Há pelo menos 18 mortos e quatro pessoas desaparecidas e centenas de feridos depois de um sismo de magnitude 6,8 na escala de Richter ter abalado esta terça-feira o sul do Japão. O terramoto também provocou a destruição de algumas infraestruturas, provocou apagão elétrico e cortou a circulação ferroviária (incluindo a dos famosos comboios de alta velocidade Shinkansen), de acordo com os meios de comunicação locais. O Governo chegou a lançar um alerta de tsunami durante algumas horas, desativando-o depois.
Uma explosão sacudiu um centro comercial na cidade de Kishima pelas 18h00 (cerca de 1h30 depois do primeiro tremor de terra). A informação, divulgada pela empresa de retalho Aeon, que gere o espaço, foi confirmada pelas autoridades. Os bombeiros locais afirmaram, de acordo com o canal de televisão e rádio NHK, que parte do segundo andar do edifício colapsou e aprisionou várias pessoas no seu interior.
Imagens aéreas divulgadas pelo canal de informação mostram que as paredes da infraestrutura caíram, expondo o que parece ser o esqueleto do edifício. Ao longo do dia, oito pessoas foram resgatadas do edifício. Quatro tinham ferimentos significativos, uma tinha ferimentos ligeiros e uma estava em paragem cardiorrespiratória, detalharam as autoridades locais. Os trabalhos, que decorreram durante a noite desta terça-feira, permitiram resgatar ainda os corpos de duas mulheres.
Além das 13 mortes anteriormente relatadas pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, esta quarta-feira chegou a notícia de que outras cinco pessoas morreram no colapso de uma chaminé na fábrica da Nippon Paper Industries, em Yatsushiro. A informação foi dada esta quarta-feira de manhã por um porta-voz da câmara municipal de Kumamoto em conferência de imprensa.
Quatro pessoas continuam desaparecidas na fábrica de produção de papel e podem estar ainda soterradas sob os escombros, disse a mesma fonte oficial.
Segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS na sigla original), o tremor de terra verificou-se na região de Kumamoto esta terça-feira, às 16h27 locais (8h27 de Lisboa), e teve o epicentro a dez quilómetros da superfície. Após o primeiro evento, registaram-se uma série de réplicas — uma das quais com magnitude de 5,6, que abalou o território às 17h08 (9h08 em Portugal continental).
“Ainda estamos a avaliar a extensão dos ferimentos e dos danos materiais, mas fui informada de que já há vários feridos… Há falhas de energia e incêndios em algumas áreas, estradas e pontes foram danificadas e edifícios desabaram”, disse na altura a primeira-ministra, Sanae Takaichi, aos jornalistas.
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A Agência Meteorológica do Japão (JMA, na sigla em inglês) pediu à população para “prestar o máximo de atenção possível a futuros terramotos e à chuva, e [para] se manter afastada de locais perigosos”, numa conferência de imprensa às 17h30.
“Especialmente durante os próximos dois ou três dias, gostávamos que as pessoas permanecessem atentas em relação a potenciais sismos, que podem atingir uma intensidade máxima de sete” na escala japonesa de Shindo (diferente daquela que está em vigor na Europa), acrescentou a JMA, citada pelo canal público de televisão e rádio NHK.
A agência governamental do Japão destinada à gestão de crises emitiu avisos de sismo para toda a ilha de Kyushu, na extremidade sul do país, em particular para Kumamoto, Nagasaki, Kagoshima, Fukuoka, Saga, Oita e Miyazaki. A JMA chegou a avançar que os tsunamis podem superar um metro de altura, pelo que “a ameaça marinha está presente” e recomendou à população “sair da água e abandonar as regiões costeiras imediatamente”, apesar de não prever danos resultantes da elevação do nível das águas do mar.
Entretanto, o aviso foi suspenso, uma vez que o “sismo aconteceu em terra firme e não foi observada qualquer atividade de tsunami”, disse um porta-voz da Agência Meteorológica do Japão.
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De acordo com a agência noticiosa Reuters, o evento geológico provocou um apagão energético que afetou cerca de 48.000 casas e interrompeu o tráfego ferroviário. Empresas como a Sony e a produtora de semicondutores TSMC têm fábricas em funcionamento na região afetada, onde também existem centrais nucleares.
Até à data, ainda não foram identificados problemas nas infraestruturas de produção de energia nuclear, e a empresa Kyushu Electric Power avançou que os níveis de radiação nas imediações das centrais permanecem inalterados.
Imagens divulgadas pelo NHK mostram vários edifícios colapsados nas proximidades do epicentro do sismo. Os bombeiros da cidade de Uki admitiram ter recebido muitas chamadas de emergência devido aos fogos que deflagraram na sequência do abalo.
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O Japão está situado no limite do Anel de Fogo do Pacífico — que ladeia toda a costa oeste do continente americano e o extremo-oriente da Ásia e Oceânia. A estrutura geológica assinala o ponto de contacto da Placa do Pacífico com as placas sul-americana, norte-americana e euroasiática e abrange 75% dos vulcões ativos a nível mundial e 90% da atividade sísmica.
Em Kumamoto, muitos ainda se recordam do sismo de magnitude 7,4 que provocou 275 mortos e mais de 2.700 feridos na região em 2016, segundo dados oficiais.
6,8 ou 7,1? A explicação para um sismo com duas magnitudes
Algumas notícias dão conta de um abalo com 7,1 na escala de Richter. A diferença está na forma como os dados são calculados, como explicado no podcast Quente e Frio da Rádio Observador desta terça-feira. 7,1 nos dados japoneses e 6,8 nos cálculos americanos e europeus.
https://observador.pt/programas/quente-e-frio/agosto-quente-antes-noites-tropicais-e-poeiras-do-saara/
As ondas sísmicas libertadas quando existe uma rutura numa falha são captadas por sismómetros em vários pontos do globo. A análise dessas ondas permite perceber onde ocorreu o sismo, a que profundidade, como se movimentou a falha e qual foi a dimensão da rutura, mas diferentes redes não recebem exatamente os mesmos dados.
No caso do Japão, a rede sísmica é mais densa e as estações estão mais próximas do epicentro, enquanto os sistemas internacionais recorrem a redes mais abrangentes, em que muitos dos cálculos são automáticos e praticamente em tempo real, podendo depois ser revistos. Ou seja, não se trata de dois sismos, mas de duas estimativas da dimensão da mesma rutura, feitas com dados e cálculos que podem não ser exatamente iguais.