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Galp lucra 812 milhões até junho. Subida de 44% no lucro é suportada por mais produção e preços mais altos

A Galp Energia anuncia aumento do lucro semestral para 812 milhões de euros. Subida de 44% é atribuída ao reforço da produção no Brasil, mas também ao preço do petróleo. Margem de refinação dispara.

Ana Suspiro
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Os lucros da Galp aumentaram 44% para 812 milhões de euros no primeiro semestre de 2026. Esta subida é atribuída ao reforço da produção no Brasil, mais 17%, mas também à valorização do preço do petróleo em 28% durante este período marcado pelo conflito no Médio Oriente.

A Galp também reconhece o “grande contributo que veio do industrial e do midstream” onde opera nas áreas de trading e atividade industrial. A margem de refinação disparou para 15,8 dólares por barril, praticamente o triplo da registada em 2025. Não obstante, a Galp destaca que mais de 90% do EBITDA (margem bruta da operação) é gerado fora de Portugal.

Os resultados na área de upstream, onde está a produção de petróleo, cresceram 99% no primeiro semestre para 1,193 mil milhões de euros.

O efeito dos preços altos do petróleo é ainda mais visível quando se olha para os resultados do segundo trimestre que cresceram 45% para os 540 milhões de euros, impulsionados pela produção de petróleo, mas também pelo reforço dos resultados nos setores industriais que cresceram 44% para 423 milhões de euros. A margem de refinação atingiu os 16,8 dólares por barril, mais 2 dólares que no trimestre anterior e comparando com 6,1 dólares por barril em igual período de 2025.

“Estes resultados refletem a qualidade dos nossos ativos e a capacidade de execução das nossas equipas, mesmo num contexto de elevada volatilidade. Mantemos uma forte disciplina financeira, enquanto continuamos a investir em oportunidades que reforçam a competitividade e o potencial de crescimento da Galp”, afirma a co-CEO e CFO da Galp, Maria João Carioca, em comunicado.

A petrolífera reviu em alta as previsões para a margem bruta, que quase duplica face à anterior projeção, passando de 2,6 mil milhões para quatro mil milhões de euros. Os motores desta revisão são o preço de petróleo revisto de 60 para 80 dólares por barril e a margem de refinação quase duplica de 5,5 dólares por barril para 10 dólares por barril. A empresa espera ainda uma maior contribuição das energias renováveis.

Face aos resultados “robustos”, a empresa vai propor um reforço de 10% nos dividendos para 70 cêntimos por ação, antecipando metade do seu pagamento para agosto deste ano.

Durante este período, a Galp investiu 696 milhões de euros, mais 44% do que no primeiro semestre de 2025. Este aumento reflete a aquisição de ativos eólicos em Espanha, representando um investimento de 318 milhões de euros. A empresa destaca ainda uma subida de 70% no investimento destinado à Península Ibérica que inclui 109 milhões na refinaria de Sines, essencialmente no desenvolvimento dos projetos de baixo carbono.

A Galp anunciou também esta segunda-feira a compra de um portefólio de produção eólica em terra com 361 megawatts de capacidade instalada em Espanha à Acciona. A operação de 420 milhões de euros inclui 15 parques eólicos em várias regiões espanholas e irá aumentar a capacidade renovável instalada para 2,7 gigawatts. A Galp já tinha comprado outro portefólio de energia eólica em abril com potência de 351 megawatts. No total, o investimento em aquisições de potência renovável este ano ascende a 740 milhões de euros.