É um dos maiores de todos os tempos. Escreveu o seu nome na natação, mas depressa ultrapassou as fronteiras das piscinas para se tornar no atleta mais titulado da história olímpica. Ao todo ganhou 28 medalhas nas cinco edições dos Jogos Olímpicos em que participou, colecionando seis ouros e dois bronzes em Atenas-2004, oito ouros em Pequim-2008, quatro ouros e duas pratas em Londres-2012 e cinco ouros e uma prata no Rio de Janeiro-2016. No total, amealhou a medalha mais desejada em 23 ocasiões, juntando-lhe ainda três segundos lugares e dois terceiros. Mais ninguém conseguiu um registo semelhante, nem almeja aproximar-se de Michael Phelps.
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Contudo, antes de chegar ao topo da modalidade e do desporto, o norte-americano, que atualmente tem 41 anos, teve de passar por inúmeros sacrifícios que são inerentes à carreira de um atleta de alta competição. “Estive cinco ou seis anos sem faltar um único dia. 365 dias. Sem dias livres, sem aniversários, sem Natal. Estava na água todos os dias. Estava disposto a fazer o que fosse necessário para ter uma oportunidade”, explicou o antigo nadador sobre a rotina que manteve durante vários anos, baseada em consistência, objetivos concretos e numa capacidade notável para manter o esforço. Fruto disso, Phelps considera que a sua carreira teve, para lá do talento, uma preparação diária que reduzia qualquer interrupção.
“Sei que o meu caminho até chegar onde estou hoje não foi fácil. Tive alguns obstáculos que tive que aprender a superar, a contornar ou a escalar. A primeira vez que me deparei com a depressão foi depois de regressar dos Jogos Olímpicos de 2004. Sofri de uma depressão pós-olímpica bastante grave. Foi então que finalmente consegui perceber quem realmente sou, que isso faz parte de mim e que não vai desaparecer. Por isso, preciso de aprender mais sobre isso. Preciso de compreender por que razão funciono como funciono, por que razão sou como sou. Consegui aprofundar algumas coisas que tinha vindo a reprimir, a isolar e que, sem querer, evitava enfrentar ou reconhecer”, acrescentou Phelps.
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Foi depois dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, que o norte-americano voltou a ter problemas relacionados com a saúde mental, que apareceram gradualmente e que não desapareciam com as vitórias, contrastando com o campeão de medalhas e recordes que o público via. Os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, marcaram o fim da sua carreira desportiva, mas o legado de Michael Phelps manteve-se até hoje. Desde então, o antigo nadador dedicou uma parte significativa das suas intervenções públicas à saúde mental, mostrando como o êxito desportivo não evita uma depressão e que uma carreira bastante bem-sucedida pode ter períodos de sofrimento.
A estreia do norte-americano aconteceu nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, quando tinha apenas 15 anos. Na altura destacou-se nos 200 metros mariposa, tendo terminado a final no quinto lugar. Foi nessa disciplina que começou a deixar a sua marca, já que, cinco meses depois dos Jogos australianos, bateu o recorde mundial e tornou-se no mais jovem nadador de sempre a quebrar um recorde mundial na natação, registo que continua a ser seu, mas que, no feminino, pertence a Karen Muir, que em 1965 bateu o recorde dos 100 metros com apenas 12 anos. O que se seguiu foi histórico, com Pequim a destacar-se com a conquista de oito ouros que lhe permitiram superar o recorde que pertencia a Mark Spitz desde Munique-1972.