Mais uma semana, mais um aumento, acentuado, dos preços nos combustíveis acompanhado de uma descida, diminuta, no imposto sobre os produtos petrolíferos.
Durante o dia, e segundo dados da ANAREC e do Automóvel Clube de Portugal, foram noticiados aumentos de nove cêntimos por litro no gasóleo e de três cêntimos na gasolina. O Governo esperou até ao final do dia para publicar a portaria que reajusta em baixa o imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) para neutralizar os ganhos que teria no IVA com os preços mais altos.
No gasóleo, a taxa de ISP é reduzida em 1,5 cêntimos por litro, o que, com o efeito do IVA, poderá reduzir o aumento previsto para 7 cêntimos por litro. Na gasolina a taxa baixa menos de 1 cêntimo por litro, o que poderá limitar a subida a dois cêntimos por litro.
Apesar do travão, o gasóleo deverá atingir os dois euros por litro na próxima semana, tendo em conta que o preço médio semanal calculado pela Direção-Geral de Energia e Geologia está nos 1,96 euros por litro. Este preço para o gasóleo simples reflete já os descontos praticados nas bombas. Na gasolina, o preço médio está nos 1,972 euros.
Será a quarta semana consecutiva de aumentos dos preços dos combustíveis depois de o petróleo ter superado a fasquia dos 100 dólares por barril na passada quinta-feira, na sequência dos ataques dos houthis, aliados do Irão, a petroleiros da Arábia Saudita. Mais do que o efeito do Estreito de Ormuz, o receio dos mercados é que o estrangulamento no transporte marítimo de petróleo e produtos alastre ao mar Vermelho, para onde se desviou muito do tráfego afetado pelo bloqueio do Irão. Já esta sexta-feira, o petróleo Brent recuou para os 97 dólares por barril.
Este quadro de agravamento dos preços está a penalizar mais o gasóleo numa altura em que já não existem apoios públicos aos transportes e a outros setores mais expostos.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial disse que o Governo “continua atento” ao aumento do preço dos combustíveis e a “avaliar, permanentemente, se justificam ou não novas intervenções”, além do desconto no ISP em vigor.
“O Governo continua atento ao assunto. Há um desconto que nós estamos a fazer neste momento e que vai ser mantido. Há uma regra que foi definida que era a de apoiar ou de incentivar ou subsidiar o preço do gasóleo quando ele subisse mais de 10 cêntimos do preço antes da guerra. Essa regra está em vigor”, afirmou Castro de Almeida durante uma visita aos estaleiros da West Sea, em Viana do Castelo.