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O que é a artrose? Oito perguntas sobre a doença das articulações que não está só ligada ao envelhecimento

É uma doença frequente e pode provocar dores fortes nas articulações, mas, com o tratamento certo, é possível continuar a trabalhar, a praticar exercício e a ter qualidade de vida.

Cláudia Pinto
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As dores podem ser fortes. Muito fortes. Mas quanto mais cedo a artrose for diagnosticada e mais precoce for o tratamento, maior a probabilidade de controlar a dor, manter uma vida ativa, preservar a função das articulações e a qualidade de vida. O tratamento desta doença das articulações pode ser mais ou menos conservador e é sugerido individualmente.

Enquanto doença crónica, a artrose tende a progredir, mas a evolução é muito variável. Em muitos casos, pode manter-se estável durante anos, sobretudo quando é diagnosticada precocemente e são adotadas medidas adequadas”, O exercício físico, a manutenção de um peso saudável e o tratamento adequado ajudam a controlar a dor, a melhorar a função e a qualidade de vida. Em alguns casos, é possível atrasar a progressão da doença.

O que é a artrose?

É uma doença das articulações que afeta toda a sua estrutura, incluindo a cartilagem, o osso e outros tecidos. Atinge sobretudo os joelhos, as ancas, as mãos e a coluna. “Caracteriza-se por dor, rigidez e limitação dos movimentos, podendo condicionar de forma significativa a qualidade de vida”, explica Ana Maria Rodrigues, reumatologista no Hospital Lusíadas e vice-presidente da Liga Portuguesa contra as Doenças Reumáticas.

Afeta mais homens ou mulheres?

A artrose pode afetar homens e mulheres, embora seja mais frequente nestas, sobretudo após a menopausa. O principal estudo epidemiológico sobre a prevalência da artrose em Portugal é o EpiReumaPt, um inquérito nacional a mais de dez mil pessoas, publicado em 2016. Foi promovido pela Sociedade Portuguesa de Reumatologia e coordenado cientificamente por investigadores da Nova Medical School. A artrose é identificada neste estudo como uma das doenças reumáticas mais comuns em Portugal, sendo apenas ultrapassada, em termos de prevalência, pela lombalgia. A artrose mais comum é a do joelho e afeta 12,4% dos adultos portugueses. Segue-se a artrose da mão, com uma prevalência de 8,7%, e a artrose da anca, com 2,9%.

A idade é um fator de risco?

“A frequência aumenta com o avançar da idade, mas não faz parte do envelhecimento normal nem é uma consequência inevitável de envelhecer”, diz a médica reumatologista, professora de Epidemiologia e Saúde Pública na Nova Medical School. Muitas pessoas chegam a idades avançadas sem desenvolver artrose. “A idade aumenta o risco porque as articulações vão sofrendo alterações ao longo da vida, mas o aparecimento da doença depende também de outros fatores.” Por exemplo: a predisposição genética, o excesso de peso ou obesidade, lesões articulares anteriores e a sobrecarga repetida das articulações em determinadas profissões ou atividades desportivas. “É a combinação destes fatores, e não apenas a idade, que explica o desenvolvimento da doença”, explica Ana Maria Rodrigues.

Um estilo de vida sedentário não é, por si só, uma causa direta de artrose. Mas “pode contribuir para o seu desenvolvimento e progressão, ao favorecer o aumento de peso e a perda de força muscular, fatores que comprometem a saúde das articulações”.

Quais os sintomas mais frequentes?

  • Dor na articulação afetada;
  • Rigidez, sobretudo após períodos de repouso ou ao acordar (habitualmente de curta duração);
  • Limitação dos movimentos, que pode dificultar atividades do dia a dia, como caminhar, subir escadas, abrir frascos ou vestir-se;
  • Algumas pessoas podem também notar inchaço ocasional, sensação de instabilidade ou crepitação (estalidos) ao movimentar a articulação.

Como se diagnostica?

Apesar dos exames de imagem, como o raio-X, a ressonância magnética ou a TAC (tomografia axial computorizada) serem importantes, não são suficientes para confirmar o diagnóstico. “É relativamente frequente encontrarem-se alterações compatíveis com artrose em pessoas que não têm dor nem qualquer limitação funcional.” Por isso, os exames devem ser sempre interpretados pelo médico no contexto clínico de cada pessoa,

É a conjugação dos sintomas, da história clínica, do exame físico e, quando necessário, dos exames complementares, que permite chegar a um diagnóstico correto. “Além disso, nem todas as dores ou lesões de uma articulação são causadas por artrose.” Existem outras doenças, “algumas potencialmente reversíveis ou tratáveis, como as doenças inflamatórias, as infeções ou algumas alterações metabólicas, que podem provocar sintomas semelhantes”. O diagnóstico precoce é fundamental para um início de tratamento mais adequado e para evitar a progressão da lesão das articulações.

Como se trata?

O tratamento da artrose deve ser individualizado e adaptado às necessidades de cada pessoa. Embora não exista um tratamento que cure a doença, existem várias estratégias eficazes para aliviar os sintomas, preservar a autonomia e a qualidade de vida e, em muitos casos, atrasar a progressão da doença. “A saúde das articulações constrói-se ao longo da vida.”

A base do tratamento passa por informar e capacitar a pessoa para compreender e gerir a sua doença, fornecendo-lhe estratégias para aliviar a dor, melhorar a função e manter a qualidade de vida, nomeadamente:

  • Sempre que exista excesso de peso, a sua perda é uma medida fundamental, devendo ser complementada pela prática regular de exercício físico;
  •  Contrariamente ao que muitas pessoas pensam, o exercício não desgasta as articulações. Pelo contrário, é um dos tratamentos mais eficazes para a artrose, ajudando a reduzir a dor, melhorar a força muscular, a mobilidade, o equilíbrio e a capacidade para realizar as atividades do dia a dia;
  • Se necessário, podem ser utilizados medicamentos para aliviar a dor, sempre de forma criteriosa e sob orientação médica. Em alguns casos, a fisioterapia, as ortóteses, as ajudas técnicas, como uma bengala ou canadianas, e as infiltrações, podem ser úteis;
  • Quando a dor e a limitação funcional são muito impactantes e deixam de responder ao tratamento conservador, a cirurgia de substituição da articulação pode ser a melhor opção. Falamos da colocação de uma prótese da anca ou do joelho, por exemplo.

É o mesmo que artrite?

Não. A artrite corresponde a um conjunto de doenças em que a inflamação da articulação é o principal mecanismo, como a artrite reumatoide, a artrite psoriática e a gota, doenças que provocam habitualmente dor, inchaço, calor e rigidez prolongada, sobretudo de manhã. Como ambas podem causar sintomas semelhantes, nem sempre é fácil distingui-las. Por isso, sempre que as queixas articulares persistam por mais de três a seis semanas, é importante procurar avaliação médica para um diagnóstico e tratamento adequados.

Como distinguir a artrose de outra doença reumática?

Pode ser difícil, uma vez que muitas doenças provocam sintomas semelhantes, como a dor, rigidez e a dificuldade em movimentar as articulações. “É por isso que o diagnóstico deve ser feito por um médico, que, através da história clínica, do exame físico e, quando necessário, de exames complementares, consegue identificar a causa dos sintomas e indicar o tratamento mais adequado”, explica Ana Maria Rodrigues.