Os números do contrato, uma vez mais, remetem para Kobe: 8 e 24 foram as camisolas de Kobe Bryant – nascido, tal como este novo capítulo da carreira de LeBron, em Filadélfia.

https://twitter.com/sixers/status/2081748961161842785

A escolha teve nome e rosto. Segundo a ESPN, apenas dois jogadores falaram diretamente com LeBron ao longo do processo – Tyrese Maxey e Joel Embiid –, enquanto Jaylen Brown preferiu fazer chegar a mensagem através do agente de LeBron, Rich Paul. E de todos os técnicos da liga, o único com quem LeBron falou foi Nick Nurse, treinador dos Sixers. Quando Rich Paul apresentou a LeBron um quadro com as opções em cima da mesa, apenas um nome tinha uma estrela ao lado: o do próprio Maxey. A ligação pessoal com Mike Gansey, presidente de operações dos Sixers e antigo rival de LeBron nos prémios de liceu no Ohio, também pesou, revela o The Athletic. Com outra curiosidade: de acordo com a imprensa norte-americana, os Knicks estavam na frente… até o título ter ficado em Nova Iorque 53 anos depois.

https://twitter.com/KingJames/status/2081776337581445480

A construção do novo grupo já vinha a acelerar antes da decisão. Os Sixers tinham ido buscar Jaylen Brown, MVP das Finais de 2024, numa troca com os Celtics por Paul George e quatro escolhas de draft – duas de primeira e duas de segunda ronda –, e somam agora VJ Edgecombe, jovem promessa da última draft, ao núcleo com Maxey e Embiid. Para uma franquia que não é campeã desde 1983, a chegada de LeBron é a maior promessa de título em mais de quatro décadas.

Esta é já a quarta vez que LeBron muda de equipa como jogador livre: saiu dos Cavaliers para o Heat em 2010, voltou a Cleveland em 2014, seguiu para os Lakers em 2018 e ruma agora a Filadélfia. O objetivo continua o mesmo de sempre – tornar-se o primeiro jogador da história a vencer quatro títulos por quatro equipas diferentes –, mas desta vez com a promessa, feita pelo próprio, de que será “a última decisão”. “Não é pelo dinheiro, não é pela família”, escreveu LeBron nas redes sociais, questionando-se sobre o que o motiva a esta altura da carreira antes de concluir que quer ajudar os Sixers a serem campeões.

Nem tudo foram sorrisos fora de campo. Os Cleveland Cavaliers terão suspendido a venda de bilhetes de época durante as negociações, na expectativa de subir os preços caso LeBron optasse por regressar a casa. Também ficou por concretizar-se o cenário, há muito antecipado, de LeBron jogar ao lado do filho Bronny: com o plantel dos Sixers já preenchido e a precisar de aliviar massa salarial, considera-se agora pouco provável que os dois joguem juntos na próxima época. Uma coisa é certa: os bilhetes mais baratos de pré-temporada para os jogos em Filadélfia têm agora um preço quatro vezes superior: 240 dólares.

https://twitter.com/sixers/status/2082088561470234643

A escolha reacendeu ainda a habitual troca de farpas fora de campo. Questionado sobre o eterno debate LeBron-Michael Jordan, Donald Trump não hesitou em escolher Jordan, com quem diz ter uma amizade pessoal, e foi mais longe nas farpas a LeBron: “Talvez seja racista, talvez não goste de mim. Só gosto de quem gosta de mim.” Do lado oposto do espectro político, o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, reagiu com entusiasmo à chegada de LeBron ao seu estado – um contraste que resume bem a forma como o avançado divide opiniões fora do campo desde que, em 2017, chamou “vagabundo” a Trump. Desde então, James apoiou publicamente os candidatos democratas às últimas três eleições presidenciais: Hillary Clinton, Joe Biden e Kamala Harris.

Com Maxey, Brown, Edgecombe e Embiid à sua volta, LeBron prepara-se para tentar, pela quarta vez, aquilo que só ele pode conquistar: um título com uma quarta equipa diferente e o primeiro anel para Filadélfia em mais de 40 anos.