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(A) :: Um último sprint de quem já nem precisava de sprintar: França já era de Pogacar, Paris ajoelhou-se perante Van der Poel

Um último sprint de quem já nem precisava de sprintar: França já era de Pogacar, Paris ajoelhou-se perante Van der Poel

No dia de coroação de Tadej Pogacar, que confirmou uma histórica quinta conquista do Tour, Mathieu van der Poel acelerou em Montmartre para ganhar nos Campos Elísios e fechar Volta da melhor maneira.

Mariana Fernandes
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E vão cinco. Com o Arco do Triunfo como pano de fundo e a cidade de Paris a receber novamente a última etapa, Tadej Pogacar confirmou a quinta vitória na Volta a França, igualando Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain enquanto únicos ciclistas a completar o penta na que é considerada a maior prova de ciclismo do mundo.

Contudo, ao juntar o triunfo de 2026 aos de 2020, 2021, 2024 e 2025, o ciclista esloveno destacou-se dos outros quatro e tornou-se o mais novo de sempre a chegar às cinco vitórias no Tour, já que tem apenas 27 anos. Além disso, é apenas o quarto a ganhar a Volta a França em três anos consecutivos, igualando o feito de Anquetil, Louison Bobet e Indurain, sendo que a última vez que tinha acontecido tinha mesmo sido nos anos 90 e à boleia do ciclista espanhol.

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Numa edição em que não contou com a ajuda de João Almeida, mas soube reinventar-se ao lado de Isaac del Toro e ainda venceu cinco etapas, Tadej Pogacar até aproveitou o empurrão do abandono de Jonas Vingegaard, mas ficou sempre a ideia de que o esloveno iria mesmo voltar a ganhar o Tour independentemente da concorrência. Antes da derradeira e quase celebratória última etapa, para onde entrou com mais de seis minutos de vantagem para Remco Evenepoel, Pogacar mostrou-se entusiasmado com a própria prestação de sábado, onde inverteu os papéis e pedalou para ajudar Del Toro a selar o último lugar do pódio da classificação geral.

“Talvez as pessoas falem agora de como eu ajudei o Isaac a chegar ao pódio, mas ele ajudou-me primeiro a chegar à camisola amarela e a equipa ainda mais. Hoje foi uma honra correr para o Isaac durante as últimas duas horas ou hora e meia. Fi-lo com prazer e percebi o quão difícil é trabalhar para os outros. Estive muito bem neste Tour e a equipa também, mas também houve azares de adversários. Em três semanas muita porcaria pode acontecer e conseguimos sobreviver. Última etapa? Não há o Wout [van Aert, que venceu a última etapa em 2025], é menos um adversário nos Campos Elísios. Não é um grande objetivo, mas se tiver boas pernas posso tentar, sem correr riscos”, explicou.

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Tal como já tinha acontecido ao longo das últimas três semanas, mas devido ao intenso calor que se fez sentir em algumas regiões de França, a última etapa do Tour foi encurtada pela organização: os 133 quilómetros iniciais passaram a 88,7 devido à necessidade de mobilização de forças de segurança para o combate aos incêndios que estão a afetar várias zonas do país, o que significou que as equipas foram apresentadas em Thoiry, com as habituais flutes de champanhe, mas seguiram diretamente para Paris. Aí, o circuito tinha como destaque a subida de um quilómetro a 6,5% de inclinação na Rue Lepic, repetida três vezes tal como aconteceu na prova de estrada dos Jogos Olímpicos de Paris, e terminava ao bom estilo parisiense, nos paralelepípedos rumo aos Campos Elísios.

A UAE Emirates desfilava com um equipamento especial para homenagear a quinta vitória de Tadej Pogacar e o francês Baptiste Veistroffer liderou a primeira tentativa de fuga, demasiado sozinho e desapoiado apesar de ter servido para ganhar o sprint intermédio, acabando por ser apanhado ainda antes da marca dos 30 quilómetros. Xabier Azparren e Thibault Guernalec esboçaram um arranque em conjunto, com a fuga a ser neutralizada antes da primeira subida a Montmartre, e o pelotão começou a partir, deixando uma espécie de grupo da frente com cerca de 100 ciclistas e Isaac del Toro, que teve de mudar de bicicleta na sequência de um furo, para trás.

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Tadej Pogacar decidiu divertir-se na segunda subida à Rue Lepic e acelerou, sendo perseguido por Remco Evenepoel e Mathieu van der Poel e depois por Mads Pedersen, que não demorou a aproximar-se do trio da frente — e o ciclista esloveno, na enésima demonstração de força, conseguiu atingir uma média de 33,3 km/h na subida ao fim de três semanas de Tour. Na terceira e última subida, Mads Pedersen ficou para trás bem mais cedo e só Pogacar perseguiu o ataque demolidor de Van der Poel, com o neerlandês a entrar para os derradeiros dez quilómetros com uma boa chance de ganhar a etapa.

Os dois ciclistas lutaram um contra o outro praticamente até ao fim, num esforço inacreditável para quem andou a escalar montanhas em cima de uma bicicleta durante mais de 20 dias, mas Tadej Pogacar acabou por abdicar do sprint final e deixou-se ficar para trás. Mathieu van der Poel foi até ao fim e ganhou a Jasper Philipsen por centímetros, vencendo a segunda etapa nesta edição da prova, com Mads Pedersen a fechar o pódio seguido de Max Kanter e Ben Healy. Já Pogacar, que teve a humildade de assumir que as pernas já não davam para mais, coroou uma histórica quinta conquista do Tour com mais uma luta por uma vitória.

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