Uma goleada frente ao Celtic, outra goleada diante do Estrasburgo, a apresentação oficial aos associados no Estádio José Alvalade com várias novidades nas bancadas entre várias novidades no relvado. A duas semanas do início oficial da temporada, com uma deslocação à Amadora para defrontar o Estrela na primeira jornada do Campeonato, o Sporting voltava a testar o momento que atravessa na pré-época, depois de um estágio de dez dias no Algarve que trouxe bons resultados depois naquilo que se viu em jogo. Daí para cá, já depois das saídas de Morten Hjulmand e Francisco Trincão, Ibrahima Ba foi confirmado como reforço para a saída de Ousmane Diomande que está presa por pormenores, Pedro Gonçalves poderá também fazer os últimos dias no clube, Ricardo Mangas saiu para o Monza e há mais reforços na calha. Para Rui Borges, tudo “natural”.
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“A pré-temporada tem corrido muito bem. Quem chegou está super integrado e foi bem recebido, está a dar boa resposta e com uma energia muito boa que o grupo também sente. Tem sido muito bom, com bons jogos. Não tudo perfeito, longe disso, porque ainda temos muito de crescer enquanto coletivo. Agora temos mais um bom teste contra uma grande equipa, com bons jogadores, um grande treinador. Queremos tentar honrar uma das maiores gerações do Sporting [os Cinco Violinos]. Tentar continuar a crescer no nosso jogo, ter melhor entendimento de algumas coisas também, e juntar a isso um troféu que é muito simbólico para todos nós. Queremos muito honrar essa geração”, apontou o técnico à SportTV, antes de falar das mudanças.
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“Tivemos saídas de jogadores importantes mas é o normal das equipas e do futebol. Sou muito frio e preparado nesse sentido para a exigência. O clube será sempre o Sporting, um grande clube, candidato a tudo em que está inserido. Palavra para quem sai? Agradecer a quem passa. Deixou um passado glorioso, ficarão claramente marcados. Agora é olhar para a frente, fazer crescer quem chegou e ser um Sporting de crescimento e vitorioso. Meio-campo mais físico? Acho que nunca podemos, enquanto treinadores, copiar o que existe. Andamos sempre à procura de melhorar, criar e sermos diferentes no nosso dia a dia, no nosso caminho. E acaba por ser isso. O Morten [Hjulmand] é o Morten, o Sergi [Altimira] vai ser o Sergi. Não sei se vai ser melhor ou pior, vai ser diferente. Sabíamos o trabalho que tínhamos de fazer e tem sido muito bem feito. Estamos super felizes com quem chegou. Estão bem integrados, a dar boas respostas e é seguir o nosso caminho. Agradecer a quem foi, mas o futebol é isto mesmo”, salientou Rui Borges.
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Em paralelo, o técnico abordou também os muitos jovens com quem foi trabalhando ao longo da pré-época, olhando também para um arranque de Liga sem Ricardo Mangas, que saiu para o Monza, com Maxi Araújo de fora por castigo e com Nuno Santos ainda à procura do melhor momento em termos físicos. “É continuar a identificação Sporting. Tem dado frutos e esperamos que assim continue a ser, os miúdos têm dado uma grande resposta. Ao longo deste meu tempo no Sporting também ajudaram muito, até no ano em que fomos bicampeões. É algo natural no clube. Esse crescimento, esse apostar na juventude. Temos isso com qualidade e, claro, eles demonstram no dia a dia. Treinador dos três grandes com mais trabalho? Sou o treinador do Sporting, estou feliz com o plantel que tenho e super motivado”, assegurou o técnico leonino.
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Essa mesma “naturalidade” chegou depois à apresentação oficial dos jogadores antes do encontro. Não houve nenhuma surpresa, como era de esperar, mas alguns dos “apresentados” estariam a fazer a despedida de Alvalade com destaque para Pedro Gonçalves, o mais aplaudido a par de Maxi Araújo e Rodrigo Zalazar, além de Ousmane Diomande. Em paralelo, foi feito também o primeiro aguardado “corte”, com Flávio Gonçalves a ser chamado também como elemento de equipa A ao contrário de outros nomes que têm vindo a trabalhar com o plantel principal como Eduardo Felicíssimo, que voltava a ser titular ao lado de Eduardo Quaresma no eixo central recuado. Essa era uma das dúvidas desfeitas, a outra passava pelo posicionamento de Issa Doumbia, que regressava ao meio com Sergi Altimira entre as apostas em Maxi Araújo e Zalazar.
