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(A) :: Na final do break, ganhou quem soube juntar a parte da dance: Luca Van Assche vence Estoril Open

Na final do break, ganhou quem soube juntar a parte da dance: Luca Van Assche vence Estoril Open

O francês de 22 anos eliminou Carreño Busta e Rublev e venceu o belga Alexander Blockx numa final a três sets para conquistar o Estoril Open, o primeiro título ATP da carreira (6-4, 4-6, 7-5).

Mariana Fernandes
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Uma final inesperada que trouxe um desfecho pouco expectável. Este domingo, num derradeiro duelo entre dois tenistas que dificilmente seriam colocados no lote de potenciais finalistas no início da semana, Luca Van Assche venceu Alexander Blockx e conquistou o Estoril Open, carimbando o primeiro título da carreira no circuito ATP.

Para explicar a improbabilidade da vitória de Van Assche, porém, é preciso recuar alguns dias. Depois de um ano como challenger, com o norte-americano Alex Michelsen a ganhar a edição de 2025, o Estoril Open regressou à condição de ATP 250 e conseguiu atrair nomes como Casper Ruud, Alejandro Davidovich Fokina e Matteo Arnaldi, mas os três top 40 do ranking acabaram por anunciar que afinal não iriam passar pela terra batida portuguesa a poucos dias no início do torneio.

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A partir daí, e principalmente sem a presença do mais do que favorito Casper Ruud, estavam lançados os dados — e os nomes com as teóricas maiores chances de chegar à final deste domingo foram caindo. Stan Wawrinka foi eliminado nos 16 avos de final, Nuno Borges, Pedro Martínez e Pablo Carreño Busta saíram nos oitavos de final e Andrey Rublev, ainda número 13 do ranking ATP, foi afastado com estrondo nos quartos de final. Pelo meio, sobraram as prestações positivas de Jaime Faria e Tiago Torres, com ambos os jovens portugueses a seguirem até aos quartos de final.

Assim, Alexander Blockx, que em Wimbledon forçou o eventual finalista Alexander Zverev a quatro sets e três tiebreaks logo na primeira ronda, chegou à final depois de ter eliminado Kyrian Jacquet, Román Andrés Burruchaga e Luciano Darderi. Já Luca Van Assche, que tem como principal feito na carreira o facto de ter chegado à terceira ronda do Open da Austrália em 2024, afastou Frederico Silva, Pablo Carreño Busta, Andrey Rublev e também Hugo Gaston. Ambos, diga-se, disputavam a primeira final da carreira no circuito ATP. 

“É incrível, principalmente depois de um jogo como este. Não consigo parar de rir com o que acabou de acontecer, não tenho palavras. Nunca pensei que fosse vencer este jogo até ao final do segundo set. Continuei a lutar e fui recompensado. Depois da lesão que tive pensei que precisava de mais tempo, mas voltei mais cedo do que o previsto, já em Wimbledon. Jogar a minha primeira final é algo com que nem sequer podia sonhar há poucos meses. Vai ser um jogo complicado para ambos. Nunca o venci, portanto será um jogo realmente muito difícil. Para ser honesto, só tenho de estar feliz por poder estar sequer neste jogo”, explicou o tenista belga de 21 anos, atual número 38 do ranking.

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“Estava só a jogar partida a partida. Sabia que estava num bom nível, treinei muito nas últimas semanas. Todos os jogos foram difíceis. Talvez não estivesse à espera de chegar à final, mas agora que aqui cheguei já não estou tão surpreendido. Ainda não joguei muitos torneios ATP este ano, precisava de ganhar ‘challengers’ e venci três, consegui reentrar no top 100. Estou a habituar-me a este nível e vou tentar ganhar o meu primeiro título ATP. Não importa o adversário, já joguei contra o Blockx este ano, na final de um ‘challenger’, e ganhei [Lille]”, atirou o francês de 22 anos, agora no número 78 do ranking.

Já depois de os franceses Kyrian Jacquet e Titouan Droguet conquistarem o torneio de pares ao vencerem os brasileiros Rafael Matos e Orlando Luz, João Sousa foi o convidado para atirar a moeda ao ar na final de singulares. Num arranque pouco comum, Luca Van Assche colocou-se em vantagem com uma quebra de serviço, Alexander Blockx respondeu de seguida e também com um break, aproveitando três duplas faltas do adversário, e Van Assche voltou a contrariar o serviço logo a seguir e antes de ambos repetirem novamente a façanha. Ou seja, cinco jogos no primeiro set, cinco breaks no primeiro set, nenhum jogo de serviço ganho. 

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Van Assche foi o primeiro a ganhar um jogo de serviço, acabando por cavar uma vantagem importante que o levou a vencer mesmo o primeiro set e a colocar-se na frente da final (6-4). O segundo set começou como o primeiro, com o francês a quebrar o serviço do adversário logo a abrir, mas Blockx acordou apesar de não ter respondido de imediato.

O belga ganhou cinco jogos de seguida, aproximou-se do nível a que jogou durante toda a semana e, apesar de ainda ter desperdiçado um jogo de serviço, acabou mesmo por conseguir superiorizar-se para vencer o segundo set (4-6), empatar e levar a final do Estoril ao terceiro set — algo que não acontecia desde 2021, quando Albert Ramos Viñolas derrotou Cameron Norrie.

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O francês decidiu ir aos balneários entre sets e pareceu regressar mais concentrado, vencendo os três primeiros jogos e recuperando o ascendente que tinha tido no arranque da partida. Contudo, o belga voltou a responder com dois jogos consecutivos, deixando claro que não iria vender barata a derrota apesar de continuar a demonstrar algum desgaste físico, principalmente numa das pernas. Quando Van Assche estava a apenas um jogo de serviço de carimbar o triunfo, Blockx ainda forçou um break, mas não evitou que o mesmo lhe acontecesse logo a seguir.

A lógica da final, portanto, estava definida desde o início: Luca Van Assche venceu o último jogo de serviço, ganhou o terceiro set (7-5), derrotou Alexander Blockx e conquistou o Estoril Open, carimbando o primeiro título ATP da carreira e tornando-se o segundo francês a festejar em Portugal depois de Richard Gasquet em 2015, sendo que já sabe que com este triunfo vai entrar pela primeira vez no top 50 do ranking.

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