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(A) :: Caminhada que resultou na morte de fundador da Mango foi sugerida por psicóloga. Ideia era "situação extrema à beira de um precipício"

Caminhada que resultou na morte de fundador da Mango foi sugerida por psicóloga. Ideia era "situação extrema à beira de um precipício"

A intérprete da psicoterapeuta revelou aos Mossos d'Esquadra que o trilho onde Isak Andic morreu em dezembro de 2024 foi sugerido como estratégia de sessão conjunta com o filho detido.

Martim Andrade
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Era uma “relação terrível” e, por isso, a terapia familiar era a única salvação. Isak e Jonathan Andic começaram as sessões com uma psicóloga em março de 2023, mais de um ano antes de o fundador da Mango ter sido encontrado morto no fundo de uma ravina enquanto caminhava com o filho em dezembro de 2024. Essa caminhada, como foi revelado esta semana, terá sido uma estratégia desenhada nestas sessões conjuntas de psicoterapia.

Já se passaram dois meses desde que Jonathan foi detido sob suspeita de ter matado o pai. Enquanto decorrem depoimentos em tribunal, os Mossos d’Esquadra continuam a recolher testemunhos de várias pessoas próximas da família, para perceber se a queda de Isak Andic de uma ravina em dezembro de 2024 foi um acidente, como inicialmente pensado, ou um homicídio. Foi assim que chegaram à intérprete britânica que colaborava com a psicoterapeuta Julia Lüderwaldt, que acompanhava o caso da família Andic, mas também de várias famílias abastadas na Catalunha.

A britânica, que não foi identificada pela imprensa espanhola, revelou que foi a responsável por sugerir o trilho Camí de les Feixades, a pedido de Lüderwaldt, como plano da consulta. Segundo a intérprete, a psicóloga queria que o pai e o filho se colocassem numa “situação extrema”, com o objetivo de melhorar a relação que causou tanto “sofrimento” para os dois. A testemunha chegou a referir que um dos planos elaborados para esta caminhada incluía colocar Jonathan “à beira de um precipício”.

É uma técnica popular utilizada por Julia Lüderwaldt, que também acompanha a ex-tenista Arantxa Sánchez Vicario, bem como a pasta do ex-marido da Infanta Cristina, Iñaki Urdangarin. O objetivo era promover um “confronto verbal”, para tentar que os clientes ultrapassassem a sua “relação tóxica e codependente”, como escreve o El País. Neste caso, Jonathan e Isak viviam uma relação “terrível” desde que o pai afastou o filho da liderança da Mango.

A intérprete, que foi uma de várias testemunhas convocadas nos últimos meses, entregou mensagens e ficheiros áudio que tinha trocado com a psicóloga equatoriano-alemã às autoridades catalãs. Julia Lüderwaldt também foi ouvida em tribunal no final de junho. Nas suas declarações, a psicoterapeuta revelou que chegou à família Andic através da companheira de Isak, a ex-jogadora de golfe Estefanía Knuth, que procurou promover uma reconciliação entre pai e filho.

Contudo, segundo o El País, que acompanhou o depoimento da psicóloga, Julia Lüderwaldt poderia estar a assumir um lado na relação entre Jonathan e Isak. Terá sido Lüderwaldt a propor a criação de um fundo na sua herança correspondendo a 40 milhões de euros para o filho — que acabou por alterar mais tarde —, para garantir que Jonathan não abandonava as sessões de terapia, que também contavam com a participação das filhas Judith e Sarah. Estes factos fizeram aumentar as suspeitas de “algum tipo de envolvimento nos eventos”, afastando cada vez mais a hipótese de a morte do fundador da Mango ter-se tratado de um acidente.

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