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Ficha de jogo
Sporting-Mónaco, 2-0
Troféu Cinco Violinos
Estádio José Alvalade, em Lisboa
Árbitro: Hélder Carvalho (AF Santarém)
Sporting: João Virgínia; Vagiannidis (Iván Fresneda, 74′), Eduardo Quaresma, Eduardo Felicíssimo, Maxi Araújo (Rodrigo Dias, 74′); Sergi Altimira (Pedro Lima, 59′), Issa Doumbia (Jesse Derry, 59′); Geny Catamo (Luis Guilherme, 46′), Rodrigo Zalazar (Silas Andersen, 46′), Flávio Gonçalves (Pedro Gonçalves, 46′, e Daniel Bragança, 74′) e Rafael Nel (Ioannidis, 59′)
Suplentes não utilizados: Rui Silva, Diego Callai, Souleymane Faye, Rafael Mota e Afonso Lee
Treinador: Rui Borges
Mónaco: Lukas Hradeky (Köhn, 46′); Jordan Teze (Wamu Oyatambwe, 46′), Thilo Kehrer (Nibombé, 64′), Eric Dier (Sabidou Sané, 64′), Christian Mawissa (Oyatambwe, 64′), Flávio Nazinho (Aymen Assab, 64′); Pape Cabral (Edan Diop, 64′), Aleksander Golovin (Ilane Touré, 64′); Mamdou Coulibaly (Paris Brunner, 64′), Mathys Detourbet (Idumbo, 64′) e Mika Biereth (Oumar Konaté, 64′)
Suplentes não utilizados: Yann Lienard, Nick Mokabakila, Samuel Nibombe e Nadj Ajroud
Treinador: Felipe Luís
Golos: Rafael Nel (51′) e Jesse Derry (64′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Mika Biereth (19′), Doumbia (34′) e Maxi Araújo (44′)
O andamento no Algarve não se perdeu na estreia em Alvalade. Com Zalazar a começar mais no meio mas a descair de quando em vez na direita em combinação com Geny Catamo e com Issa Doumbia sem tantas idas à esquerda onde Flávio Gonçalves jogava mais na largura, o Sporting teve 20 minutos iniciais como se fosse um encontro “a sério”, com um andamento que em algumas partidas de 2025/26 não conseguiu. O que fazia a diferença? Sobretudo dois pontos: a reação à perda no meio-campo adversário e a capacidade de jogar de forma vertical nas transições, com poucos passes até chegadas rápidas ao último terço com várias unidades em zonas de finalização. Não houve qualquer golo nesse período, oportunidades não faltaram: Zalazar atirou na área pela direita ao lado (5′), Geny Catamo rematou em arco ao poste (15′), Lukas Hradeky teve uma grande defesa a remate de Flávio Gonçalves na sequência de uma jogada entre Zalazar e Rafael Nel (17′), Doumbia aproveitou uma segunda bola após canto para rematar ao lado (20′). O Mónaco não existia.
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Houve depois um período mais morno, com o baixar de ritmo do Sporting a significar também uma perda de interesse no jogo perante a incapacidade do Mónaco em chegar à frente de forma organizada e com perigo (o único remate foi de Flávio Nazinho mas muito por cima). Ainda assim, foi a partir daqui, dos 25 minutos, que os monegascos conseguiram ter mais posse, procuraram outras formas de saída na velocidade de Coulibaly pela direita e equilibraram a partida, que estava mesmo talhada a necessitar de refresh ao intervalo.
