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Boy George lança "We will dance again" pró-Israel e lança polémica

"Vocês chamam-lhe genocídio, eu chamo-lhe guerra": Boy George divide opiniões com "We Will Dance Again" que apoia a resposta militar israelita ao ataque do Hamas.

Cláudia Nobre
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Não é a primeira vez que a estrela pop britânica se coloca ao lado de Israel. Agora, Boy George volta a fazê-lo ao lançar uma nova música em que apoia claramente a intervenção militar de Telavive em Gaza. E, como seria de esperar, gerou forte controvérsia nas redes sociais.

O vocalista e líder da “Culture Club”, banda pop inglesa fundada em 1981, divulgou o novo tema nas suas contas do X e Instagram (e não nas plataformas de streaming habituais como o Spotify ou o YouTube). Escreveu apenas #shalom (paz em hebraico) sem mais considerações. E mais não foi preciso, o resto fez a música.

O título We will dance again — escrito em hebraico, “עוד נרקוד” — já deixava antever o tom da canção. Essa é a expressão utilizada em Israel como símbolo de resiliência, esperança e sobrevivência cultural após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 ao festival “Supernova”.

https://twitter.com/i/status/2081514648835162582

A ofensiva do Hamas e de outras milícias jihadistas não se ficou pelo festival, mas estendeu-se a vários kibutz e comunidades na fronteira de Gaza, causando, no total, cerca de 1.200 mortes e 251 reféns. Em resposta, Telavive lançou uma ofensiva em Gaza que já matou mais de 73 mil palestinianos, segundo os dados do Ministério da Saúde do enclave, controlado pelo Hamas, e reconhecidos pela ONU.

Logo no arranque da música, Boy George diz de que lado está: “Vocês chamam-lhe genocídio/ eu chamo-lhe guerra”, canta o músico. Defende claramente a resposta militar israelita à ofensiva do Hamas, rejeitando o genocídio na Faixa de Gaza, tal como tem sido reconhecido por comissões independentes internacionais.

E depois continua. Ao longo da canção, Boy George chega mesmo a criticar artistas que manifestaram apoio à causa palestiniana, como Stormzy, Damon Albarn, Clairo e Brian Eno, acusando-os de ignorar o ataque de 7 de outubro e de difundir propaganda. “Condenam os judeus/, com memória seletiva/ Músicos com bandeiras/balbuciam como ovelhas/ Propaganda alimentada pela internet/Parece tão fraco.”

As reações não se fizeram esperar nas redes sociais e não foram consensuais. Entre centenas de comentários em resposta à mensagem na rede social X, alguns saudaram o cantor por ter uma atitude “corajosa” e por manifestar solidariedade para com a comunidade judaica. Foi o caso de, por exemplo, @iam_mombi, que escreveu: “É preciso ter muita coragem nestes dias para apoiar Israel e o povo judeu, então obrigado pelo seu apoio”.

https://twitter.com/iam_mombi/status/2081536599729328630

Outros têm opinião diametralmente oposta, como, por exemplo, Deane Bevan, que o descreve como psicopata.

https://twitter.com/Deaneyb8/status/2081787091264942356

Uma das posições mais críticas chegou do músico Martyn Ware, ex-Human League e Heaven 17, que afirmou numa publicação do “NME” sobre a música: “Conheço-o há 45 anos e sinto vergonha de alguma vez lhe ter prestado atenção. Que repugnante”.

https://twitter.com/martynware/status/2081770912156729384?s=20

Numa outra publicação, na sua conta, disse “não conseguir acreditar” que o seu amigo tivesse lançado “uma peça de propaganda musical abertamente pró-genocídio e antipalestiniana”. Dirigindo-se ao cantor, escreveu: “George, devias ter vergonha — espero que aches que o dinheiro valeu a pena para venderes a tua alma… repugnante”.

https://twitter.com/martynware/status/2081767439394541679

Boy George acaba com os versos: “Mas se alguma vez estiveres confuso / Eu estou do lado dos judeus / Não me sinto corajoso, preciso de me comportar como um ser humano / Mas acredita em mim, vamos dançar novamente”. E a seguir canta a letra em hebraico.

Apesar deste remate, o músico já disse não ser insensível ao sofrimento palestiniano. Numa entrevista recente ao The Telegraph, anterior a este tema, garante que não é indiferente ao que se passa em Gaza: “Com o passar dos anos, tem-se tornado um assunto muito pessoal. Não quer dizer que não tenha compaixão pelos palestinianos, não quer dizer que eu concorde com o que está a acontecer em Israel, mas vou sempre defender as pessoas que eu amo”. Ou seja, os judeus.

Aliás, ainda há pouco tempo o deixou bem claro. “Desde o começo da minha carreira, tenho usado a Estrela de David (…), sinto-me muito conectado com o povo judeu”, respondeu Boy George antes da sua atuação com San Marino no Festival Eurovisão da Canção, recorda o diário britânico The Guardian.

Alguns dos seus críticos assinalaram que o novo tema contrasta com uma das canções mais conhecidas dos Culture Club, The War Song, lançada em 1984, que condenava a guerra e pedia aos líderes mundiais que escolhessem a paz em vez do conflito armado.

A música surge num contexto de crescente divisão internacional (e local) sobre a guerra em Gaza. Enquanto Israel rejeita as acusações de genocídio contrariamente ao que defendem várias organizações mundiais, associações de defesa de direitos humanos israelitas e especialistas das Nações Unidas.

Texto editado por Dulce Neto