José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, está a aguardar pelos esclarecimentos de Luís Neves prometidos para próxima semana, mas avisou que “Luís Neves foi diretor da PJ e tem por isso especiais responsabilidades.” O líder socialista também pediu “consciência” a Luís Montenegro para avaliar o “rigor e a clareza das explicações” de forma a salvaguarda das instituições.
Depois de ter sido alvo de críticas por não ter sido vocal relativamente às polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Carneiro garantiu que exigiu “esclarecimentos claros e inequívocos” desde a “primeira hora”. Porém, insistiu que o PS vai “aguardar pelos esclarecimentos” e destacou o “princípio da presunção da inocência”: “Não devemos optar pelo silêncio porque é inimigo da transparência e também não devemos optar pelo oposto, que é fazer julgamentos na praça pública.”
Questionado sobre a falta de declarações patrimoniais enquanto diretor da PJ, Carneiro atirou: “Por parecer extraordinariamente estranho é que temos de procurar compreender o que se passou, alguma coisa ter-se-á passado para que tenha havido essa decisão. Talvez essa decisão tenha sido acompanhada pelos diretores adjuntos.”
“Há matérias que são graves, todas elas são graves, mas como colocam em causa o bom nome e reputação das pessoas são diferentes de todas as outras”, explicou, acrescentando que “é preciso aguardar pelas informações que vão ser prestadas” porque é preciso tempo para “recolher factos”. “Se [Luís Neves] está a recolher elementos que permitam provar os fundamentos que teve para as suas decisões é isso que temos de aguardar”, argumentou o líder socialista.
Questionado sobre a comissão parlamentar do Chega aos anos de mandato de Neves na PJ, que foi pedida pelo Chega, José Luís Carneiro revelou que o PS não acompanha André Ventura por considerar que é preciso “salvaguardar o estatuto e integridade” da Polícia Judiciária. Aliás, o próprio líder do Chega disse mesmo, dois dias antes do anúncio, que um instrumento deste género poderia “fragilizar” a PJ.
O líder do PS avisou também o primeiro-ministro sobre este caso, dizendo que Luís Montenegro “deve ter consciência daquilo que significam as explicações, o rigor e a clareza das explicações, para garantir que as instituições do Estado de direito democrático são salvaguardadas”.