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(A) :: Galp separa lucros do preço dos combustíveis em Portugal . "90% dos resultados são gerados fora do país"

Galp separa lucros do preço dos combustíveis em Portugal . "90% dos resultados são gerados fora do país"

Gestores da petrolífera realçam que 90% dos resultados são originados em atividades fora do país e que não têm a ver com o negócio da distribuição de combustíveis em Portugal.

Ana Suspiro
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Tendo anunciado os resultados do primeiro semestre em mais uma segunda-feira marcada por um aumento do preço dos combustíveis, os dois presidentes executivos da Galp reafirmam o compromisso com o “maior grau de transparência e objetividade” sobre os mecanismos de formação de preços. Ao mesmo tempo que sublinham que 90% dos resultados resultam da atividade “fora de Portugal e fora das atividades que dizem respeito ao preço dos combustíveis”.

Em declarações ao Observador no dia em que a Galp revelou uma subida de 44% no lucro semestral, Maria João Carioca, co-CEO da Galp, reconhece que o tema dos preços “é sensível. Temos partilhado informação nesse sentido e achamos que em Portugal há muita transparência. Os preços são publicados e as pessoas sabem com antecedência o que eles traduzem”.

https://observador.pt/2026/07/27/galp-lucra-812-milhoes-ate-junho-subida-de-44-no-lucro-e-suportada-por-mais-producao-e-precos-mais-altos/

Dito isto, a gestora sublinha o que a Galp já sinalizou no comunicado sobre os resultados de 812 milhões de euros, cujo aumento atribui ao aumento da produção de petróleo e à subida do preço do petróleo. Cerca de 90% dos resultados são “gerados fora do país e em negócios que não têm a ver com a distribuição de combustíveis”.

Maria João Carioca exemplifica com as parcerias para a exploração de petróleo no Brasil — atividade que foi responsável pela maior fatia dos lucros — e com as energias renováveis. “Grande parte dos resultados estão a ser usados para fazer o caminho da transição energética. Acabámos de anunciar uma compra adicional de eólico” — um portefólio de 15 parques eólicos adquirido por 420 milhões de euros em Espanha.

Sobre a relação direta entre o disparo da margem de refinação nos primeiros seis meses do ano e os preços dos combustíveis, o co-CEO João Marques da Silva assinala que a refinação “tem uma exposição global e não é mais rentável por estar em Portugal ou por estar em Espanha ou noutra geografia”. João Marques da Silva distingue os preços dos combustíveis — que dependem dos spreads dos produtos refinados e dos impostos — das margens de refinação — que traduzem um valor de referência (benchmark) internacional. “Não podemos evitar ser uma empresa exposta aos mercados internacionais” e lembra que a refinaria de Sines “é uma das alavancas fundamentais para as exportações de Portugal”.

O gestor volta a dizer que a Galp é escrutinada. “A ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) acompanha semanalmente a forma como é definido o preço dos combustíveis para a semana seguinte e a evolução desses preços tem uma disciplina e uma fórmula de cálculo que é conhecida pelo mercado”.

Questionados sobre o estudo aprofundado pedido pelo Governo ao comportamento dos preços dos combustíveis, Maria João Carioca não comenta o pedido feito ao regulador pela ministra do Ambiente e Energia, reafirmando que “estamos sempre disponíveis para dar informação e acreditamos genuinamente que a transparência e a total abertura relativamente a toda a informação que seja necessária é a melhor postura”.

João Marques da Silva confirmou ainda que houve um recuo no consumo de combustíveis em Portugal, de cerca de 5% no primeiro semestre, que atribuiu ao momento de preços mais altos, mas sinalizou que estas tendências devem ser analisadas em horizontes mais amplos. Questionado sobre se o Governo deveria dar mais apoios aos consumidores ou setores mais expostos para compensar a subida dos preços, o gestor recusa comentar, considerando que essa é uma “decisão política”.

Quanto ao facto de o mercado espanhol não ter registado uma queda nas vendas de combustíveis, e questionado sobre se isso se deve ao maior apoio fiscal dado do outro lado da fronteira, João Marques da Silva assinala que Espanha “é um mercado diferente. Mais aberto, com mais portas de entrada e mais armazenamento e há transferência entre o mercado espanhol e o português, nem sempre feita de forma regulamentar”.

Nesta conversa com o Observador, os gestores da Galp afastaram ainda um cenário de eventual escassez de produtos petrolíferos nos próximos meses para Portugal.

“Temos uma situação que é bastante acompanhada, saudável. Sines (a refinaria) está com bons níveis de produção e temos as nossas equipas a olhar para os mercados numa lógica de acautelarmos um mês, dois meses, três meses (de fornecimento) e na generalidade dos casos estamos já acautelados para os próximos meses”, afirmou Maria João Carioca.

A co-CEO frisou a situação de abastecimento de jet-fuel que está garantido durante a época alta da aviação — o verão. Depois dessa data há uma redução de procura que também resulta do cancelamento de voos. “Entre o que é a procura e aquilo que temos contratado e o que a nossa refinaria nos permite suprir em regime de autossuficiência, estamos muito atentos, mas numa situação muito controlada”.