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No descanso, Rui Borges avançou para aquilo que é nesta fase um “plano B” nas dinâmicas da equipa, com Silas Andersen a juntar-se a Altimira no meio com Doumbia mais descaído na esquerda e Pedro Gonçalves no meio, no apoio a Rafael Nel (com Luis Guilherme na direita em vez de Geny Catamo também). Todas as dinâmicas voltaram a melhorar, neste caso com o avançado a ter muito mais bola para o último toque na área do que na primeira parte. À primeira, depois de uma grande assistência na direita, a bola bateu em Eric Dier quando se encaminhava para a baliza (51′); à segunda, um desvio de cabeça isolado ao segundo poste não deu hipóteses (54′). Tudo nascido na cabeça e nos pés de Luis Guilherme, que voltou a mostrar que aposta forte este ano numa temporada de confirmação depois dos primeiros seis meses em Alvalade, antes de uma nova vaga de alterações que levou para a partida aos 60′ Pedro Lima, Jesse Derry e Fotis Ioannidis.
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Houve outro mérito do Sporting: apesar das muitas alterações feitas, nunca perdeu os equilíbrios coletivos, a capacidade de travar saídas no meio-campo adversário de novo com Silas Andersen a mostrar que tem um potencial enorme e a vontade de continuar a ter movimentos ofensivos para aumentar a vantagem, como viria a acontecer pouco depois com Derry, na primeira vez que tocou na bola descaído sobre a esquerda na área, a rematar em jeito para um grande golo que bateu ainda no poste (64′). A história do troféu estava escrita, havendo tempo para uma espécie de última homenagem a Pedro Gonçalves por parte de todos os adeptos leoninos que “percebiam” ser mesmo uma despedida do internacional português. Mais uma vez sem sofrer golos, os leões somavam mais um triunfo consistente e a deixar sinais promissores para o futuro, que só não aumentaram porque Hradeky defendeu uma tentativa de Derry e Silas Andersen atirou ao poste.
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O destaque
- Rafael Nel, mais do que o golo que inaugurou o marcador, mostrou que está um ‘9’ cada vez mais completo, mostrando duas facetas num só jogo a servir mais de apoio e a distribuir jogo no último terço na primeira parte e a assumir um papel de referência mais fixa na área no segundo tempo, saindo com muitos aplausos do encontro. Além do jovem avançado, Silas Andersen voltou a mostrar que é talvez o jogador com mais potencial que chegou ao Sporting (Doumbia é daqueles que não engana), Luis Guilherme teve nova entrada a todo o gás na direita e Jesse Derry mostrou aquilo que no Algarve ainda estava “escondido”, fechando mesmo o triunfo dos verde e brancos com um bom golo no 2-0.
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A surpresa
- Acabou por ser um “pormenor” mas indicava algo: ao contrário do que aconteceu com Flávio Gonçalves, mas à semelhança de vários outros nomes da equipa B que têm trabalhado com a equipa A, Eduardo Felicíssimo não fez parte dos 30 jogadores apresentados aos sócios em Alvalade apesar de voltar a ser titular ao lado de Eduardo Quaresma, perante as ausências de Gonçalo Inácio, Zeno Debast, Ousmane Diomande e agora Ibrahima Ba. Efeito no jogador? Zero. O internacional jovem português, que até tem formação como médio defensivo, fez a exibição mais consistente da pré-temporada, sem qualquer erro, a ganhar vários duelos individuais e a aguentar fisicamente o desgaste de fazer 90 minutos seguidos.
Os ausentes
- Rui Borges vai passar a contar com todos os jogadores, incluindo os que estiveram no Mundial, a 100% a partir da próxima semana mas, nesta fase, ainda não foi a jogo com Rui Silva (que já entrou no banco), Gonçalo Inácio, Zeno Debast e Luis Suárez. Em paralelo, João Simões e Nuno Santos continuam a fazer os planos de recuperação das lesões com que terminaram a última temporada à semelhança de Ibrahima Ba, central contratado ao Famalicão que fará um programa específico no próximo mês. Pedro Gonçalves e Diomande, pelo menos, podem estar de saída em transferências nos próximos dias.
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O que se segue
- Depois da participação no Troféu Cinco Violinos, que os leões ganharam pela 11.ª vez em 14 ocasiões, o Sporting terá agora mais um teste à porta “aberta” no Algarve, frente ao Nottingham Forest que agora é orientado por Oliver Glasner, sucessor de Vítor Pereira, e que poderá levar Diomande nos próximos dias. Após essa partida na próxima sexta-feira, estará tudo a postos para a estreia no Campeonato, que irá realizar-se na Amadora, com o Estrela, a 8 de agosto (sábado, 20h30).