A Polícia Metropolitana de Londres abriu uma investigação a uma publicação partilhada no Instagram pelo líder do Partido Verde de Inglaterra e País de Gales, após denúncia do Reform UK, que acusa o político de “incitamento ao homicídio” contra o líder do partido, Nigel Farage.
A polémica surgiu depois de Zack Polanski ter divulgado na rede social fotografias de um evento do partido no domingo numa publicação conjunta de várias pessoas. Entre as imagens encontrava-se uma fotografia de um homem a usar uma t-shirt preta com a frase “Estamos apenas a fazer planos para Nigel”, ao lado da imagem de uma guilhotina.
A publicação foi posteriormente retirada da conta do Instagram do presidente do Partido Verde de Inglaterra e País de Gales mas Nigel Farage conseguiu publicar uma captura de ecrã na sua conta no X: “Se eu publicasse algo tão incitador, esperaria ser preso, e Polanski também deveria.”
https://twitter.com/Nigel_Farage/status/2081778915903779244
Num comunicado, um porta-voz do Partido Verde afirmou que Polanski “condena a imagem na camisola” e explicou que o dirigente aceitou a publicação colaborativa sem se aperceber de todas as fotografias incluídas. “Assim que essa imagem lhe foi sinalizada, deixou imediatamente de a partilhar. É inequivocamente contra este tipo de mensagem perigosa”, acrescentou.
A Polícia Metropolitana confirmou no X ter recebido uma denúncia relacionada com a publicação. “Levamos denúncias desta natureza extremamente a sério e os agentes estão a investigar o caso”, acrescenta a autoridade. Segundo o que a BBC conseguiu apurar, Polanski ainda não foi contactado pelas autoridades.
https://twitter.com/metpoliceuk/status/2081801291030806582
O autor da imagem é um fotógrafo freelancer que se identifica nas redes sociais como just.barold. Assumiu a responsabilidade pela imagem e afirmou ter-se apresentado à polícia. “Não tive a intenção de ofender ninguém e claramente não se trata de uma ameaça séria à segurança de ninguém.” Pediu desculpa a Polanski e confirmou que este não teve qualquer culpa.
https://twitter.com/JustBarold/status/2081792896177459672
A frase inscrita na camisola faz referência à música Making Plans for Nigel, lançada pela banda britânica XTC em 1979. Ainda assim, a presença da guilhotina ao lado da expressão gerou críticas e foi interpretada pelo Reform UK como uma incitação à violência, ao homicídio.
Para além de denunciar o caso à polícia, o partido vai levar o assunto ao organismo responsável pela fiscalização da Assembleia da Grande Londres, onde Polanski exerce funções como membro eleito, avançou Zia Yusuf, porta-voz do Reform UK para os Assuntos Internos. Yusuf afirmou que a publicação é “estarrecedora”, sobretudo por surgir poucas semanas após o homicídio de Ann Widdecombe, ex-porta-voz de Farage. A morte reacendeu o debate sobre a segurança dos políticos britânicos no ano em que se assinala uma década do assassinato da deputada trabalhista Jo Cox e cinco anos da morte do deputado conservador David Amess.
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Após o homicídio de Widdecombe, o próprio Zack Polanski defendeu o reforço da segurança dos líderes partidários e apelou ao Governo para que todos os responsáveis políticos beneficiassem de maior proteção.
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O Partido Verde reiterou que a imagem é “claramente de mau gosto” e apelou a um debate público mais moderado. “Polanski e o Partido Verde apelam a todos os envolvidos no discurso público para que demonstrem gentileza e não incentivem mais divisão”, concluiu o porta-voz.
Robert Jenrick, porta-voz do Reform UK para os Assuntos do Tesouro, acusou o Governo de “negligência do dever” relativamente à segurança de Nigel Farage, depois de ter sido revelado que o partido recusou, no ano passado, uma oferta de proteção financiada pelo Executivo.
O Ministério do Interior (o equivalente ao Ministério da Administração Interna português) desmentiu as acusações de Jenrick, considerando-as “categoricamente falsas”. E esclareceu que são peritos independentes em segurança, e não os ministros, que decidem as medidas de proteção atribuídas aos deputados.
Texto editado por Dulce Neto